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O Atual Rio São João
O
rio São João inicia sua jornada a 800m de
altitude, no município de Cachoeiras de Macacu,
num ramo da serra do Mar conhecida por serra
do Sambê. Seu curso, que antes tinha cerca
de 133km, agora se desenvolve
por cerca de 120 km, indo desaguar
no oceano entre a vila de Barra de São João,
na margem esquerda, e o povoado de Santo Antônio,
que pertence a Cabo Frio, na margem direita.
A diferença de comprimento entre o rio antigo
e o atual se deve a perda de 13 km de leito,
que desde 1984 encontra-se submerso nas águas
da represa.
Seus afluentes
são, pela margem esquerda, os
rios Panelas, São Lourenço, Águas Claras,
dos Pirineus ou Crubixais, Riachão e Bananeira,
o córrego do Espinho, os rios Maratuã, Aldeia
Velha, Indaiaçu, Lontra e Dourado e as valas
da Ponte Grande, dos Meros e do Medeiros.
Pela margem direita, deságuam os rios Gaviões,
do Ouro, os córregos Salto d’Água, Cambucás
e Ramiro, os rios Morto e Camarupi, as valas
do Consórcio, Jacaré e Pedras e por fim o
rio Gargoá.
Os rios da
margem esquerda têm maiores vazões que os
da margem oposta, pelo fato de drenarem as
montanhas, onde as precipitações são superiores
as demais áreas da bacia.
Destacam-se
como principais afluentes os rios Aldeia Velha
(32km), Dourado (19km), Bananeiras (19km),
Pirineus (18,3km), Maratuã (15,7), Indaiaçu
(13km) e Lontra (13km), bem como a vala do
Consórcio (19km).
O
vale do rio São João e de muito de seus afluentes
apresenta amplas superfícies de várzeas, sendo
pequenas as áreas onde fluem encaixados, o
que se dá exclusivamente no alto curso.
O
rio São João pode ser dividido do seguinte
modo:
·
alto São João
- das nascentes, no trecho de montanha, até
ingressar na planície, com 5km;
·
médio São João
– dão ingressar na planície até a represa
de Juturnaíba, com 50km;
·
represa de Juturnaíba,
onde cerca de 13 km de leito estão submersos;
·
baixo São João
- da barragem até a foz, com 65km;
O Alto Curso
O
alto curso do rio São João possui um comprimento
de apenas 5km. As nascentes situam-se
a cerca de 7 km ao sul, em linha reta, da
estrada RJ-126, que une Gaviões a Japuíba
(Cachoeira de Macacu). Na
forma de um filete de água e depois de um
regato, o rio despenca de 800m de altitude
para 200m nos dois quilômetros iniciais. Com
mais 1,8 km já esta a 100 metros de altitude.
No alto curso,
o rio flui com águas límpidas, o canal é sinuoso,
com pequenos remansos e o leito tem muitas
pedras e areia entre elas. As matas protegem
o rio na parte superior e em alguns trechos
medianos.
O
Medio Curso
Ao deixar a área montanhosa
tem início o médio curso, que se prolonga
por mais 50 km até desaguar na represa de
Juturnaíba, desenvolvendo-se em vale espremido
entre as serras ao norte e o planalto ao sul.
Pouco depois de abandonar a montanha, o rio
já esta em altitudes inferiores a 60m. No
trecho inicial do médio curso, o rio tem rumo
nordeste e cruza a RJ-126 poucos antes de
receber o rio Panelas pela margem esquerda.
Apresenta um canal com 4 m de largura, meandrado
e com poucos trechos retilíneos. O leito é
predominantemente arenoso, com poucas pedras.
Não há matas nas margens, apenas pasto. Próximo
à desembocadura do rio Panelas, o São João
ultrapassa a divisa dos municípios de Cachoeira
de Macacu e Silva Jardim.
Daí
em diante segue com curso descrevendo meandros
suaves através da estreita planície até a
confluência com o rio Águas Claras, sendo
atravessado no caminho por uma vicinal que
sai de Gaviões e toma o rumo norte. Sob a
ponte desta estrada o canal tem 9m e águas
barrentas. As margens são altas, erodidas
e tomadas por ervas. Da confluência do rio
Águas Claras para jusante, o vale alarga-se
até a ponte da BR-101. A partir da desembocadura
do rio Águas Claras começam os trechos retificados
do curso médio do rio São João. Há nitidamente
três estirões de canal reto. O primeiro vai
da desembocadura daquele rio até a do rio
Pirineus. O segundo prolonga-se daquela ponto
até o encontro com o Riachão, enquanto o terceiro
termina na confluência com o rio Cambucás,
pouco a jusante da BR-101.
O
leito retificado tem largura média de 5 -6
m, é raso e com seção retangular, possui água
barrenta e as barrancas são altas, íngremes,
com nítidos sinais de erosão lateral. As margens
encontram-se sem qualquer mata protetora.
Este é o estirão que foi atacado pela extração
de areia, que acabou acentuando os danos causados
no leito pelas obras de retificação. Observam-se
crateras laterais ao rio provocadas pela escavação
irregular para retirada de areia, temporariamente
embargada pelo IEF e IBAMA.
A
partir do encontro com o Cambucás, o São João
segue em linha reta até a confluência com
o rio Maratuã, que também teve seu baixo curso
retificado. Após o Maratuã, o rio faz um pequeno
giro, atravessa a estrada de ferro e pouco
depois despeja sua águas na parte norte da
represa de Juturnaíba.
Debaixo
das águas da represa, ficaram submersos cerca
de 13 km do leito do rio São João. O volume
de sedimentos transportados pelo rio tem promovido
o assoreamento do braço da represa onde ele
desemboca, criando um tipo de delta. Nota-se
em todo o médio curso que após as obras de
retificação, o rio prosseguiu alargando seu
canal as custas da erosão das barrancas, tornando-se
muito raso. As florestas ribeirinhas que ocupavam
as planícies aluviais foram quase que integralmente
suprimidas.
O Baixo Curso
A
jusante da barragem de Juturnaíba tem inicio
o baixo curso do rio São João, cujo leito
natural se estende por 65km até a foz. Todavia,
com os canais artificiais construídos pelo
DNOS, as águas agora percorrem 38,5 km, sendo
25km em canal reto e 13,5 no leito natural,
entre o Morro de São João e a foz.
As
vazões no trecho são controladas em grande
parte pelas descargas do vertedouro da barragem
de Juturnaíba, acrescido dos deságües dos
rios Aldeia Velha, Indaiaçu, Lontra e Dourado,
cujas nascentes estão em serras com elevada
precipitação. Os afluentes
da margem direita nascem nas colinas com pequena
altitude em Araruama e Cabo Frio, em zona
onde a precipitação é bem menor. Por
esta razão, seus caudais pouco contribuem
com o volume de água escoado, a exceção da
vala do Consórcio.
Ao pé da barragem, presencia-se
uma situação inusitada. Para escoar as águas
liberadas pelo vertedouro e atuar como coletor
principal de todas as valas e drenos da baixada,
o DNOS rasgou na planície um canal reto com
24,5 km, que se desenvolve entre a barragem
e um meandro do rio situado em frente ao morro
de São João. O dreno artificial, que será
chamado daqui por diante como “canal do DNOS”,
é capaz de escoar um volume de 730 m3/s,
atingindo, no trecho final, a capacidade de
820 m3/s. Como conseqüência, o
curso do rio São João que parte da extremidade
oposta da barragem, a 2,6 km ao sul do canal
do DNOS, foi abandonado como via principal
de escoamento, ficando a mingua no segmento
inicial.
O canal do DNOS é composto por três segmentos retilíneos. O
primeiro e mais curto, sai em frente ao vertedouro
e alonga-se por 2 km no sentido leste. O subseqüente
parte do fim do primeiro e prolonga-se por
7 km na direção nordeste, recebendo na extremidade
final uma vala que coleta as águas dos rios
Aldeia Velha e Indaiaçu. Ambos constituem
o limite sul da Reserva Biológica de Poço
das Antas.
O último segmento, um retão de 15,5 km, segue no rumo leste
e termina no leito natural do rio São João
junto ao pé do Morro de São João, na localidade
de Porto do Morro, onde terminam os efeitos
da maré. Coleta no trajeto os leitos retificados
dos afluentes e dezenas de valas construídas
pelos fazendeiros.
Ao longo do caminho, o “retão” decepa os meandros do rio São
João em vários momentos, criando pelo menos
três grandes ilhas, duas ao norte do canal
e uma ao sul. A primeira, que pode ser chamada
de ilha Porto Pacheco, situa-se entre a antiga
foz do rio Indaiassu e o deságüe do rio Morto.
A segunda, aqui denominada como ilha do rio
Preto, fica localizada em frente à desembocadura
do rio Lontra. Ambas pertencem a Cabo Frio.
A terceira e maior vai da foz do rio Camarupi
até a localidade de Porto do Morro e pertence
a Casemiro de Abreu.
Enquanto isso, anêmico a partir da barragem, o curso natural do rio São João
segue sinuoso com sentido geral nordeste até
a confluência com o rio Aldeia Velha, constituindo
o limite entre os municípios de Silva Jardim
e Araruama. É atravessado na extremidade pelo
segundo segmento do canal do DNOS pouco antes
do citado encontro fluvial. Neste trecho,
recebe pela margem direita o córrego do Ramiro
e algumas valas pequenas que evitam que fique
seco, além da alimentação hídrica subterrânea.
Em frente à localidade de Porto Sobara, o
rio tem cerca de 15 a 40 m de largura e um
baixo nível de água, evidenciado as conseqüências
da perda hídrica. As águas são barrentas e
as margens tem árvores esparsas. Em alguns
pontos aparenta estar bastante assoreado.
Após
a confluência do rio Aldeia Velha, o São João
aumenta o tamanho de seus meandros, gira para
assumir o rumo geral leste e segue serpenteando
pela baixada até a foz, fazendo o limite entre
os municípios de Casemiro e Cabo Frio. O leito
natural funciona como um conduto auxiliar
de drenagem da baixada, posto que foi sobrepujado
pelo canal do DNOS. Logo no início, o rio
é atravessado pelo canal do DNOS próximo a
desembocadura da vala do rio Aldeia Velha.
Rio abaixo recebe pela margem esquerda a antiga
vala de escoamento do rio Indaiaçu, pouco
a montante da localidade de Porto Pacheco.
Após esta, chegam no São João os rios Morto
e Lontra, o canal do Amir, os rios Preto e
Camarupi, as valas do Consorcio e Jacaré e
o rio Dourado.
Em
linhas gerais, entre a foz do Aldeia Velha
e o morro do São João, o rio São João tem
margens
planas com remanescentes de brejos e matas
ribeirinhas, correndo as águas com baixíssima
velocidade. O leito é arenoso e as águas relativamente
limpas.
Abaixo
você pode ver a foto de satélite que mostra um panorama
da parte leste da baixada, destacando-se o
morro de São João, o canal do DNOS e o leito
natural do rio, com a presença de brejos e
matas, as dezenas de valas menores construídas
pelos fazendeiros e a ocupação urbana no litoral.
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Fonte:
EMBRAPA
|
|
Seguindo
adiante, o rio faz uma curva passando rente
ao sopé do Morro de São João e, pouco depois,
recebe o deságüe final do canal do DNOS pela
margem direita. Daí até a o oceano são mais
13,5 km e oito curvas em zigue-zague, agora
sob influência da maré e com manguezais ocupando
trechos de ambas as margens. Passa a receber
pela margem esquerda, as valas da Ponte Preta,
dos Meros e do Medeiros e pela margem oposta,
a vala da Pedra, que antigamente ligava-o
com os brejos da bacia do rio Una, e por fim
o rio Gargoá.
A Foz
Como
bem notou A. Soffiati, no seu curso final
o rio São João teve sua foz empurrada para
o sul por uma ponta de restinga, onde hoje
se assenta a cidade de Barra de São João.
O rio beira esta cidade por mais de 1km e
na margem oposta, a localidade de Santo Antônio.
Diversas casas, muitas delas sem pertencer
a pescadores, foram construídas sobre os terrenos
públicos das margens após desmatamento do
manguezal.
Na
foz estão duas pontes, a da RJ-106 e uma construída
em 1942, que desabou dezoito anos depois sem
que jamais tenha passado sobre ela qualquer
trem. Esta ponte foi implantada pelo Governo
Federal para que a Estrada de Ferro Maricá
partisse de Cabo Frio, que era a última estação,
de encontro a Estrada de Ferro Leopoldina.
Mas o projeto foi abandonado.
Terminando sua jornada, o São
João lança-se no oceano através de uma barra
com cerca de 150 m de largura, guarnecida
por um morrote na margem esquerda. Releva
mencionar que o DNOS construiu também uma
vala, hoje assoreada, ligando os brejos das
baixadas dos rios São João e Una. Trata-se
da vala do Marimbondo, que se unia à vala
da Pedra.
O quadro a seguir resume as
principais características dos afluentes do
Rio São João.
|
Curso
de Água
|
Comprimento
(Km)
|
Município
(s) Abrangido (s) pela Bacia
|
Área
da Bacia (Km2)
|
|
Afluentes
da Margem Esquerda do Rio SJ
|
Rio
Panelas
|
6,5
|
CM
|
-
|
|
Rio
São Lourenço
|
5,6
|
SJ
|
-
|
|
Rio
Águas Claras
|
10,3
|
SJ
|
37,6
|
|
Rio
dos Pirineus ou Crubixais
|
18,3
|
SJ
|
86,4
|
|
Riachão
|
6,6
|
SJ
|
-
|
|
Rio
Bananeira
|
19,8
|
SJ
|
77,3
|
|
Córrego
do Espinho
|
7,4
|
SJ
|
-
|
|
Rio
Maratuã
|
15,7
|
SJ
|
50,3
|
|
Rio
Aldeia Velha
|
32
|
SJ/CA
|
143,8
|
|
Rio
Indaiaçu
|
13,0
|
CA
|
54,2
|
|
Rio
Lontra
|
13,0
|
CA
|
53,1
|
|
Rio
Dourado
|
19,0
|
CA
|
118,0
|
|
Vala
da Ponte Grande
|
7,0
|
CA
|
-
|
|
Vala
dos Meros
|
3,7
|
CA
|
-
|
|
Vala
dos Medeiros-Palmital
|
7,0
|
CA/RO
|
-
|
|
Afluentes
da Margem Direita do Rio SJ
|
Rio
Gaviões
|
7,6
|
SJ
|
-
|
|
Rio
do Ouro
|
11,2
|
SJ
|
24,7
|
|
Córrego
Salto D’Agua
|
12,6
|
SJ
|
28,5
|
|
Córrego
Cambucás
|
7,8
|
SJ
|
-
|
|
Córrego
do Ramiro
|
10,0
|
AR
|
-
|
|
Rio
Morto
|
12,0
|
AR
|
-
|
|
Rio
Camarupi
|
4,0
|
AR/CF
|
-
|
|
Vala
do Consórcio
|
19,0
|
AR/SP/CF
|
73,2
|
|
Vala
do Jacaré
|
11,0
|
AR/SP/CF
|
-
|
|
Vala
da Pedra
|
8,0
|
CF
|
-
|
|
Rio
Gargoá
|
12,7
|
CF
|
-
|
|
Afluentes
do Rio Bacaxá
|
Rio
Vermelho
|
10,3
|
RB
|
-
|
|
Rio
Catimbau Grande
|
11,0
|
RB
|
-
|
|
Rio
Boa Esperança
|
13,2
|
RB
|
75,1
|
|
Córrego
da Moenda
|
6,1
|
RB
|
-
|
|
Vala
do Engenho
|
6,9
|
AR
|
-
|
|
Rio
Jaguaripe
|
12,4
|
RB/AR
|
44,9
|
|
Rio
Piripiri
|
21,2
|
AR
|
83,7
|
|
Rio
da Onça
|
10,3
|
AR
|
45,2
|
|
Afluentes
do Rio Capivari
|
Rio
Imbaú
|
8,1
|
SJ
|
-
|
|
Rio
Terezinha
|
5,9
|
SJ
|
-
|
|
Córrego
da Vaca Caída
|
2,6
|
SJ
|
-
|
|
Córrego
do Valão
|
7,0
|
SJ
|
-
|
|
Valão
da Caixa
|
7,3
|
SJ
|
-
|
|
Rio
do Ouro
|
14,4
|
SJ
|
28,1
|
Fonte: CILSJ e Cunha
(1995)
|
Município
|
CM
– Cachoeiras de Macacu, RB – Rio Bonito,
CA - Casimiro de Abreu, AR - Araruama,
SP - São Pedro da Aldeia, CF - Cabo
Frio e RO - Rio das Ostras, SJ - Silva
Jardim
|
|