Ata de Reunião da Plenária de ONG's

                 

Reunião Extraordinária da Plenária  de Entidades do CALSJ

Ata no. 17, aos 23/04/2001 – local: sede OAB de Araruama

 

 

Presentes:

 

Accolagos – Marcos Pinho, Viva Lagoa – Arnaldo Villa Nova, Lagoas de Búzios -  Francisco Cruz, Pronatura – Dalva Mansur, Amigos – Vera Lúcia Martins Barreto e Zoroastro, Ecobrasil -  Cláudio Michael Volcker, Adeja – Denise Pena e Lucia Lopes, Pref. Municipal de Araruama – Agnes Avellar, Consórcio – Luiz Firmino.

 

Pauta:

 

APA DE MASSAMBABA E DEMAIS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO (UC)

 

Exposição:

 

A partir de 1985 começa a ocupação desordenada da área de Restinga em Massambaba. Todos sabem da importância dessa restinga para a Lagoa de Araruama e demais lagoas da região , uma vez que alem de se constituir num eco sistema sui generis, sua vegetação  fixa dunas e protege, os corpos d’água  impedindo assoreamento mais rápido. Essa área caracterizada como área de preservação ambiental deve,  ter  uso controlado e a CECA  visando normalizar a ocupação deste espaço, constituiu uma comissão para elaborar um plano diretor  da APA de Massambaba.

Do final de 1999 até o final de 2000, o GT Apa Massambaba inspecionou a área, identificou através de distribuição espacial com  GPS todos os pontos de ocupação  humana e as áreas que estavam preservadas. Foi efetuado levantamento, da fauna e flora, num trabalho bastante exaustivo. Ao término dos trabalhos foi enviado à CECA minuta  de decreto instituindo o plano diretor da APA de Massambaba.

Em meados de Outubro, os proprietários de terras que não participaram do grupo de trabalho por não estarem organizados dentro de uma entidade de classe,, souberam da proposta e iniciaram a participação via sindicato dos salineiros e associação dos arquitetos e engenheiros. Entenderam que as classificações propostas não atendiam aos seus interesses e através de injunções políticas tentam mudar a minuta de decreto proposta pelo  Gt que havia sido enviada à CECA.

A CECA se sobrepõe à proposta técnica do GT, cedendo às pressões recebidas e propõe a transformação das ZPVS em ZCVS para as áreas onde os proprietários fizeram pressão (1 ZPVS em Praia Seca , 2 nas margens da Lagoa de Araruama, e 2 na ponta do Acaíra).

Através da ACCOLAGOS foram notificadas a CECA e a FEEMA de que essa tentativa de modificar a classificação técnica  pode caracterizar um crime ambiental uma vez que as áreas em litígio têm  características de Áreas de Preservação Permanente.  Questionamos qual o profissional que iria assinar o relatório que permitisse a mudança de classificação. Com nossa ação, temos noticia que foi suspensa a remessa de minuta de decreto de plano diretor para o Governador, retornando à FEEMA com vistas a reavaliação.

A Feema e alguns participantes do GT inspecionaram novamente as áreas em questão e o trabalho foi completado com fotos aéreas.  Verificou-se que 90% das áreas estão sob a classificação correta proposta pelo GT e que os  10% restantes são passíveis de um estudo mais detalhado.

Considerando que a FEEMA regional encontra dificuldades em controlar as invasões dentro destas ZPVS, que são de montante considerável, surgiu a proposta de transformar estas 5 ZPVS em questão em ZEDEA’s ( Zona Especial de Desenvolvimento e Estudo Ambiental.

 

Discussões

 

A criação de zedea’s permitiria um estudo mais detalhado das áreas em questão,.inclusive prevendo a compra e utilização de imagens cadastrais de satélite, que permitissem a correta e inquestionável  classificação definitiva destas áreas. Este trabalho seria conduzido sob a responsabilidade do conselho gestor da APA. No Decreto de instituição do Plano Diretor estariam previstos recursos para a realização imediata deste trabalho.

A ZEDEA deverá estabelecer regras restritivas para dificultar ação antrópica indiscriminada (loteamentos). Todo processo de ocupação deverá ser submetido a estudo técnico.

 

Está sendo elaborada minuta técnica, pela FEEMA,  definindo a classificação  ZEDEA.

 

A Plenária considerou essa idéia  boa porque enquanto estamos nesse impasse, especuladores e invasores estão detonando a restinga.

 

Foi sugerido que os artigos referentes ao Conselho Gestor devem ser compatíveis com os propostos na regulamentação do SNUC (Sistema Nacional de Unidades de Conservação).

 

Foi informado que muitos pontos apurados pelo GT Massambaba não coincidem com a descrição e da indicação dos mapas, sendo necessário verificar as demarcações e corrigir.

 

A Prefeitura de Araruama sancionou lei proibindo novas construções e loteamentos na área de restinga até Dezembro de 2001.

 

Considerando que o GT Massambaba terminou sua função e conseqüentemente foi dissolvido, resolveu-se que cabe agora à Plenária de Entidades Governamentais da região dar continuidade ao processo de defesa da Restinga. Desta forma se caracterizará  a integração das ONG’s no processo de definição do plano diretor da Apa Massambaba.

 

Por outro lado há várias áreas definidas como APA e UC que carecem de regulamentação, portanto, doravante a plenária deverá solicitar providências para definir o uso e recuperação das APAS e UC’s.

 

Enquanto não é criado o Conselho Gestor da APA Massambaba e  havendo necessidade de se elaborar um projeto de ação para a estruturação do Centro de Visitantes da  APA pois existem  recursos do FECAM,  o Consórcio está propondo que a Plenária integre comissão de detalhamento deste projeto.

 

A ECCOBRASIL tem um Projeto Massambaba que é o levantamento e mapeamento da flora, a implantação de um Laboratório. Está previsto ainda uma e estufa para polinização e replantio de espécies em extinção (Orquídeas e Bromélias). Pretende estabelecer um programa de eco turismo e educação ambiental. Este projeto complementa aquele que está sendo preparado pelo Consórcio e poderá ser implantado na área do Centro de Visitante.

 

Deverá haver um processo metodológico melhor, a exemplo de outros Estados na definição de plano diretor de outras APAS, como a de Sapeatiba que está em fase de formação de Comissão de Estudos e já há um projeto elaborado pela Via Lagos com a UFF que precisa ser avaliado.

 

Outras áreas de importância estão abandonadas, como por exemplo o Morro do Chapéu e todo entorno da Praia das Conchas em Cabo Frio.

 

Deliberações:

 

1.      Na Apa de Massambaba demarcar as áreas, sinalizar, providenciar cerca quando houver recursos disponíveis e solicitar vigilância permanente do Destacamento do Batalhão Florestal de Praia Seca.

 

2.      Viabilizar a classificação  ZEDEA para as 5 ZPVS que foram questionadas  e estabelecer regras para a criação do Conselho Gestor, no decreto , segundo as propostas contidas na regulamentação do SNUC.

 

3.      Formar uma Comissão para desenvolver  projeto  para a APA Massambaba, para viabilizar a construção da sede, atender solicitações do Destacamento do BPF, construir alojamento de pesquisador, cercar e sinalizar a APA e integrar o projeto da ECOBRASIL. Coordenador da Comissão - Agnes, membros: Cláudio, Denise, Marcos e Dalva. A Presidência acompanhará os trabalhos.

 

4.      Oficiar ao Presidente do Consórcio e do Conselho de Sócios e enviar cópia à Comissão Executiva do CALSJ solicitando que a CECA delibere que qualquer licenciamento ambiental na APA de Massambaba fique suspenso, enquanto o plano diretor não for aprovado.

 

5.      Oficiar a CECA sobre a decisão  da Plenária de acompanhar  estudos das Apas da região de abrangência do CALSJ, bem como dos desdobramentos do plano diretor da Apa Massambaba.

 

6.      Sugerir aos órgãos de fiscalização que nos finais de semana se faz necessário realizar blitz fiscal integrada, com participação do BPF, da FEEMA, das ONG’s para informar, com faixas e placas, da ilegalidade dos loteamentos e conseqüentemente das vendas, aos eventuais compradores trazidos pelos loteadores em verdadeiras excursões de final de semana.

 

 

 

Redação: Arnaldo Villa Nova – Ong Viva Lagoa

Revisão:  Denise Pena – Adeja e Marcos Pinho – Acolagos