Ata de Reunião da Plenária de ONG's

       

Reunião Extraordinária da Plenária  de Entidades do CALSJ

Ata no. 16, aos 16/04/2001 - local ACIASPA – São Pedro da Aldeia
Rua Glória Lobo 360

 

 

Presentes:

 

Accolagos – Marcos Pinho, Viva Lagoa – Arnaldo Villa Nova, Associação Pescadores Artesanais da Baleia – Francisco Guimarães, Associação Pescadores Artesanais de Araruama – Alucírio Soares da Silva, Lagoas de Búzios -  Francisco Cruz, Aciaspa – Aluysio Martins, Pronatura – Dalva Mansur.

 

Pauta:

 

Pesca, Ordenamento pesqueiro, Ações do Batalhão Florestal, Maricultura.

 

Assuntos discutidos:

 

Geral: Abordado os problemas da pesca: pesca predatória, falta de programa de ordenamento pesqueiro e a dificuldade de manter um programa regular de fiscalização. Foi proposta a transferência do IBAMA sede Cabo Frio para São Pedro da Aldeia.

Informado que o Batalhão Florestal com 3 soldados, na realidade só dois poderão trabalhar em campo tendo em vista que 1 deverá ficar na sede em regime de plantão. Concluiu-se que o BF vai minorar o problema, mas com esses poucos recursos humanos e nenhum material será difícil haver eficiência.

O projeto de troca de redes vai atender alguns pescadores que se cadastraram, outros ignoraram os avisos de preenchimento de formulários, rasgaram os formulários e talvez não sejam atingidos.

Há necessidade de cadastrar as artes de pesca na Lagoa e dos pescadores, bem como avaliar a Capacidade de Suporte pesqueiro da Lagoa de Araruama (LA). Talvez a estimativa da verba do FECAM destinada a dragagem possa cobrir os custos.

 

Questão IBAMA: Argumentado que trazer a sede do IBAMA Cabo Frio (CF) para São Pedro (SPA) pouco resolverá a situação, visto que os maiores problemas são na Área 1 da LA e na região costeira de CF. O importante é fazer o IBAMA agir em toda a região, sem importar o local da sede, alem do mais essa transferência irá encontrar dificuldades burocráticas que tardarão ainda mais o funcionamento do órgão. A proposta é fazer com que o IBAMA atue na Lagoa e na região Costeira. Também deverá ser acionada a sede do IBAMA no Rio de Janeiro.

Deverão ser apurados os problemas relativos a pesca, documentados fartamente, inclusive com fotos, se for o caso.  Levar as denúncias à sede do IBAMA local e Rio de Janeiro, dar prazo e se não houver resposta deverá ser acionado o Ministério Público.

Esse expediente já foi feito e não teve encaminhamento tendo em vista a mudança do responsável pela agência de CF. Entretanto a inoperância continua e as ações deverão ser retomadas, inclusive com cópia de abaixo assinados já enviados ao órgão.

Visando subsidiar as ações das Secretarias de Meio Ambiente dos Municípios, as denúncias e provas de infrações na área da pesca deverão ser encaminhadas as Prefeituras. Para dar suporte a ações fiscais dos municípios é proposta a formalização de convênios com o IBAMA. Por outro lado se os Municípios trabalharem fiscalizando haverá possibilidade da arrecadação das multas reverter para os Fundos Municipais de Meio Ambiente. Deverá haver treinamento da guarda municipal, etc.

 Na realidade somando os 2 policiais do BF, 2 fiscais do IBAMA e policiais da guarda municipal teremos um potencial de trabalho razoável e sendo ação conjunta dispersa reclamações sobre um único órgão.

 

Verbas para pesca: As verbas do Pronaf para atividade pesqueira nunca chegam às mãos dos pescadores. Há vários entraves, principalmente para a Associação de Pescadores de Araruama. As causas são nebulosas e para as verbas desse ano deveremos estar atentos para a possibilidade de financiamento de equipamentos para as associações, para as colônias e para os pescadores.

 

Batalhão florestal: Na visita efetuada ao Comando e ao Batalhão, ficou claro a necessidade de equipar o BF com veículo e barco a motor com carreta, alem de telefone para comunicação e solucionar o problema de abastecimento de água.  Firmino irá providenciar a ligação de água da rede oficial e em breve será viabilizada a construção de cisterna. Provisoriamente será escavado um poço. Foi abordada a receptividade da proposta de treinamento dos policiais estando programado a realização de seminário (workshop) com o destacamento do BPF de Praia Seca. Para treinamento preliminar, os soldados já saíram a campo com alguns pescadores para conhecer em campo os problemas relativos à fiscalização da pesca.

 

Cadastro de pescadores, das artes de pesca e troca de redes:

Segundo várias reuniões, o documento legal para o pescador estar habilitado para a pesca é a carteira fornecida pelo Ministério da Agricultura, anteriormente fornecida pelo IBAMA. Caso o pescador seja condutor de barco ele necessita de carteira da Marinha. Entretanto, para aposentadoria o INSS exige carteira da Marinha. Fica então a pergunta: Para que serve o documento do Ministério da Agricultura. Por esse motivo, todos os pescadores querem ter a carteira da Marinha. Criam uma demanda difícil de ser atendida visto que a Marinha não tem recursos para realizar os cursos necessários para atender cerca de 2000 pescadores.

Por outro lado, vários trabalhadores ao perder o emprego, aventuram-se na pesca. Não são preparados, não estão habilitados, por desconhecimento praticam pesca predatória e causam  prejuízos ao parque pesqueiro. Ainda há o problema de difícil solução que é o conhecimento do número de pescadores da LA com vistas a determinar a Capacidade de Suporte pesqueiro da LA. A ausência de cadastro dos pescadores dificulta o planejamento de ações de apoio social aos mesmos. Muitos pescadores não têm documentação (CI, Certificado de Reservista, etc). As prefeituras podem auxiliar no cadastramento e regularizar a documentos. Deve ser efetuado um diagnóstico da realidade para o planejamento.

 

Maricultura:

Há várias solicitações de recursos para investimento em Maricultura. Inclusive SPA está com um projeto para implementar uma Escola de Maricultura e Pesca para a região. Já tem espaço disponível (área doada pela salina Yamagata). Foi proposta a criação de camarões P. wanamei nas áreas de salina e P. paulensis em tanques redes na Lagoa. Houve opiniões divergentes quanto a maricultura em tanques redes na LA, com o argumento de que isso será mais um loteamento da Lagoa, ficando difícil determinar quem tem ou não direito de iniciar criação de camarões em tanque rede. Corre-se o risco de empresas encherem a Lagoa de Tanques e prejudicarem outras atividades. A proposta é de repovoamento, isto é, camarões da espécie nativa seriam cultivados em laboratórios e as pós-larvas seriam colocadas na Lagoa. Não haveria custos de alimentação uma vez que irão consumir o alimento natural, o substrato lagunar e os pescadores iriam pescar os camarões com as artes de pescas e ao azar, dando igual oportunidade a todos e não apenas a alguns que poderão dispor de capital para iniciar a criação em tanques redes. Já houve reunião com essa conclusão.

Não houve acordo sobre as propostas e a decisão foi postergada para maiores avaliações.

 

Deliberações:

 

16. 1.  Formular expediente com denúncias das infrações relativas à pesca (são notificações de crimes ambientais) e levar ao IBAMA agência Cabo Frio. Enviar cópia ao escritório do Rio de Janeiro e a(s) Prefeitura(s) da área de jurisdição das infrações. Abordar possibilidade de apoio do BF e das Prefeituras. Dar  prazo para inicio de ações fiscais de maneira regular.

 

16. 2.  Se nada for feito ficará caracterizado omissão e prevaricação por parte dos funcionários do órgão responsável e deverá ser formulada denúncia ao Ministério Público.

 

16. 3.  Será elaborada proposta de minuta para Convênio a ser firmado entre Prefeituras e o IBAMA visando dar competência fiscal aos Municípios.

 

16. 4.  Será enviado ao Governador do Estado expediente da plenária solicitando equipar o BPF de Praia Seca com veículo e lancha com carreta rodoviária. *

 

16. 5.  Será enviado às Prefeituras Municipais expedientes da Plenária solicitando que repassem recursos (através de cotas proporcionais ao número de prefeituras)  ao Consórcio para a compra de veículo e barco a motor com carreta rodoviária. *

 

* Esses expedientes serão acompanhados pelo Secretário Executivo do Consórcio e pelo Presidente da Plenária para verificar qual dos dois apresenta maior possibilidade de viabilização.

 

16. 6  Programa de treinamento, expositores e responsáveis, data: 2, 3 e 4 de maio

 

Pesca – Francisco, Leandro e Marcio (SPA) – responsável Francisco

Calcário conchífero -  Luiz Firmino

APA Massambaba – Luis Firmino, Marcos Pinho e Agnes

APA Sapeatiba – Luiz Firmino, Aluysio

APA Jacarepia – Luiz Firmino, ADEJA

Mineração em terra – Luis Firmino.

 

O Treinamento será teórico prático, com apresentação de mapas, legislação, manual de procedimentos, identificação dos problemas, etc. Saídas a campo para distintos locais serão efetuados em datas oportunamente agendadas.

 

16. 7.  Cadastrar os pescadores de todas as comunidades. Buscar apoio das Prefeituras através dos Serviços Sociais, ou contratar serviços.

 

16. 8.  Cadastrar as artes de pesca da LA contratando serviços com os recursos do FECAM ou do FAT e estimar a Capacidade de Suporte da LA.