|
Regime, Escoamento e Carga Sólida
A
quantidade de água que passa através de uma
seção transversal do rio por unidade de tempo
é denominada de débito, deflúvio, caudal,
descarga ou vazão. A vazão nunca é constante
devido a diversos fatores, como a intensidade,
duração e freqüência das precipitações, condições
de infiltração e permeabilidade do solo etc.
A variação do volume de água em trânsito pela
calha corresponde ao regime fluvial.
Com
respeito às vazões dos rios de interesse,
cabe comentar que cinco postos fluviométricos
foram instalados e operados na bacia, visando
registrar os níveis da água e assim possibilitar
o cálculo de descargas. O DNAEE implantou
em 1967 o posto Correntezas no rio São João
à montante da confluência do rio Bananeiras.
Já o DNOS operou dois postos no rio
São João (Fazenda Canaã ou BR 101 e Fazenda
Sobara), um no rio Capivari (Silva Jardim)
e um no rio Bacaxá (Sítio Suzana). Pouco depois,
os postos nos rios Capivari e Bacaxá mudaram
de posição, passando a serem denominadas de
Rodo do Imbaú e Fazenda Bacaxá, respectivamente.
Contudo, apenas o posto Correntezas permaneceu.
Os quadros em seqüência
sintetizam as informações sobre vazões dos
rios a montante da barragem.
Vazões do Rio São João no Posto Correntezas - Período 79/83
|
Vazão
|
Unidade
|
Mês
|
|
J
|
F
|
M
|
A
|
M
|
J
|
J
|
A
|
S
|
O
|
N
|
D
|
|
Vazões
Médias Mensais
|
m3/s
|
27,3
|
28,4
|
26,9
|
21,4
|
14,9
|
12,3
|
8,7
|
6,7
|
10,4
|
9,9
|
16,7
|
21,7
|
|
Vazões
Específicas Medias Mensais
|
l/s/km2
|
43,7
|
35,2
|
39,2
|
36,8
|
23,9
|
17,4
|
12,8
|
12,0
|
15,5
|
16,5
|
21,2
|
37,9
|
|
Vazão
Média de Longo Termo
|
m3/s
|
14,4
m3/s.
|
Fonte:
Helder Costa - Projeto Planagua SEMADS/GTZ,
1999 - ANEEL
Vazões Mínimas dos Rios
São João e Bacaxá para 1, 7, 14 e 30 Dias
Consecutivos
|
Estação Correntezas (Área=386Km2)
|
|
Dias
|
1
|
7
|
14
|
30
|
|
T
|
Q
|
q
|
Q
|
q
|
Q
|
q
|
Q
|
q
|
|
2
|
3.58
|
9.27
|
3.78
|
9.79
|
3.82
|
9.90
|
4.27
|
11.1
|
|
5
|
2.97
|
7.69
|
3.13
|
8.11
|
3.28
|
8.50
|
3.53
|
9.14
|
|
10
|
2.62
|
6.79
|
2.74
|
7.10
|
2.85
|
7.38
|
3.11
|
8.06
|
|
20
|
2.32
|
6.01
|
2.39
|
6.19
|
2.47
|
6.40
|
2.74
|
7.10
|
|
Estação Fazenda Bacaxá (Área=240Km2)
|
|
2
|
0.43
|
1.79
|
0.55
|
2.29
|
0.66
|
2.75
|
0.78
|
3.25
|
|
5
|
0.32
|
1.33
|
0.39
|
1.62
|
0.46
|
1.92
|
0.57
|
2.38
|
|
10
|
0.27
|
1.12
|
0.33
|
1.38
|
0.38
|
1.58
|
0.50
|
208
|
|
20
|
0.24
|
1.00
|
0.29
|
1.21
|
0.32
|
1.33
|
0.45
|
1.88
|
Fonte:
Helder Costa -
Projeto Planagua SEMADS/GTZ, 1999
|
Notas:
|
|
|
Q
|
vazão
(m3/s)
|
|
q
|
Vazão
específica (l/s/Km2);
|
|
T
|
período de recorrência (anos)
|
Vazões dos Rios São João,
Capivari e Bacaxá: Período 1976-1979
|
Vazão
(m3/s)
|
Rio
São João (1)
|
Rio
Capivari (2)
|
Rio
Bacaxá (3)
|
|
1976
- 1977
|
1977
- 1978
|
1978
- 1979
|
1976
- 1977
|
1977
- 1978
|
1978
- 1979
|
1976
- 1977
|
1977
- 1978
|
1978
- 1979
|
|
Máxima
|
115
(Dez)
|
123
(Nov)
|
138
(Jan)
|
63,7
(dez)
|
63,5
(Nov)
|
49,2(Fev)
|
58,7
(Dez)
|
57,1(Nov)
|
118,0(Jan)
|
|
Intermediária
Médio
|
16,6
|
20,3
|
18,9
|
2,2
|
2,2
|
3,2
|
3,3
|
3,1,
|
4,4
|
|
Mínima
|
8,4
(min)
|
3,3
(set)
|
2,8
(out)
|
0,3
(Ag/Se)
|
0,3
(Set)
|
0,3
(Out)
|
0,5
(Ag/Se)
|
0,3
(Set)
|
0,2
(Out)
|
|
Descarga
Anual
|
524,7
|
638,8
|
590,4
|
59,0
|
69,3
|
93,7
|
105,6
|
96,5
|
154,1
|
|
Caudal
Médio Anual
|
43,7
|
53,2
|
49,2
|
5,9
|
5,8
|
7,8
|
8,8
|
8,0
|
12,8
|
Fonte:
Cunha (1995), com base em dados do DNOS
|
Notas:
|
|
|
(1)
|
No posto fluviométrico junto a BR 101
|
|
(2)
|
No posto fluviométrico de Silva Jardim
|
|
(3)
|
No posto fluviométrico de Sítio Susana
|
Descargas
Médias Mensais dos Rios São João, Capivari
e Bacaxá ao entrarem na represa
|
Rio
|
Descarga
Média Mensal (m3/s)
|
|
Rio
São João
|
19,0
|
|
Rio
Capivari
|
4,4
|
|
Rio
Bacaxá
|
5,6
|
|
TOTAL
|
29,0
|
Fonte:
FEEMA. Seção de Hidrologia
Estudo
realizado pela FEEMA, resumido no quadro a
seguir, simula as vazões (descargas regularizáveis),
que poderiam ser liberadas pela barragem da
Juturnaíba no canal do DNOS a jusante, no
período de estiagem (julho a setembro), em
diferentes condições de enchimento da represa.
Relação Volume Útil x Vazão
Regularizada do Reservatório de Juturnaíba
|
Volume
Útil
(x106m3)
|
Vazão
Regularizada
(m3/s)
|
Volume
Útil
(x106m3)
|
Vazão
Regularizada
(m3/s)
|
|
10
|
9.4
|
60
|
16.8
|
|
20
|
11.3
|
70
|
17.8
|
|
30
|
12.8
|
80
|
18.8
|
|
40
|
14.2
|
90
|
19.8
|
|
50
|
15.5
|
100
|
20.5
|
Fonte:
Helder Costa -
Projeto Planagua SEMADS/GTZ, 1999
Com
relação ao transporte de sedimentos, os dados
existentes referem-se ao período 1976 a 1979,
conforme o quadro abaixo.
Descarga Sólida 1976-1979
|
Bacia
|
Área
de Denagem
(km2)
|
Descarga
Sólida Média Anual
(T/ano)
|
Produção
Média de Sedimentos
(T/km2/ano
|
|
São
João
|
650
|
418.925,4
|
732,4
|
|
Capivari
|
200
|
24.300,6
|
205,9
|
|
Bacaxá
|
520
|
34.863,0
|
128,2
|
Fonte:
Cunha (1995), com base em dados do DNOS
A análise
dos quadros acima e dos estudos hidrológicos
permite tecer as considerações a seguir:
-
O
regime dos rios é marcado por um período
de águas altas entre os meses de novembro
a março, com as maiores vazões ocorrendo
em fevereiro. As menores vazões ocorrem
entre os meses de junho a outubro, sendo
a mais baixa vazão registrada em agosto.
·
A montante da
represa, o rio São João apresenta vazões maiores
que os rios Bacaxá e Capivari, sendo cerca
de três vezes superior a ambos. Isto se deve
não somente a área da bacia mas principalmente
a quantidade de chuvas, que são superiores
nas cabeceiras dos rios afluentes da margem
esquerda, cujas nascentes estão nas serras;
- A
estação de Correnteza registra as vazões
de uma área de drenagem de apenas 386km2,
o que representa cerca de 18% da bacia do
rio São João. Neste local, a maior vazão
média ocorre em fevereiro (28,4 m3/s)
e a menor em agosto (6,7 m3/s).
A mínima registrada é de 2,32 m3/s
com período de retorno da ordem de 20 anos.
- A
vazão média anual despejada pelos três principais
rios na represa é avaliada pela FEEMA em
29 m3/s.
- Nos
períodos de estiagem, de julho a setembro,
a represa cheia pode liberar 20,5 m3/s
para jusante. No extremo oposto, quando
vazia, a capacidade desce para 9,4 m3/s.
- As
vazões no baixo curso do rio São João são
controladas pela descarga da barragem, que
opera sem nenhuma programação, somada a
contribuição das descargas dos rios Aldeia
Velha, Dourado, Indaiaçu e Lontra e, pela
margem direita, da vala do Consórcio. Multiplicando-se
descarga específica mínima média mensal
de 15,7 l/s/km2 pela área da
bacia, cogita-se que a vazão mínima média
mensal do rio São João na foz, sem descontar
as retiradas, seja em torno de 33 m3/s
nos período de estiagem.
·
A influência
da maré se estende até o trecho do rio São
João em frente ao Morro de São João, influenciado
ainda as valas da Ponte Preta, dos Meros,
do Medeiros, Jacaré, Pedra e o rio Gargoá,
bem como todas as valas menores situadas nesta
região.
·
Com respeito à carga sólida,
observa-se que na década de 1970 os volumes
de sedimentos transportados já eram significativos
devido à erosão lateral dos canais pelas correntes
e a perda de solo da bacia acarretada pelo
desmatamento e uso inadequado do solo. Sandra
Batista da Cunha cita em seu estudo que embora
o rio São João transporte o maior volume de
sedimentos, o rio Capivari é, entre os três,
o que apresenta a pior situação, seguido pelo
rio Bacaxá. Os altos valores encontrados no
São João devem-se ao tamanho da bacia, a topografia
acidentada, a quantidade de chuva e aos desmatamentos.
Mas a devastação das bacias dos rios Capivari
e Bacaxá é bem maior, daí os resultados encontrados.
A título de exemplo, basta ver os laranjais
que ocupam as colinas, plantados em fileiras
ladeira abaixo, ao invés de obedecer as curvas
de nível. Prato feito para a erosão.
Um aspecto hidrológico peculiar que influenciava o regime hidrológico da bacia
era os extensos brejos e a lagoa de Juturnaíba.
Provavelmente, os brejos de montante e a lagoa
amorteciam os picos de escoamento, ou seja,
absorviam os excessos de precipitação, retendo
as águas e controlando as vazões do baixo curso.
Como foram drenados e os rios retificados, é
quase certo que houve uma aceleração do escoamento.
O escoamento do rio na temporada mais chuvosa
era também controlado pelo regime de marés,
que provocava o represamento das águas nas proximidades
da foz. Como a bacia é muito plana no baixo
curso, a planície de inundação ficava submersa
por um bom tempo.
|