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O Antigo Rio São João
O rio São
João é um dos principais cursos de água do
Estado do Rio de Janeiro e seu nome é devido
à Igreja de São João, localizada em sua
barra.
Ao
longo dos séculos, o rio São João mereceu
pouca atenção dos viajantes e cronistas.
Aristides Soffiati cita que a melhor descrição
do rio, antes do século XX, foi feita em 1817
por Manuel Aires de Casal. De acordo com Aires
de Casal, o rio São João....”que
principia na falda do Morro dos Canudos com o
nome de rio Águas Claras, mais caudaloso, e
navegável por maior espaço que o Macaé,
corre como ele por entre matas, e montes, e
desemboca sete léguas ao sudoeste do mesmo,
banhando a falda meridional da montanha do seu
nome (...) O Rio das Curubichas, e o do
Bananal engrossam-no pela esquerda. O Bacaxá,
que principia na Serra de Sant’Ana, com o
nome de Rio do Ouro, une-se-lhe na margem
direita por duas bocas, havendo formado pouco
acima um grande lago, onde deságua o
Capivari, que vem da mesma serra por entre
eles. Abaixo desta confluência, que fica
pouco mais de três léguas em linha reta
longe do mar, desemboca o rio Ipuca, que
principia perto do Macaé, e forma uma
considerável ilha; depois o Rio da Lontra, e
ultimamente o Doirado, junto do qual há um
jequitibá, cujo tronco tem cinqüenta e seis
palmos de circunferência. Todos três são
navegáveis e se lhe incorporam pelo lado
setentrional.”
Soffiati
comenta ainda que “um viajante inglês
.............navegou (no rio São João), da
foz até o rio Dourado, um de seus afluentes,
por onde entrou à procura de uma propriedade
para adquirir. Trata-se de John Luccock.
Na foz, ele percebeu..............
tratar-se a elevação rochosa ali existente
de antiga ilha ligada ao continente por uma língua
arenosa, no que se denomina tômbolo.
Salientou a dificuldade de vadear a barra com
embarcações. De canoa, ele e seu grupo
empreenderam uma excursão rio acima,
informando sobre sua nascente, que se situa
nas montanhas de Canudos, aos pés das quais
existiria um belo lago com sete milhas de
comprimento e três de largura. Com toda
certeza, alude a lagoa de Juturnaíba. Dela até
a foz, o rio corre em extraordinários
meandros por uma dilatada planície, o que o
tornava navegável da desembocadura ao lago
num curso de quarenta milhas. Descontadas as
sinuosidades, contudo, supunha o viajante que
esta distância não distaria mais de vinte
milhas do mar”.
Em
1932, o engenheiro Francisco Saturnino Braga,
fez publicar o “Relatório de
Reconhecimento do Rio São João”,
descrevendo suas impressões sobre este rio e
seus afluentes para o Instituto Federal
de Portos, Costas e Vias Navegáveis - IPC, órgão
vinculado ao Ministério da Viação e Obras Públicas.
Dois anos depois, em 1934, o Engenheiro
Hildebrando de Araújo Góes, chefe da Comissão
de Saneamento da Baixada Fluminense publicou o
relatório “Saneamento da Baixada
Fluminense”, contendo informações
sobre o rio São João. Vários mapas antigos
retratam a bacia do rio São João, mas o que
possui melhor precisão cartográfica é a Planta
n° 6, que consta no volume anexo ao dito
relatório.
Alberto
Lamego, no livro o Homem e a Restinga
publicado em 1946, citou que as baixadas dos
rios Una, São João e das Ostras apresentavam
imensas planícies embrejadas. Os pântanos do
Una, com os nomes de Ramalho, Pai Alexandre e
Trimutim, iam além de vinte quilômetros da
costa e ligavam ao rio São João pela vala da
Foz de Pedra (atual vala da Pedra e seu
prolongamento, a vala do Marimbondo) hoje totalmente inoperante. Nas
palavras de Lamego, “por várias dezenas de quilômetros do seu curso, da foz para montante,
é ele [o
rio São João]
marginado de brejais imensuráveis. Morros
como o São João, o da Ipuca e o da Sobara,
semelham de longe ilhas na paisagem deprimida.
O grande pântano do Alvarenga com duas léguas
de extensão e três de largo, forçou o traçado
o traçado da Estrada Leopoldina a um longo
arco entre Casemiro de Abreu e Poço da Anta,
e ainda por numerosos quilômetros prolonga-se
pelo pântano da Pelonha marginalmente ao
Maratuã ......
Quem atravessa essa erma zona por
estrada de ferro, o que guarda apenas na memória
são montanhas negras de florestas ou
capoeiras e incomensuráveis tremedais”.
Antes
das obras de construção da barragem de
Juturnaíba e de drenagem, executadas pelo
Departamento Nacional de Obras e Saneamento
– DNOS, o rio São João tinha um curso contínuo
e sinuoso com cerca de 133 km. A cerca de 63
km da nascente, recebia pela margem direita o
canal Revólver ou Sangradouro, que servia de
escoadouro da lagoa de Juturnaíba.
Depois
de receber o referido canal, o rio São João
seguia serpenteando por mais 70 km até
desembocar no Oceano. Nesta região,
correspondente ao curso inferior do rio, o
canal percorria uma extensa baixada onde
brejos ocupavam extensões consideráveis,
chegando a alcançar mais de 140 km2,
ao lado de matas ribeirinhas tanto em áreas
secas quanto inundadas. O rio era navegável
por pequenas embarcações até o porto de Três
Morros, perto de 50km acima da foz. Com a
inauguração da ferrovia em 1888, o rio
perdeu a função de importante via de
transporte.
Clique
aqui
para ver o mapa que mostra a bacia do rio São
João em 1956, quando ainda guardava muitas de
suas características naturais.
Adiante,
transcreve-se as páginas do relatório
“Saneamento da Baixada Fluminense” onde são
descritos os ecossistemas aquáticos da bacia
do rio São João situados entre o canal do
Revólver e a foz, nos anos de 1930.
Rio São João
Nasce nas serra de São João e Santana, atravessando no seu percurso,
que é de 150 km, parte dos municípios de
Capivari, Cabo Frio e Araruama. Corre pelo
município de Barra de São João, banhando,
próximo a foz, na margem esquerda, a cidade
deste nome. É navegável até a lagoa de
Juturnaíba. A bacia hidrografica dos rios S. João, Capivarí
e Bacaxá, é avaIiada em 2.170 quilometros
quadrados. Sua descarga, medida em uma grande
cheia, acusou 311 m3/seg, enquanto, durante
uma estiagem prolongada, desceu a 45 m3/seg. A
partir de sua confluencia com o canal
Sangradouro, que o liga á Lagôa de Juturnaíba,
o S. João inflete ligeiramente, para
a.esquerda, até ao ponto em que se divide em
dois braços. Neste trecho, que se desenvolve
com a extensão aproximada de 1.700 metros e a
largura de 40 m., a velocidade -superficial,
si bem que apreciavel, é ainda assim,
inferior á que o rio tinha antes de sua
confluencia com o Sangradouro. Em sua margem
esquerda, notam-se extensos pantanais,
enquanto que na direita, que é elevado, o rio
se aproxima de morros, revestidos de matas. Três
quilometros a jusante da Lagôa de Juturnaíba,
o S. João, que se divide em dois braços,
forma uma ilha, coberta de capoeirão e de
brejos . Após a confluencia desses dois braços,
segue o rio, em curvas pronunciadas, até ao
Porto de Sobára, tendo, neste trecho, cerca
de 3 .500 metros e a largura de 40 m. ,
aproximadamente . Entre Sobára e o morro da
Lagoinha, numa extensão de 5,700 quilometros,
o rio, que é mais sinuoso, conserva a largura
média de 40 metros, desenvolvendo-se na direção
geral 60° NE
Até Porto Pacheco, o S. João tem o comprimento de oito mil e quinhentos
metros e uma largura média de 40 o 50 m.
Neste trecho, o rio abandona os terrenos
elevados da margem direita para seguir os da
margem esquerda, divagando, nesta passagem,
entre vastos alagadiços. A vegetação
predominante é a tabúa, vendo-se entretanto
elevações cobertas de mato. Entre Porto
Pacheco e Três Morros, nuam extenção de
5.800 metros, com largura de 50 a 60 metros, o
rio São João continúa seu curso sinuoso,
entre brejos, apresentando, porém, ao
aproximar-se de Tr6es Morros, vegetações
mais densas. Neste local, onde termina a influência
da maré, o rio mede cerca de 80 metros de
largura, estando, em grande parte, obstruído
por vegetações aquáticas. De Três Morros
até Morro Grande numa extensão de 17,5 km, o
rio que tem a largura media de 80 metros,, é
bastante sinuoso, sem contudo, apresentar
fortes curvaturas, notando-se, á margem
direita, terrenos baixos de capoeirões. De
morro Grande até á foz, tem o S. João,
cerca de 8.600m de extensão e a largura média
de 80 metros, apresentando-se mais sinuoso.
Nesse trecho, predomina o capoeirão, até as
proximidades da embocadura, onde se
desenvolve, então, na margem direita, o
mangue. No lado oposto esta a cidade de Barra
de São João.
São afluentes do rio São João pela margem esquerda
Rio Aldeia-Velha.-
O Aldeia-Velha e o Capoeira reúnem-se antes
de atravessar a E.F. Leopoldina, tomando, daí
em diante, o nome de rio Aldeia. Este rio,
proximo á foz, abandonou seu antigo curso,
inundando a região compreendida entre ele e o
Indoiassu. O pântano, no qual o Aldeia-Velha
e o Indaiassú lançam suas águas, estende-se
das imediações da estação de Indaiassú até
Juturnaíba, tendo cerca de duas braças de
profundidade em todos sentidos. No meio deste
brejal, chamado "Alvarenga",
elevam-se alguns morros em meia laranja.
Rio, Indaiassú - A
partir da confluência com o Aldeia Velha,
recebe o São João um pouco mais adiante,
pela margem direita, o rio Morto, mais além,
pela esquerda, percebemos uma entrada dagua
que mais nos parece um furo, si bem que se
possa tratar de um pequeno afluente. De acôrdo
com o mapa do Estado do Rio, organizado por
ocasião da presidencia Raul Veiga, era de
esperar que se tratasse do Indaiassú, porém
não tivemos esta impressão. Confirmando tal
ponto de vista, moradores da região,
inclusive o Sr. Pedro Costa, hoje coletôr
federal de Santana de Japuíba, que passou nas
imediações do rio S. João, afirmam que o
Indaiassú se une ao Aldeia Velha, antes de
lançar-se no S. João. Esta versão nos
pareceu mais verdadeira, pois não vimos nada
que pudesse ser razoavelmente atribuido á
confluencia do São João com Indaiassú.
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Croqui do baixo curso dos rios da
Aldeia e Indayassu
Fonte:
Góes, 1934
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O rio Indaiassú nasce na serra do Berta, correndo, bastante sinuoso, até
á Barra de Eva, em capoeirão, na extensão
de 8 Km. com a largura média de 8m. Recebe o
Indaiassú, nesse trecho, pela margem
esquerda, o corrego Catarina, e, pela margem
direita, os riachos do Engenho e do Tambú. Até
ao brejal do Alvarenga, o rio corre, com fundo
arenoso, em vargem alta, onde predominam o guanandí e a tabibuia,
estando seu leito obstruido de balsêdos.
Antes de chegar áquele pantano, o Indaiassú
trifurca-se, reunindo, porém, seus braços
pouco adiante. Nesse trecho, que tem 4 Km. de
comprimento, a largura do rio é de 5m. Em
seguida, o Indaiassú, numa extensão
apropriada de 5 Km., atravessa, com margens
margens mal delimitados, extenso pantanal. Por
fim, depois de receber o Aldeia-Velha, lança-se,
com mais 1,5 Km. de curso, no rio S. João,
com a denominação de Ipiaba.
Rio Lontra -
Este pequena afluente, que nasce também na
serra da Berta, desemboca no S. João, após
um curso de 20 Km., nas proximidades do Porto
de Três Morros. Tem barrancos bem definidos,
intensa vegetação nas margens, pouco
profundidade e fundo arenoso, estando com o álveo,
ao longo dos oito primeiros quilômetros,
completamente obstruido
Rio Dourado -
Até dez quilometros a partir da fóz, o
Dourado corre entre margens altas. Para
montante, devido á obstrução do alveo, o
rio abandonou o antigo curso, formando um
verdadeiro emaranhado de riachos e valões.
Entre o aterrado do Constantina e a ponte
Preta, na extensão de sete quilometros, o
Dourado é estreito, correndo entre margens de
copoeirão. Daí para montante, ó rio
bifurca-se: um braço segue na direção N E
E, o outro inflete-se para a direita, passando
na estação de Rio Dourado, São
seus tributarios, pela margem direita, o
Rosalina, o riacho das Outros e o Aleixo, que
cortam o leito da E. F. Leopoldina. O Dourado
lança-se no rio principal proximo ao porto do
Morro Grande.
São afluentes do S. João pela margem direita:
Riacho Gavião -
Nasce nas serras Lavras e Imbaribas.
Sangradouro -
É mais um canal natural, ligando a Lagôa de
Juturnaíba ao S. João, tendo a extensão de
1.200 metros e a largura média de 60 metros.
Encontra-se parcialmente obstruido, pelas
vegetações aquaticas, sendo, por isso, a
velocidade do corrente pequena. Em sua margem
direita, os brejos limitam-se, a certa
distancia, pelos terrenos elevados, enquanto
que, na esquerda, só existem pantanais. As
sondagens ao longo deste sangradouro, durante
a estiagem, acusaram a profundidade média de
2m,50.
Rio Morto - Nasce
nas vertentes da Serra da Bôa Esperança, lançando-se,
no rio principal, perto da confluencia deste
com o Aldeia Velha.
Rio Preto -
Este ribeirão desemboca, depois de pequeno
percurso, no S. João.
Rio Camarupi -
O Camarupí, que é um rio de declividade
muita fraca, corre entre os pantanos do Araçá
e Sapucaia Nova. O S. João, ao receber o
Camarupí, no local denominado "Poço",
inflexiona-se, fortemente, para a esquerda.
Riacho Guarulhos -
Escôa as aguas da Fazenda dos Guarulhos.
Riacho Taquarussú
– Desseca as terras da Fazenda São José.
Rio Gargoá
– Origina-se no pantano Boa Vista surgindo
no local conhecido por Boca do Rio. Dái até
Sambambaia, numa distância aproximada de 12
km, esta completamente obstruído por troncos
caídos no álveo. Para jusante, o rio corre,
até a foz, ao longo de 9km, com a largura média
de 12
Lagoa de Juturnaíba - Formada
pelos rios Capivari e Bacaxá, tem cerca de 5
km em sua maior extensão e 2,5m na menor.
Suas profundidades oscilam entre 1 e 5 metros,
atingindo a variação máxima de nível,
entre a maior cheia e a estiagem mais intensa,
cerca de 3,9m. As margens sul e leste da lagoa
estão cobertas de vegetação aquática,
constituída por tabúas e aguapés.
Rio Capivari
– Nascendo na Serra das Lavras,
desenvolve-se com cerca de 15 km de extensão
e 10m de largura, desde sua foz na lagoa de
Juturnaíba até a Estação de Capivari. Ao
longo dos três primeiros quilômetros, corre,
com margens definidas no imenso brejal que
circunda aquela lagoa, tendo, na foz, em época
de estiagem, um metro de profundidade. Para
montante o rio atravessa, em geral, capoeiras
altas
Rio
Bacaxá - Nasce também, na Serra das Lavras. É tributário da
Lagoa de Juturnaíba, onde se lança depois de
receber, como afluentes, o São Domingos e o
Catimbáu. Está com a foz inteiramente obstruída
de aguapé, impedindo a entrada de qualquer
embarcação.
As
inundações permanentes a que estavam
sujeitas as baixadas litorâneas fluminenses
foram avaliadas por Hildebrando de Góes e
seus colegas em 1934.
Ele apontou quatro causas: constituição
geológica, configuração topográfica e
chuvas. Vale a pena reproduzir a análise, que
se aplica à baixada do rio São João e
retrata a visão de engenharia da época.
“Constituição
geológica -
A maior ou menor impermeabilidade dos terrenos
inflúe, consideravelmente, sobre as cheias
dos cursos dagua. Em regiões de rochas impérvias,
despidas de florestas, as enchentes são violentas e repentinas, emquanto
que terrenos facilmente permeáveis, cobertos
de vegetação, funcionam como reservatórios
reguladores, que acumulam as grandes precipitações
atmosféricas, para, depois, alimentar,
lentamente, os rios. Entretanto, uma zona de
terrenos permeáveis, depois de saturada por
chuvas, prolongadas, comporta-se como um
terreno impermeável. Na Baixada Fluminense,
encontra-se, em geral, uma camada superficial
de argila quaternária impermeável. Quando o
relevo do sólo forma depressões, as águas
nelas se acumulam, originando lagôas e brejos
permanentes. Esta camada diminúi bastante a
infiltração, de modo que a maior parte das
aguas pluviais, que cáem nas bacias
hidrograficas, correm pela superfície,
agravando as cheias. Junte-se a esta
circunstancia o grande número de picos e
morros desnudos da Serra do Mar, onde os rios
da Baixada teem suas cabeceiras, e coligir-se-á
a influencia decisiva que tem a natureza
geologica dos terrenos sobre as enchentes dos
cursos dagua, que sulcam a planicie fluminense”.
“Configuração topográfica
-Outro
fator, que inflúe fortemente na intensidade
de uma enchente, é a inclinação dos
terrenos. Dela,
depende a velocidade com que as aguas correm.
Dela, resulta, portanto, o tempo que levam
para chegar a um determinado ponto. Maurice
Pardé, realçando a influencia que as
altitudes têm sobre o clima e as chuvas, acha
que o relêvo é o principal fator no regime
dos rios.
A topografia da
Baixada revela condições muito favoraveis ao
transbordamento dos rios. Em seus confins, uma
cordilheira ingreme levanta-se, quasi
verticalmente. Segue-se-lhe uma grande planície.....Examinando,
sómente, a topografia, temos uma região de
grande declividade, onde as aguas correm com
extraordinaria rapidez, seguida de uma outra,
em que a velocidade cái bruscamente, em
virtude da grande diminuição da declividade.
Daí, resulta a inundação das várzeas”.
“Chuvas - As precipitações atmosféricas são mais
intensas nas terras altas que nas planicies. A
ascenção, que as nuvens são forçadas a
fazer de encontro á Serra do Mar, determina
grandes precipitações que vêm concorrer
para a inundação das planícies”.
A insuficiencia das secções de vazão dos rios
- Os rios da baixada têm, em sua maioria, secção
transversal insuficiente para escoar os
grandes volumes de água, por ocasião das
fortes chuvas. Esta insuficiência agrava-se,
ainda, com as obstruções existentes em seus
cursos: vegetação aquática, troncos de árvore,
currais de peixes, bancos de areia, etc. Esta
obstruções modificam, consideravelmente, o
escoamento das águas.......Além de sua
insuficiência de secção, notam-se mais,
numerosos e longos meandros que diminuem a
declividade, e, portanto, a velocidade da
corrente, e, em consequencia, o valor da
descarga.
No capítulo em que se dedica a analisar soluções
para eliminar as cheias, Hildebrando de Góes
faz algumas apreciações curiosas, contrária
ao que efetivamente recomendou para a drenagem
das baixadas. Cita ele que “os lagos e
lagôas, existentes ao longo de um rio, são
ótimos moderadores de sua descarga. Os
exemplos, neste sentido, são classicos. O
lago de Genebra para o Rodano, o lago de
Constança para a Rena, os lagos da alta
Italia para o Pó, e, sobretudo, os grandes
lagos da America do Norte paro a S. Lourenço,
são grandes aparelhos moderadores das cheias
produzidas pela escoamento rapido das aguas
naqueles cursos fluviais. O notavel engenheiro
francez Saint Venant, aconselhava, mesmo, o
manutenção dos brejos e banhados, devido ao
efeito regulador que teem sobre o descarga dos
cursos dagua, que os atravessam. O
reflorestamento das cabeceiras dos rios é
aconselhado, pela maioria dos autores, como
uma bôa medida, conquanto, por si só, não póssa
resolver o problema das inundações.
Realmente, depois que um sólo está saturado
dagua, após chuvas prolongadas, o efeito das
matas, é praticamente nulo, quando ocorre um
grande aguaceiro. Os americanos, que
executaram observações interessantes sobre a
ação das florestas, concluiram que o seu
efeito em relação ás cheias, não é tão
intenso quanto se julgava, a menos que se
verifique uma grande chuva, durante um periodo
sêco. Não obstante, o Governo deve impedir o
devastamento de nossas matas, decretando as
devidas medidas acauteladoras. O poder
retentor das matas, relativamente ás
precipitações atmosféricas, que cáem em
uma área, por elas protegida, é
indiscutivel. Qualquer trabalho para o
conservação ou restabelecimento da vegetação
na bacia de um curso dagua sería de efeitos
beneficos e compensadores. As florestas
retardam o escoamento superficial das aguas,
que é uma das causas das inundações. Além
disso, como disse Saurell, um dos melhores
recursos contra as erosões intensas de uma
corrente é a vegetação”.
Examinando-se as descrições antigas, releva destacar os seguintes
aspectos:
-
Aires de Casal
e Hildebrando de Góes consideravam o rio
Águas Claras como o formador do rio São
João;
-
O
rio Aldeia Velha era ao que tudo indica um
afluente do rio Indaiassu. A vala do Consórcio
é o antigo riacho Guarulhos enquanto que a
vala do Jacaré tinha o nome de riacho
Taquaruçu;
-
Na baixada do rio São
João os fatores responsáveis pelo permanente
alagamento eram a pequena declividade do
terreno aliada as chuvas e a camada impermeável
de tabatinga no subsolo;
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