Regiões e Bacias Hidrográficas

 

O rio das Ostras

   

 

Clique nos ítens abaixo para conhecer detalhes do rio das Ostras.

 

   

 

 

O Antigo Rio das Ostras

 

O rio das Ostras era conhecido antigamente como rio Leripe ou Seripe, devido à grande presença de ostras. Em 1934, o relatório da Comissão de Saneamento da Baixada Fluminense assim descreveu-o:

 

 

“o Rio das Ostras é formado pelo rio Iriri e Jundiá, que nascem nas serra do Iriri e Berta, correndo seus últimos quilômetros no brejo do Saco Grande e do Poço do Boi, onde se origina o rio das Ostras. No Saco Grande, lança-se também, o rio Maurício, que passa próximo a estrada de rodagem de Rio Dourados à Barra de São João. No Saco Grande, lança-se também, o rio Maurício, que passa próximo á estrada de rodagem de Rio Dourado á Barra de São João. Os formadores do rio das Ostras tem, aproximadamente, uns 12 kms de curso, sendo mais caudaloso o Jundiá, que mede 8 a 10 ms de largura. O Iriri  e o Maurício, com largura média de 5 ms, acham-se em parte obstruídos. Do poço do Boi para jusante, o rio das Ostras desenvolve-se, ainda, por 17 kms, com uma largura média de 15 m, desembocando no Oceano, pouco ao norte de barra de São João. 

 

 

Com efeito, observando-se os mapas do IBGE elaborados a partir de fotografias aéreas da década de 1960, é possível notar que na parte central da bacia do rio das Ostras havia dois grandes alagadiços. A oeste, no vale do rio Iriri estava o brejo Saco Grande, com 6 km de comprimento e largura variável entre 3,9 e 1km. A leste, no vale do Jundiá, o brejo Poço de Boi, este com 6,6 km de extensão e largura entre 3 e 1km. 

 

Eles se uniam há poucas centenas de metros ao norte do povoado de Corujas. Neste local originava-se o rio das Ostras. Tanto o Iriri quanto o Jundiá desciam das serras onde nasciam, corriam poucos quilômetros na baixada e logo ingressavam nos brejos. Nos alagadiços as águas espraiavam-se e os canais sumiam. Somente na parte sul dos brejos os canais reapareciam, já próximos ao local da confluência. Em 1960, parte dos canais de ambos os rios já estavam retificados. O rio das Ostras prosseguia então sua jornada em direção ao mar com largura média de 15m. De início tinha curso definido, percorrendo pastagens. Pouco depois atravessava o brejo Palmital e logo a seguir outra área alagadiça - os extensos manguezais. Após passar pelos mangues, lançava-se no oceano. As águas marinhas penetravam em seu leito até 6 km da foz.

 

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O Atual Rio das Ostras

 

Para alguns, o rio das Ostras passa a existir somente após a junção dos rios Iriri e Jundiá, enquanto que para outros o rio Jundiá deve ser considerado como seu formador, perfazendo um curso único Jundiá - das Ostras. Optou-se por adotar o primeiro ponto de vista. Assim, o rio das Ostras nasce da junção dos rios Iriri e Jundiá, que acontece há pouco mais de 1km ao norte da localidade de Corujas. O Iriri drena a parte oeste da bacia e o Jundiá a porção leste.

 

As cabeceiras do rio Jundiá estão entre as serras do Pote e Careta, em altitudes de cerca de 250m, há pouco mais de 2 km a oeste do povoado de Cantagalo. O local das nascentes tem poucas matas, estando as serras muito devastadas.    

 

O rio Jundiá possui 16,5 km de comprimento e desce a serra correndo inicialmente na direção oeste-leste, apresentando águas límpidas e leitos pedregoso. Com pouco mais de 4m de largura, cruza a estrada que une os povoados de Cantagalo e Iriri, margeia o povoado de Cantagalo e logo a seguir faz uma curva suave de 90, assumindo o rumo sul. No final da curva recebe pela margem esquerda dois córregos que coletam as águas da parte superior da bacia, na porção situada ao sul e sudeste do povoado de Califórnia.    

 

Ao término da curva, agora com um canal de pouco mais de 6m de largura, atravessa a estrada municipal que liga os povoados de Cantagalo e Trindade e segue rumo sul, iniciando um trecho tomado de plantas aquáticas. e com poucas matas nas margens. Notam-se ainda  sinais de erosão nas barrancas.

 

Adentra o brejo da Fazenda Trindade e retoma seu leito próximo ao povoado de Âncora, onde passa com curso reto a leste do mesmo. Neste trecho a Prefeitura de Rio das Ostras realizou serviços de limpeza do canal. Logo a seguir descreve uma curva fechada, toma rumo noroeste e faz outra curva até assumir a direção sul, seguindo ao encontro do rio Iriri para formar o rio das Ostras.

 

O rio Iriri possui cerca de 9,3 km de comprimento. Nasce em uma garganta entre as serras de Jundiá, Seca e Careta, em altitudes pouco superiores a 300 m, em montanha bastante devastada. 

 

Após correr um trecho muito curto na serra, de não mais que 1,8 km, adentra a baixada e cruza a estrada ROS-103, que liga o povoado de Iriri a vicinal que leva para Rocha Leão (ROS-003). Neste ponto seu canal tem 1,5 m, de largura, águas escuras, leito arenoso, e margens erodidas sem proteção vegetal. Cerca de 2 km a jusante da estrada recebe dois córregos. Na margem direita deságua um longo riacho que nasce no extremo oeste da serra Seca, em altitudes pouco superiores a 200 metros, a nordeste da vila de Rocha Leão. Na margem oposta desemboca um córrego que nasce próximo ao povoado de Iriri.

 

Então, com um canal de 3m de largura, segue rumo sul segue rumo sul passando afastado e a oeste do povoado de Âncora, com curso reto, e prossegue por mais 3,5 km até encontrar o rio Jundiá. O encontro dos rios Iriri e Jundiá se dá próximo à estrada ROS- 106,  no local conhecido como Chácara Mariléia. A confluência tem um formato de tridente. Aí começa o rio das Ostras, que percorre mais 6,4 km até desaguar no Oceano

 

O trecho inicial se desenvolve até as proximidades do povoado de Corujas, onde o canal tem largura entre 8-10m e mangues bem desenvolvidos na margem esquerda. Sua profundidade varia de 1,5 a 2m e tem fundo lodoso. 

 

Recebe pela margem direita a vala das Corujas e segue com rumo sudeste atravessando  a periferia urbana e após um curto trecho adentra a cidade de Rio das Ostras, onde ora margeia ruas ora manguezais.. Os mangues se estendem por cerca de 2km ao longo das duas margens do rio, terminando na altura do Loteamento Bairro Esperança.

 

Ao longo da cidade de Rio das Ostras o rio descreve uma série de sete meandros, o primeiro mais longo e os demais curtos, até desaguar na praia do Cemitério. Sua foz é apertada, medindo não mais que 10m de largura e profundidade de 30cm na maré baixa e de 0,6m a 1,6m na alta. Na desembocadura, de um lado esta o morro da Joana e de outro o morro do Iate. Devido à baixa declividade, a influência da maré faz sentir-se até 6 km a montante da foz. 

 

Dentro da cidade, o canal tem largura média 10 metros, variando entre 8 a 15m, e profundidade média de 1,5 a 2m na preamar.  Atravessa os bairros de Boca da Barra, Nova Esperança, Ilha e Nova Cidade, pela margem direita e Jardim Mariléia, Costa Azul, Colinas e Bosque Beira Rio, pela margem esquerda. Recebe toda a sorte de dejetos, tais como pneus, lixo plástico e latas. Parte do curso foi canalizado e muitas áreas de várzeas e de mangue foram aterradas para urbanização. 

 

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Regime e Escoamento

 

Não há na bacia estações fluviométricas que permitam inferir as vazões do rio das Ostras e de seus afluentes. Recentemente, a empresa Globaltec realizou estudos hidrológicos sobre o rio das Ostras,

estimando que a vazão mínima de sete dias (Q7,10 ) do rio na foz é de 106 l/s. O quadro abaixo resume outros resultados do estudo

 

VAZÕES MÍNIMAS DO RIO DAS OSTRAS NA FOZ

TR

(anos)

Dias Consecutivos

1

7

14

30

Q (l/s)

Q (l/s)

Q (l/s)

Q (l/s)

2

138

176

212

250

5

102

125

148

183

10

86

106

122

160

20

77

93

102

145

Fonte: Globatec - 2002

TR – Tempo de Recorrência

 

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Qualidade das Águas

 

Não existem informações sobre a qualidade da água do rio das Ostras. Entretanto, visualmente é possível constatar que a montante da área urbana da cidade de Rio das Ostras não há problemas sérios. O contrário observa-se na travessia da área urbana, que conta com sistemas de tratamento rudimentares ou inexistentes e onde o despejo de esgoto é direto no rio. Verificam-se águas de coloração escura, presença de lixo e odores, que indicam um alto grau de degradação.

 

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Biodiversidade

 

O rio das Ostras permanece na obscuridade científica. Quase nada há documentado sobre a biodiversidade aquática, a exceção dos peixes, que foram inventariados superficialmente pelo biólogo e professor da UNIRIO Carlos Bizerril. Segundo ele, vivem no rio das Ostras cerca de 46 espécies de peixes, sendo 24 exclusivamente de água doce, todos com pequeno tamanho, e 22 marinhas que penetram no rio. Clique aqui para ver a relação das espécies de peixes. Sobre plantas aquáticas, aves, jacarés, mariscos e outros animais não há nada, nem mesmo sobre a biologia da ostra que deu nome ao rio e a cidade. 

 

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Usos

 

As informações a seguir foram obtidas junto a Secretaria de Planejamento de Rio das Ostras, e complementadas com observações realizadas nas inspeções de campo.

 

Abastecimento Público

 

As localidades de Cantagalo e âncora se abastecem de águas subterrâneas, ou compram água de caminhões pipas oriundos de Macaé.

 

Abastecimento Rural

 

As casas situadas em rios e fazendas retiram águas de fontes superficiais e subterrâneas para usi doméstico.

 

Dessedentação Animal

 

É comum na bacia a presença de pequenos açudes alimentados com água do lençol freático para dessedentação de rebanhos

 

Irrigação

 

Há um sistema precário de irrigação de olerícolas utilizando valas com comportas. 

 

Navegação

 

Perto da foz, o rio tem um calado mínimo de 80cm na preamar, o que permite a entrada de barcos pequenos até as proximidades do encontro dos rios Iriri e Jundiá. Na baixa mar a profundidade não chega a 30 cm, impossibilitando  a navegação de embarcações devido ao grande banco de areia na foz.

 

Pesca

Registra-se apenas a pesca de lazer nos rios Jundiá e das Ostras, onde se utiliza vara e tarrafa para a captura de tainha, parati, robalo e bagre amarelo. 

 

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