|
Setembro/09
ONU premia programa
socioambiental do Rio
FUNBOAS é escolhido como Melhor Projeto e receberá o prêmio de 1º lugar
O Fundo de Boas
Práticas Socioambientais em Microbacias (Funboas), que remunera
serviços ambientais prestados por agricultores familiares da
região da Bacia Hidrográfica do Rio São João, foi premiado pelo
Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat).
Com recursos da cobrança pelo uso da água, o fundo financia
projetos para fins comerciais dos produtores, a fim de melhorar
as condições ambientais de seu território, da sua comunidade e
das suas propriedades individualmente.
Criado pelo Comitê de Bacia Lagos São João, o
Funboas foi reconhecido como uma iniciativa bem-sucedida de
melhoria da qualidade de vida das populações e sustentável em
termos sociais, culturais, econômicos e ambientais. O Prêmio
Boas Práticas de Desenvolvimento Sustentável na Região do
Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento do Leste Fluminense
(CONLESTE), que inclui 11 municípios - Cachoeiras de Macacu,
Casimiro de Abreu, Itaboraí, Guapimirim, Maricá, Magé, Niterói,
Rio Bonito, São Gonçalo, Tanguá e Silva Jardim - será entregue
no próximo dia 6 de outubro.
O FUNBOAS está contido no Plano de Bacia do
Comitê e visa a despertar o comprometimento dos produtores
rurais, dos gestores e da sociedade com as políticas de
conservação e de sustentabilidade socioambiental. A proposta de
criação do fundo decorreu da constatação de que a Bacia do Rio
São João é responsável pelo abastecimento de água de 75% da
população residente na região, em especial dos municípios da
zona costeira.
Outro fator que contribuiu para
implantação do FUNBOAS foi o projeto de educação ambiental
“Comunidades em Ação nas Microbacias”, que produziu diagnósticos
participativos e planos de ação ambientais elaborados
coletivamente. Segundo Denise Spiller, uma das coordenadoras do
projeto, as proposições apontam o reconhecimento da necessidade
de conservação e de recuperação ambiental, mas deixam claro que
estas medidas devem ser decorrentes de compromissos
compartilhados.
A primeira microbacia selecionada
pelo Programa de Gestão Ambiental Participativa foi a do Córrego
Cambucaes, no município de Silva Jardim, à montante do
Reservatório de Juturnaíba, maior manancial de abastecimento de
água da bacia. As primeiras famílias escolhidas já possuíam
potencial importante nas práticas de conservação dos recursos
hídricos. Conforme entendimento no âmbito do Comitê, as
propriedades não devem ser consideradas isoladamente, uma vez
que não são as propriedades, mas sim a Bacia que é produtora de
água.
- Porém os pequenos e médios
agricultores precisam ser incentivados financeira e tecnicamente
para que possam manejar suas terras de forma ecologicamente
correta sem perder sua capacidade de produção e geração de renda
- explica Denise Spiller.
A engenheira agrônoma Natalia
Ribeiro, assessora técnica do Comitê, lembra ainda que apesar de
os agricultores não serem donos da água, que por lei é de
domínio estadual ou federal, suas subsistências dependem do
manejo das microbacias.
Como funciona
O FUNBOAS utiliza os mesmos
critérios de seleção das áreas prioritárias do Programa Estadual
de Microbacias. Os pequenos produtores que se candidatam a
acessar o fundo são avaliados, e quando alcançam 50% de boas
práticas socioambientais podem dispor da verba de arrecadação
pelo uso da água paga por grandes usuários para melhorar o
manejo dos bens naturais disponíveis.
Aos classificados acima de 70% é
facultada a utilização de parte do dinheiro para melhoria da
geração de renda e da qualidade de vida. Os repasses do FUNBOAS
são a fundo perdido e os produtores podem acessá-lo a cada dois
anos, desde que tenham melhorado sua avaliação do nível de boas
práticas socioambientais.
Para o Comitê, o mecanismo é um processo
necessário de retorno dos recursos arrecadados para
investimentos na própria bacia, de modo a fortalecer, sobretudo,
os pequenos produtores, aliados estratégicos na conservação do
ambiente e das águas.
Fonte: Site do INEA -
www.inea.rj.gov.br
www.lagossaojoao.org.br
|