A Lagoa de Araruama sofre neste momento graves
conseqüências dos diversos
anos de despejos de esgoto e agressões com
aterros e assoreamentos. O que está acontecendo
já era previsível, e o próximo passo seria a
queda do oxigênio com mortandade de peixes. Digo
seria porque não chegaremos a este extremo
dada as ações em andamento.
As duas ações
fundamentais para recuperar a lagoa: retirar o
esgoto e dragar o canal de Itajurú, estão em
andamento, sendo que uma já está bem avançada: a
do tratamento de esgotos. Já estamos tratando
66% do esgoto que chegava a Lagoa desde o
princípio deste ano, e até o início do ano que
vem, deveremos chegar a 80%, com a entrada em
funcionamento do sistema de Iguaba e do Canal de
Itajurú, margem esquerda em Cabo Frio. Estamos
também trabalhando para bombear os efluentes
tratados para a área rural, evitando que
contribuam com muita água doce para a lagoa.
Ocorre que,
infelizmente este ano tem sido atípico em termos
de chuva (já choveu três vezes mais que o
normal), o que está prejudicando o trabalho,
pois as fortes e constantes chuvas do primeiro
semestre, e agora do segundo, tem carreado para
lagoa um aporte imenso de nutrientes, fósforo e
nitrogênio (os mesmos do esgoto). As algas se
alimentam destes nutrientes, assim como outros
organismos microscópicos presentes na coluna
d'água.
Até o primeiro
semestre deste ano, tínhamos basicamente
macro-algas (que podiam ser vistas na praia) e
micro (fito-plancton), que davam a cor
esverdeada a Lagoa. Já no segundo semestre,
pelos motivos já apontados surgiu um novo
plâncton, identificado como dinoflagelado, de
coloração avermelhada (marrom) que também se
beneficia dos nutrientes. A solução é, portanto,
acabar com o alimento para estes organismos.
Não há outra saída que não seja continuar a
tratar o esgoto e concluir a dragagem, ações que
somada a ponte que alargará o canal de entrada
da lagoa, e que já está em construção,
eliminarão os altos níveis de nutrientes na
Lagoa.
Acreditamos
fortemente que se concluirmos a dragagem com a
ponte no ano que vem, já em 2007 as águas
voltaram aos poucos a sua transparência
habitual.
Temos monitorado
a lagoa, e não há qualquer motivo para se
preocupar com o banho. As análises mostram que os
índices estão todos dentro daqueles determinados
pela OMS (Organização Mundial de Saúde),
registrando-se inclusive um aumento do pescado,
não só em quantidade, mas também em qualidade.
Até o camarão voltou a lagoa, o que indica
biologicamente uma melhora das águas. Falta
entretanto, a melhora estética, que haverá de
vir com o tempo.