Regiões e Bacias Hidrográficas

 

Biodiversidade

A biodiversidade aquática do rio São João, de seus afluentes e da represa de Juturnaíba é muito pouco conhecida, a exceção dos peixes, graças aos estudos de Carlos Bizerril, biólogo da UNIRIO e das algas, devido aos estudos de Vera Lucia de Moraes Huszar do Museu Nacional.

Habitam os rios da bacia cerca de 89 espécies de peixes nativos, sendo 62 exclusivamente da água doce e 27 marinhos que freqüentam o baixo curso. Este valor indica que o rio São João é um ecossistema com alta biodiversidade, pois abriga 32% das 273 espécies de águas interiores fluminenses até aqui registradas. Clique aqui para ver a relação das espécies de peixes.

Dentre os exclusivos de água doce, destaca-se a piabanha e o sairu e, no segundo, a tainha e o robalo. Algumas espécies que vivem no São João foram recém reveladas para a ciência. 

A piabanha é uma espécie que bateu as portas da extinção na bacia, mas que começa a ser salva pelo projeto executado pelo IBAMA e pela Prefeitura de Casemiro de Abreu. Trata-se de um peixe que pode chegar a 80 cm de comprimento total e atingir cerca de 10 kg de peso.  A identidade da piabanha do rio São João e o nome científico permanecem objeto de controvérsias. Será a piabanha do rio São João a mesma que vive nas bacias da lagoa Feia e do rio Paraíba do Sul, ou será que ela é uma espécie separada, exclusiva daquela bacia? Polêmicas a parte, ela deve ser considerada uma espécie sãojoanense, recebendo portanto um tratamento “vip”.     

Migrador por natureza, a piabanha necessita nadar contra a correnteza para que o esforço muscular incite a produção de hormônios, estimulando a fêmea a desovar e o macho a lançar espermatozóides na água, onde ocorre a fecundação. O período reprodutivo é de dezembro a fevereiro, época da cheia do rio. A incubação dos ovos e o crescimento dos filhotes (alevinos), como ocorre na piabanha do rio Paraíba do Sul, são realizados nas lagoas marginais ou em áreas de remanso, onde eles encontram alimento e refúgio. 

Embora detalhes biológicos de sua vida sejam ainda muito pouco conhecidos, ela aparenta ser uma espécie exigente em termos de qualidade de habitat.  Em outras palavras, se o rio torna-se excessivamente barrento, sem matas ciliares, brejos e lagos marginais, a tendência da piabanha é desaparecer.  Ainda que provavelmente tenha sido alvo de pesca predatória, a razão de sua extinção é a degradação ambiental.

Digno de nota é ainda a presença de capivaras, lontras, cágados, jacarés-do-papo-amarelo e aves aquáticas, além de pitus, caramujos, mexilhões de água doce e uma multidão de outros invertebrados.

A flora fluvial também é rica, com variado número de espécies de algas, de ervas aquáticas flutuantes e enraizadas e de árvores e arbustos do que sobrou das matas ribeirinhas, aqui consideradas como um ecossistema semi-aquático.

 


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