Municípios de uma
das regiões mais pobres do país estão se
organizando para cuidar de sua própria
infra-estrutura de saneamento.
Um consórcio
entre 36 cidades do sul do Piauí e o governo
estadual vai gerenciar o abastecimento de água
da região. Os investimentos previstos são de R$
10 milhões, 90% vindo da União e os 10%
restantes do governo do Estado. Com isso, o
custo para o consumidor cairá de R$ 21 para R$ 8
por 10 m³ de água. Paralelamente à iniciativa,
um programa vai cuidar da educação ambiental dos
moradores, para que aproveitem os benefícios que
virão com o projeto.
O CORESA (Consórcio
Regional de Saneamento) será o primeiro do país
na área desde que a Lei dos Consórcios Públicos
foi aprovada, em abril de 2005. “Esse é o
pontapé inicial, o país inteiro está observando.
Se der certo, virão outros, em todo o
território”, prevê Maria Carmem Germano Braga,
consultora do Ministério das Cidades, que
organiza o trabalho.
A idéia de formar o
consórcio veio de uma constatação feita pelo
PMSS (Projeto de Apoio à Modernização do Setor
Saneamento), desenvolvido pelo Ministério das
Cidades e pelo PNUD. Uma avaliação feita no
Estado mostrou que a empresa
AGESPISA (Água e Esgotos do Piauí S/A)
não tinha condições de fazer novos investimentos
por estar muito endividada. “Esses municípios do
sul do Piauí são pequenos, nenhum tem mais de 50
mil habitantes. Eles têm um sistema simples de
operar, mas necessitam desses investimentos”,
explica a consultora do PMSS Luciana Sarmento.
Amarrada pelas dívidas, a companhia repassava
esses encargos para a tarifa, encarecendo a
conta de água. Sem esse problema, o consórcio
prevê que o consumidor pagará menos pela água
que consome.
O protocolo de
intenções para a criação do consórcio foi
assinado pelas 36 prefeituras e o Estado do
Piauí em 6 de junho, na cidade de Bom Jesus. A
adesão, no entanto, precisa da aprovação das
câmaras legislativas municipais. Até agora, os
vereadores de 16 municípios já aprovaram a
iniciativa. Restam 20 para que o consórcio entre
em operação. “Nós queremos, é claro, que os 36
municípios aprovem o protocolo e acreditamos que
é isso que vai acontecer”, afirma Maria Carmem. A tarefa do
consórcio será inicialmente regular e fiscalizar
somente o abastecimento de água dos municípios.
Segundo Maria Carmem, se os primeiros resultados
forem positivos, o grupo poderá no futuro
assumir também a gestão dos serviços de esgoto e
de tratamento de resíduos sólidos.
Para apoiar os
trabalhos do CORESA, o Ministério do Meio
Ambiente escolheu os mesmos 36 municípios para
abrigarem o trabalho piloto do seu Programa de
Educação Ambiental e Mobilização Social para o
Saneamento. Outros dois pilotos deverão ser
montados posteriormente em cidades da Paraíba e
de Alagoas. O programa visa fortalecer os
conhecimentos da população do sul do Piauí sobre
gestão ambiental. A ação é baseada na
criação de coletivos de educação, formados por
instituições das regiões contempladas, desde
organizações não-governamentais até
universidades. Uma oficina realizada em Teresina
com essas entidades e as secretarias municipais
montou um Grupo de Articulação Local., que
montará três coletivos nas 36 cidades do CORESA.
Os coletivos, por sua vez, trabalharão para
formar educadores ambientais, que vão debater o
assunto junto à população, através de palestras,
cursos, oficinas, fóruns e comissões. “Nossa idéia é
formar o cidadão de forma ampla. O foco está no
setor de saneamento, mas a formação não é
fechada. Queremos ensinar as comunidades sobre
responsabilidade ambiental como um todo, da
forma mais abrangente possível”, afirma Renata
Maranhão, técnica do Ministério do Meio Ambiente
que coordena o programa.