Regiões e Bacias Hidrográficas

 

Represa de Juturnaíba

Muitas pessoas ainda chamam de lagoa de Juturnaíba o que hoje na verdade é uma represa, pois a lagoa foi extinta. Clique aqui para ver o mapa atual da represa.  De acordo com Alberto Lamego, o nome Juturnaíba é originário da palavra indígena “Nhetoronoa-aba” ou “Nhetoranga-aíba”, que significa “lago medonho” ou “mal-assombrado”. O nome foi dado devido à presença de urutaus (Nyctibius griseus) nas matas, aves noturnas de grande porte cujo canto melancólico provavelmente era temido pelos índios Tamoios.

A represa de Juturnaíba é composta de dois elementos: barragem e reservatório. A barragem é a obra de concreto e terra que represa a água do rio, formando um reservatório ou a represa propriamente dita, que é o corpo de água. Veja abaixo o desenho que exibe a diferença de tamanho entre a represa e a antiga lagoa. 

 

Fonte: Cunha, 1995

Legenda: (1) Cursos de água; (2) Novo canal do rio São João (3) Barragem; (4) Represa de Juturnaíba; (5) Antiga Lagoa; (6) Divisor de Água a montante da barragem.

 

O acesso à barragem pode ser feito tanto pela BR 101, entrado na altura de Rio Iguape, como por São Vicente de Paulo, indo até o final da estrada de Barro Vermelho.

Objetivos da Obra

A obra foi implantada pelo DNOS com os seguintes objetivos:

  • acumular maior volume de água para garantir o abastecimento domiciliar e industrial na Região dos Lagos, em especial dos municípios de Cabo Frio, Arraial do Cabo, São Pedro de Aldeia, Iguaba Grande, Araruama, Saquarema e também de Rio Bonito e Silva Jardim;
  • controlar as cheias na baixada do rio São João, no trecho a jusante da barragem;  
  • assegurar água para irrigação de 31.800 ha de terras agrícolas na baixada selecionadas pelo Pró-alcool e outros diferentes cultivos;

Engenharia da Barragem e Represa

A barragem foi erguida a cerca de 78 km das nascentes do rio São João, em Silva Jardim e Araruama, pouco acima da confluência do canal do Revólver com o rio principal. A área de drenagem a montante da barragem é de 1.370 km2, que corresponde a pouco mais da metade de toda a bacia do São João. Cerca de 650 km2 correspondem à bacia do alto e médio do São João, 520 km2 a do rio Bacaxá e 200 km2 a do rio Capivari.

A barragem assenta-se entre os morros do Madureira e Crioula, que constituem as suas “ombreiras”, segundo jargão utilizado na engenharia hidráulica. Construída transversalmente ao rio São João, ela é composta de dois diques de terra compactada com 3.400m de comprimento total, cuja crista se situa na cota de 11m. No meio, há um vertedouro em concreto do tipo zigue-zague, com 710m, dispondo de quatro elementos. Em ambos os lados do vertedouro foram construídas duas tomadas de água. Pelo vertedouro, através das comportas, as águas da represa são escoadas para o canal retificado a jusante. A jusante da barragem foi construída uma ponte de concreto com 180m.

Enchimento da Represa

O enchimento do reservatório deu-se entre 1982 e 1984. A represa submergiu a lagoa de Juturnaíba, matas ribeirinhas, brejos e parte de 24 fazendas, além de trechos do rio São João, Bacaxá e Capivari, que perderam, respectivamente, 13,6 km, 8 km e 5,3 km. A área alagada passou de 8 km², superfície da antiga lagoa, para 43 km².

Durante a formação da represa e nos seus primeiros anos, houve um aumento considerável de plantas aquáticas, que chegaram a formar ilhas flutuantes, e um decréscimo considerável de oxigênio. Decorridos quase vinte anos de seu enchimento, o problema da proliferação de plantas aquáticas persiste, provavelmente estimulado pelos nutrientes dos esgotos que lhe chegam através dos rios. 

Morfologia da Represa

A represa tem um formato irregular, podendo-se distinguir quatro braços. O situado mais ao norte corresponde ao brejo do vale do rio São João que foi inundado. No meio da represa esta o braço do vale afogado do rio Capivari e ao sul o do Bacaxá. Na parte leste encontra-se o braço do vale submergido do rio das Onças. A represa é abastecida pelas águas dos rios São João, Capivari, Bacaxá e das Onças.

De acordo com dados da FEEMA, quando cheia, o nível da água atinge a cota de 8,4m acima do nível do mar. Nesta situação, a superfície da represa é de 43 km2, perímetro de 85 km, largura máxima de 4,0 km e comprimento máximo de 15 km. A profundidade máxima atinge 8,0m, enquanto que a média é de 2,3m.

Hidrologia da Represa

A represa tem capacidade de acumular um volume de 10 milhões de m3, sendo o tempo de residência da água (detenção hidráulica) estimado em 38 dias pela FEEMA.

Ver abaixo os gráficos que mostram as relações cota x área e cota x volume da represa, extraídos do trabalho do engenheiro Helder Costa.

As águas da represa são escoadas através das comportas instaladas na barragem. A quantidade de água liberada rio baixo é variável (vazão regularizável), dependendo do volume acumulado na represa. Quando cheia, a vazão regularizável descarregada no canal do DNOS a jusante da barragem é da ordem de 20m3/s, conforme estudo da FEEMA.  

Ecologia, Qualidade da Água e as Margens da Represa

Estrutural e funcionalmente, uma represa constitui um ecossistema diferente de um rio, podendo-se reconhecer nela quatro compartimentos distintos:

·           a região litorânea, onde se dá a transição entre os ecossistemas aquático e terrestre, tem como principais características o maior número de nichos ecológicos e de diversidade de espécies e, conseqüentemente, um número mais elevado de cadeias alimentares;

·           a região pelágica ou limnética, correspondendo a zona mais interior, tem nas algas (o fitoplâncton) e nos animais invertebrados (o zooplâncton), seus principais representantes. Os peixes, que constituem o nécton, também são freqüentes;

·           a região profunda, onde não há crescimento de vegetais superiores (macrófitas aquáticas) e, na maioria das vezes, nem mesmo de algas. A comunidade bentônica é constituída sobretudo por animais invertebrados e bactérias;

·           a região de interface, entre a água e o ar, onde se encontram grupos de pequenos animais e mesmo de plantas, chamados de nêuston.

Os terrenos marginais da represa são caracterizados por pequenos morros com trechos planos próximos a desembocadura dos rios São João, Capivari, Bacaxá e das Onças. Há apenas uma ocupação, o povoado de Juturnaíba, que cresceu as margens da Estação Ferroviária. No restante são fazendas e as instalações da Prólagos de captação e tratamento de água.    

A zona litorânea é ocupada por uma vegetação baixa de gramíneas, com exemplares isolados de árvores como ingás (Inga ingoide, I. affinis e I fagifolia). Vem em seguida uma zona de plantas flutuantes e, já nas áreas um pouco afastadas da margem, notam-se as plantas submersas. Dentre as plantas litorâneas destacam-se piripiris (Cyperus giganteus), tabuas (Typha dominguensis) e outras como Scirpus cubensis, Bacopa sp e Hydromystia sp. As flutuantes são representadas por aguapés (Eichornia crassipes e E. azurea) em grande quantidade. Das submersas mencionam-se cabombas (Cabomba sp) e Myriophyllum brasiliense

As águas da represa apresentam-se sempre barrentas, independente da época do ano. Os rios São João, Capivari e Bacaxá descarregam grandes quantidades de sedimentos na represa, fato que pode ser comprovado pela imagem de satélite tomada em maio de 1985. As manchas de coloração rosa nos braços da represa são os sedimentos.      

 

Represa em Maio de 1985

Fonte: CILSJ

 

Não se nota a presença de óleo na superfície, mas é comum observar-se lixo flutuante. O principal uso da represa é a captação de água para abastecimento da Região dos Lagos, seguido da pesca e da recreação. No povoado de Juturnaíba localiza-se a antiga Estação de Trem, atual clube de pesca “Amigos da Lagoa de Juturnaíba”. 

Rotina Operacional

Com a extinção do DNOS em 1990, o comando das comportas ficou acéfalo. A CEDAE constatando o abandono, assumiu precariamente a operação da barragem por mais de 10 anos, mas não fez nenhum investimento em manutenção ou melhoria.

Somente em novembro de 2002 a Prolágos tomou conta da operação, que será guiada pelas regras estabelecidas provisoriamente pela Agência Reguladora de Serviços Públicos Concedidos ASEP.

As principais regras são as seguintes:

·         Manter as comportas e demais instalações da barragem em plenas condições de operação

·         Fazer leitura permanente dos instrumentos de controle de estabilidade da barragem, produzindo relatórios freqüentes.

·         Manter o nível da barragem de acordo com a determinação da SERLA até que o Comitê da Bacia defina as possíveis variações, em função da regularidade de vazão das áreas da bacia.

·         Manter permanentemente limpo, principalmente das ilhas flutuantes, as calhas vertedoras da barragem

Manter os maciços de terra permanentemente limpos de vegetação que possa ocasionar infiltrações;

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