Regiões e Bacias Hidrográficas

 

Usos do Ecossistema

Basicamente, os usos dos ecossistemas aquáticos da bacia do rio São João são:

  • Abastecimento Público;
  • Irrigação;
  • Consumo Industrial
  • Extração de Areia;
  • Criação de Peixes e Pitus;
  • Dessedentação de Animais Domésticos;
  • Manutenção da Biodiversidade
  • Pesca;
  • Recreação;
  • Navegação.

Segue-se uma apreciação sobre os usos, feita em grande parte com base no estudo de Helder Costa.

Abastecimento Público

As águas do rio São João e afluentes abastecem as cidades de Rio Bonito (parte), Silva Jardim, Casemiro de Abreu, Araruama, São Pedro da Aldeia, Cabo Frio, Armação dos Búzios, Iguaba Grande, Arraial do Cabo e Saquarema, através das empresas CEDAE, Águas de Juturnaíba, Pró-lagos e de Serviço Municipal Autônomo. Na represa de Juturnaíba a Prolágos capta atualmente (dezembro de 2002), cerca de 1,6 m3/s com previsão de extrair até 2005, cerca de 2,5 m3/s num horizonte de 2 anos. Búzios, Cabo Frio, São Pedro da Aldeia, Iguaba e Arraial do Cabo (somente abastecimento de água) é de cerca de 240 mil, podendo chegar a mais de 700 mil no verão. As empresas privadas são fiscalizadas pela ASEP.

O quadro mostra um panorama das outras captações:

Cidade/Vila

Empresa/Autarquia

Rio Bonito

CEDAE

Casemiro de Abreu

CEDAE

Rio Dourado

Serviço Autônomo de Água e Esgotos – SAEE

Professor Souza

Serviço Autônomo de Água e Esgotos – SAEE

Santo Antônio

Prolagos

Barra de São João

CEDAE

Rio das Ostras

CEDAE

Morro Grande

CEDAE

Fonte: CILSJ

Percebe-se que o rio São João é estratégico não somente para os municípios da bacia, mas também para toda a Região dos Lagos, sendo vital para a economia, a saúde e o turismo. Através das adutoras da Prólagos, suas águas chegam as torneiras das cidades de Saquarema, Araruama, Arraial do Cabo, Cabo Frio, São Pedro da Aldeia e Iguaba Grande, sem que a maioria dos moradores e turista tenha um dia refletido sobre isto. 

Iniciada em 1977 pela CEDAE, a transposição das águas do rio São João para a bacias das lagoas de Araruama e Saquarema é como uma transfusão de sangue de uma bacia com água doce para um região anêmica deste recurso. Em ultima análise, é o rio São João que garante o desenvolvimento regional, pois sem água não se faz nada. 

Irrigação

Como comentado, as lavouras irrigadas na bacia existem tanto à montante como à jusante da represa, sendo principalmente olericultura, ressaltando o inhame e cítricos à montante do reservatório e o arroz, cítricos e cana-de-açúcar, à jusante. O quadro abaixo relaciona as captações. Nenhum tem outorga.

Principais Captações para Irrigação na Bacia do Rio São João

Municipio

Manancial ou Local

Área Beneficiada

(ha)

Taxa de Evapotranspiração.

(m3/ha.dia)

Volume Total Mensal

(x1000m3)

Silva

Jardim

Córrego das Águas Claras

30

30

27.0

Córrego Tuaquaruçus

3

30

2.7

Rio Pirineus

25

30

22.5

Faz.São João (Rio São João)

15

30

13.5

Rio Maratuã

50

30

45.0

Faz. Santa Helena (Rio do Ouro)

6

30

5.4

Faz. Prata (Rio do Ouro)

5

30

4.5

Rio Cambucás

15

80

36.0

Rio Capivari

12

30

129.6

Rio Capivari

3

30

10.8

Faz. Malásia (Rio Bacaxá)

26

80

62.4

Rio

Bonito

Faz. da Posse (Rio Bacaxá)

100

30

90.0

Faz. Jacundá (Rio Bacaxá)

300

30

270.0

Casimiro

De Abreu

Rio Aldeia Velha

600

80

1440.0

Faz.Carioca Engenharia (Rio São João)

10

30

9.0

Araruama

Faz. Três Marias (Rio Bacaxá)

50

30

45.0

Faz. Vieira (Córrego afluente ao Res.Juturnaíba)

20

30

18.0

Cabo

Frio

Faz. São José (Rio São João)

150

80

360.0

Faz. Tosana (Córrego afluente ao Rio São João)

10

30

9.0

Fonte: Helder Costa, 1999

A lavoura que mais consome água é o arroz por se tratar de um tipo de irrigação por submersão das quadras. A título de exemplo, o Instituto Riograndense do Arroz - IRGA considera que, em média, o volume total consumido por um cultivar de ciclo precoce (90 dias) com irrigação de 18 h/dia é de cerca de 12.500 m3/ ha/ ano. O quadro abaixo fornece mais valores. 

Consumo Industrial

O principal consumidor desta categoria é a Companhia Nacional de Álcalis, cuja demanda, de 110 l/s, é suprida pela Prolagos. Embora as demais indústrias sejam supostamente de pequeno porte, somente um cadastro de usuários poderá aclarar melhor esta questão.

Extração de Areia

A extração de areia é uma atividade antiga na bacia, mas foi incrementada com a retificação do rio São João a montante da represa. Os areais concentram-se no rio São João, mas há alguns também nos rios Capivari e Bacaxá. 

Criação de Peixes e Pitus

A águas da bacia são utilizadas ainda, através de pequenas captações, para atividades de aqüicultura. Estas visam, em geral, a produção de peixes para abastecer os estabelecimentos de pesque-pagues. Segundo Helder Costa, as águas de uma maneira geral, retornam aos cursos d’água mais poluídas sob o ponto de vista orgânico e em menor volume em função das perdas por evaporação nos tanques.

Município

Manancial ou Local

Área Beneficiada (ha)

Volume Mensal (x1.000m3)

Silva Jardim

Faz Marcio

10

24.000

Faz. Valci Ferri

5

12.000

Córrego Salto D’Água

10

24.000

Rio Bonito

Lavras

1

2.4

Fonte: Helder Costa, 1999

Dessedentação de Animais Domésticos

Os rebanhos, em especial o bovino, abastece-se nos cursos de águas da bacia. Alguns proprietários construíram açudes para este fim.

Manutenção da Biodiversidade

Os cursos de água da bacia do rio São João constituem o habitat de uma multidão de animais, plantas e microorganismos ainda pouco conhecidos. Destaque para as mais de 89 espécies de peixes, que convivem com pitus, mariscos, cágados, cobras d’águas, jacarés-do-papo amarelo, aves e mamíferos aquáticos, como capivaras, lontras, ratos d’água e cuícas.      

Pesca

Na bacia do rio São João pratica-se a pesca profissional, esportiva e de lazer. A pesca profissional e esportiva concentra-se na represa e nos maiores rios, em especial no baixo curso do rio São João. Algumas espécies valiosas como a piabanha, tiveram seus cardumes tão reduzidos que a pesca se tornou inviável. Estima-se que atuem na represa cerca 35 de pescadores profissionais, em sua maioria pertencentes a Associação dos Pescadores da Lagoa de Juturnaíba. A pesca se faz basicamente com rede de espera ou malhadeira (apesar de proibida) e tarrafa, apoiada em barcos impelidos com motores em geram com 15 HP.  Atua na represa o Clube de Pesca Amigos da Lagoa de Juturnaíba, cuja sede é na antiga estação ferroviária.  Os recursos mais visados são o sairú, a traíra e, nos últimos anos uma espécie exótica – o tucunaré, indevidamente lançado na represa para povoá-la. No baixo curso são capturados a tainha, o robalo e o pitu.

Maricultura

Recentemente no baixo São João, próximo a foz, teve início a implantação de projetos de produção de ostras. em criatórios submersos e fixados por poitas ou bóias, paralelos à orla do rio junto aos manguezais.

Recreação

A recreação é uma atividade intensa na bacia, em razão da variada oferta de recursos recreacionais como leitos de rios, cachoeiras, poços e a própria represa. São várias as cachoeiras e poços, em especial nos afluentes da margem esquerda dos rios São João, do Capivari e do Bacaxá, desconhecidas do visitante, mas intensamente utilizada pelos moradores locais.

Poucas são as quedas d’água bem conhecidas, como, por exemplo, a cachoeira das Andorinhas, no rio Aldeia Velha, a Salto d’Água, no córrego de mesmo nome. Rios e córregos compõem o leque de atrativos dos hotéis fazendas da região, valorizando-os. Há também estirões adequados a prática de canoagem, apesar deste esporte não ser praticado na região. Também passeios de barco partem de Barra de São João e tem percorrido o baixo curso do rio.         

Navegação

Pequenos barcos de pesca e passeio navegam pelo rio São João no baixo curso.   

 


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