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Outubro/05


Porque a Lagoa de Araruama está marrom, o que fazer?

A Lagoa de Araruama sofre neste momento graves conseqüências dos diversos anos de despejos de esgoto e agressões com aterros e assoreamentos. O que está acontecendo já era previsível, e o próximo passo seria a queda do oxigênio com mortandade de peixes. Digo seria porque não chegaremos a este extremo dada as ações em andamento.

As duas ações fundamentais para recuperar a lagoa: retirar o esgoto e dragar o canal de Itajurú, estão em andamento, sendo que uma já está bem avançada: a do tratamento de esgotos. Já estamos tratando 66% do esgoto que chegava a Lagoa desde o princípio deste ano, e até o início do ano que vem, deveremos chegar a 80%, com a entrada em funcionamento do sistema de Iguaba e do Canal de Itajurú, margem esquerda em Cabo Frio. Estamos também trabalhando para bombear os efluentes tratados para a área rural, evitando que contribuam com muita água doce para a lagoa.

Ocorre que, infelizmente este ano tem sido atípico em termos de chuva (já choveu três vezes mais que o normal), o que está prejudicando o trabalho, pois as fortes e constantes chuvas do primeiro semestre, e agora do segundo, tem carreado para lagoa um aporte imenso de nutrientes, fósforo e nitrogênio (os mesmos do esgoto). As algas se alimentam destes nutrientes, assim como outros organismos microscópicos presentes na coluna d'água.

Até o primeiro semestre deste ano, tínhamos basicamente macro-algas (que podiam ser vistas na praia) e micro (fito-plancton), que davam a cor esverdeada a Lagoa. Já no segundo semestre, pelos motivos já apontados surgiu um novo plâncton, identificado como dinoflagelado, de coloração avermelhada (marrom) que também se beneficia dos nutrientes. A solução é, portanto, acabar com o alimento para estes organismos. Não há outra saída que não seja continuar a tratar o esgoto e concluir a dragagem, ações que somada a ponte que alargará o canal de entrada da lagoa, e que já está em construção, eliminarão os altos níveis de nutrientes na Lagoa.

Acreditamos fortemente que se concluirmos a dragagem com a ponte no ano que vem, já em 2007 as águas voltaram aos poucos a sua transparência habitual.

Temos monitorado a lagoa, e não há qualquer motivo para se preocupar com o banho. As análises mostram que os índices estão todos dentro daqueles determinados pela OMS (Organização Mundial de Saúde), registrando-se inclusive um aumento do pescado, não só em quantidade, mas também em qualidade. Até o camarão voltou a lagoa, o que indica biologicamente uma melhora das águas. Falta entretanto, a melhora estética, que haverá de vir com o tempo.

 

Secretaria Executiva do CILSJ


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