Rio
de Janeiro,
4 de agosto
de 2004.
Ilmo.
Srs. Presidente e Conselheiros da
Agência
Reguladora de Serviços Públicos do Rio
de Janeiro – ASEP
Prezados
Senhores:
A
Plenária de Entidades Não
Governamentais Lagos São João, formada
por entidades que se filiaram junto ao
Consórcio Intermunicipal Lagos São João
vem, mais uma vez, manifestar sua
preocupação com a questão das obras
"Prolagos" para o esgotamento
sanitário nas cidades do entorno da
Lagoa Araruama.
Em
passado recente militamos junto a essa
Agência e obtivemos o acordo para
captar, em tempo seco, valas e galerias
de águas pluviais. O objetivo era
levar, em
sistema unitário, esgotos para
estações de tratamento (ETE's) que
produzam efluentes minimamente compatíveis
com o corpo receptor: A laguna Araruama.
Inicialmente
acordamos que as obras de uma primeira
fase estariam prontas em 2002 e meados
de 2003.
Houve atraso e a promessa foi
transferida para dezembro de 2003. Novo
atraso e nova data desobedecida: Maio de
2004.
Para
a execução dessas obras foram cedidas
outorgas e reajustes nas tarifas de água.
Em outras palavras, a sociedade pagou,
está pagando, mas as obras não ficam
prontas.
Conforme
ainda acordado, nesse momento já devíamos
ter discutido a execução de novas
redes de captação: Margem esquerda do
Itajuru; trecho São Pedro - Cabo Frio;
trecho São Pedro - Praia Linda e Iguaba
- Cidade Nova. Essas obras já deveriam
estar em andamento.
Lamentamos
que estando em curso o mês de agosto,
as obras ainda estão a termo, o sistema
está operando parcialmente e há
atrasos para concluir a 1a.
fase.
Esse
atraso nos preocupa, estamos a 4 meses
de um verão, quando o dano ambiental
aumenta consideravelmente pelo despejo
de esgotos. A
situação é crítica, estamos passando
de lagoa poluída para lagoa podre.
O
sistema adotado de captação em sistema
unitário, de maneira emergencial, não
está previsto em legislação. Esse
fato gera dúvidas quanto à forma de
cobrar pelos serviços executados. Por
esse motivo essa cobrança na Região
dos Lagos é matéria que deve ser
regulada e encontrada uma solução
legal e adequada para cobrir os custos
de operação do sistema.
Entendemos
que, dentre os vários fatos que não
motivam a empresa a caminhar de forma
ágil é a demora em definir o
preço a ser cobrado pela prestação de
serviços de esgotamento. Nenhuma
empresa pode sobreviver se não tiver a
garantia de que as receitas previstas
cobrem os custos e com margem de lucro
adequada.
A
Sociedade Organizada da Região dos
Lagos, conhecedora da dedicação dessa
Agência Reguladora que, através de
seus Conselheiros, vem tomando decisões
justas mantendo, sobretudo, o equilíbrio
serviços concedidos & usuários,
vimos manifestar apoio e solicitar a
ASEP que:
1o.
Exija da Prolagos esforços para
completar toda a 1a. fase do
programa proposto, antes do início do
verão: dezembro de 2004, bem como
informe análises químicas e biológicas
dos efluentes das ETE's,
2o.
Estabeleça regras para que a empresa
discuta com a sociedade organizada a
captação das demais bacias em sistema
unitário e, em curto e definido período,
apresente cronograma de investimentos
para execução de obras, com prazo de
início e término,
3o.
Havendo compromisso da empresa em
atender os itens 1o. e 2o.,
que através de uma sessão reguladora,
a mais rápida possível, se defina a
maneira de ressarcir a empresa pelos
gastos com os serviços de esgotamento
sanitário e tratamento de esgotos,
4o.
Que a cobrança se inicie após o término
global das obras da 1a. fase
e com
propostas e projetos aprovados
para captar as bacias restantes.
Moradores,
ambientalistas, comerciantes, turistas,
pescadores, veranistas, escolares,
enfim, todos os segmentos da sociedade
anseiam pela recuperação do patrimônio
ambiental da Região dos Lagos e do
Estado do Rio de Janeiro, para garantir
nosso desenvolvimento sustentável, e
certos de que os Senhores Conselheiros
da ASEP, sensibilizados por nossa
reivindicação de natureza sócio
ambiental para preservar e defender
nosso meio ambiente, nos atenderá,
antecipadamente agradecemos,
Arnaldo
Villa Nova
Presidente
Ong Viva Lagoa
Presidente
da Plenária de Entidades Não
Governamentais do Consórcio
Intermunicipal das Bacias da Região dos
Lagos, do Rio São João e Zona
Costeira.