NOTÍCIAS e AÇÕES

 

Maio/03

Desassoreamento do Canal do Itajuru e Despoluição da Lagoa de Araruama

Logo após a criação do CILSJ em 1999, a Despoluição e o Desassoreamento da Lagoa de Araruama tem estado sempre como assuntos principais na pauta das reuniões da Plenária de ONG's e do Grupo Executivo da Lagoa de Araruama, recebendo grande atenção na execução das ações em prol do encaminhamento destes assuntos. Tendo em vista que tais temas não são tão simples de serem resolvidos, nem dependem somente da vontade dos envolvidos nos trabalhos do CILSJ, pequenos passos são dados mês a mês para que possamos ver, numa data bem próxima, a Lagoa de Araruama em melhores condições de balneabilidade e pesca.

Procurando deixar a população mais informada sobre o que tem sido feito para o alcance deste objetivo, criamos este resumo que informará o andamento de cada ação que estiver sendo realizada.

Despoluição da Lagoa de Araruama

Com o aumento populacional das cidades às margens da Lagoa e a falta de esgotamento sanitário nestas cidades, a Lagoa de Araruama tornou-se o principal corpo receptor dos detritos produzidos por elas. 

Em 1998 as empresas Prolagos e Águas de Juturnaíba assinaram com o Governo do Estado um Contrato de Concessão dos serviços de água e esgoto para estas cidades, se responsabilizando pelo fornecimento de água e o esgotamento sanitário delas. 

Como o fornecimento de água era, na época, o principal problema para um maior desenvolvimento da região, os contratos de concessão deram prioridade a ele deixando a questão do esgotamento sanitário com pouco atendimento e a obrigatoriedade de pequeno atendimento somente a partir de 2006 para a Águas de Juturnaíba, e 2001 para Prolagos, ignorando as necessidades da população e governos municipais, que sentiam na pele a degradação provocada pelo lançamento de esgoto diário nos rios e lagoas da região.

Porém, com a melhoria do abastecimento de água nas cidades, a produção de esgoto nas águas pluviais aumentou muito e seu descarte in natura na Lagoa vem provocando uma drástica modificação neste eco-sistema, afetando a pesca e deixando-a imprópria para o banho em alguns pontos.

Através da atuação do consórcio (após 27 meses de pressão), foi conseguida junto a ASEP (Agência Reguladora dos Serviços Públicos Concedidos), a repactuação dos Contratos de Concessão. A Prolagos que atende as cidades de Iguaba Grande, São Pedro da Aldeia, Cabo Frio e Búzios teve a repactuação de seu contrato assinada em 2002 representando investimentos na ordem de R$ 55.000.000,00. A Concessionária Águas de Juturnaíba que atende as cidades de Araruama, Saquarema e Silva Jardim, ainda aguarda a assinatura da repactuação do seu contrato pelo Governo do Estado. Mudanças na estrutura do governo estadual tem atrasado muito o início das obras que já estão planejadas pela empresa aguardando somente esta assinatura para saírem do papel. O reequilíbrio do contrato da Águas de Juturnaíba representará investimentos de R$ 12.000.000,00 em tratamento de esgotos e, pelo cronograma, em 8 meses a partir da assinatura da repactuação, boa parte das obras já estarão finalizadas, completando assim a captação e tratamento da maior parte do esgoto que é atualmente lançado na Lagoa de Araruama.

  Obras de Esgotamento
  ETEs - Estações de Tratamento

As comissões de saneamento do CILSJ, da Câmara de Saneamento da ASEP  vêm realizando constantes visitas para o acompanhamento e verificação das obras da Prolagos. Diversos documentos tem sido enviados a nova Secretaria de Meio Ambiente do Estado - SEMADUR, explicando sobre a situação em que se encontram as obras, e a importância e necessidade da assinatura da repactuação do contrato da Águas de Juturnaíba. O processo de nº E-04/079396/00 que encontrava-se perdido, foi localizado pelo CILSJ  em Abril/03 nas dependências da antiga Secretaria de Saneamento, e encaminhado ao presidente da SERLA que é o órgão que está assumindo as antigas funções da extinta Secretaria de Saneamento. 

As obras de esgotamento realizadas nas cidades atendidas pela Prolagos encontram-se em fase de finalização e a empresa prevê que até o final de 2003 já esteja com as Estações de Tratamento de Esgoto e sistemas coletores em funcionamento evitando que 85% de esgoto chegue a Lagoa.

Clique no link e conheça o Cronograma de Retomada das obras da Prolagos.

 


Desassoreamento da Lagoa de Araruama

Outro sério problema da Lagoa é o assoreamento. Há anos, a areia fornecida pelas dunas desprovidas de vegetação que são arrastadas para dentro da lagoa pelos fortes ventos, as correntes e ondas realizam um constante transporte de sedimentos formando grandes bancos de areia e esporões na lagoa. Esse assoreamento, agravado ainda mais pelas dragagens para retirada de conchas que há anos são realizadas na lagoa, dificultam a circulação de água e impedem a entrada da água do mar e de peixes para o interior da lagoa. O Estudo Hidrodinâmico da Lagoa realizados pela Coppetec-UFRJ em 2001, demonstra a necessidade de dragagens corretivas para melhorar a circulação da água. O CILSJ estima que,  se nada fosse feito, em cerca de 10 à 20 anos a Lagoa poderia se sub-dividir em 11 pequenas lagoas. Estima-se ainda que a renovação completa de água na Lagoa, que na década de 80 era de 84 dias, seja hoje de mais de 300 dias. 

O Canal do Itajurú, responsável pela ligação do mar com a Lagoa, é um dos pontos mais críticos em assoreamento. Chegou a ter pontos onde a lâmina d'água estava totalmente obstruída.

Através da pressão das ONG's e ação firme da FEEMA, a extração de conchas pelos moageiros está quase totalmente extinta, não sendo mais considerada uma atividade econômica da lagoa. O fato de a Lagoa ser considerada pela Constituição do Estado uma Área de Preservação Permanente impede qualquer discussão a cerca da manutenção destas atividades. A Álcalis, principal empresa de extração de conchas no passado, foi a primeira a encerrar suas atividades de extração e passou contribuir para o desassoreamento da lagoa cedendo suas dragas e fazendo a manutenção das mesmas para a retirada de areia dos seus pontos críticos. O trabalho de desassoreamento da lagoa está tendo sua continuidade a partir do apoio da Prefeitura de Cabo Frio, São Pedro da Aldeia e da Álcalis, e começou a partir do Canal do Itajurú por ser o ponto mais crítico de acordo com o Estudo Hidrodinâmico da Lagoa e seguindo ainda o projeto proposto pela Serla. No entanto ainda há muito a fazer para permitir a circulação eficiente da água na lagoa. 

Leia o Relatório Geral da Dragagem produzido em Abril de 2003.

Canal do Itajuru sem a dragagem

Canal do Itajuru dragado

 

Draga em funcionamento

 

Outra ação do CILSJ para a melhoria da circulação e renovação das águas da Lagoa de Araruama é o projeto de remodelação da ponte da RJ 140 (na entrada de Cabo Frio), permitindo o aumento do atual vão de 30m para 300m possibilitando com isso  uma maior vazão de entrada de água na lagoa. O projeto, que será realizado em parceria com o DER, permitirá também a navegabilidade do Canal do Itajuru, permitindo a circulação de barcos de maior calado e altura desde o mar ao interior da lagoa. O CILSJ esta buscando captação de recursos para viabilizar esta obra.

        Assessoria de Comunicação do CILSJ