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Usos dos recursos naturais e ocupação da
orla
Na
lagoa de Araruama, registram-se os seguintes
usos do ecossistema:
-
·
pesca artesanal de linha e rede
para captura de peixes e camarões;
-
·
coleta de invertebrados em manguezais
-
·
extração de conchas através
de dragagens;
-
·
extração de sal;
-
·
turismo (passeio de barcos,
marinas, bares e hotéis na orla);
-
·
recreação, esporte e lazer (banhos,
esportes náuticos, pesca amadora,);
-
·
navegação (transporte de passageiros
por pequenas embarcações).
-
·
medicinal
Pesca Artesanal
A pesca na lagoa de Araruama
é a mais antiga atividade econômica, remontando
há cerca de 5.000 anos, conforme evidenciado
pelas investigações arqueológicas realizadas
pelo Museu Nacional no sambaqui da praia do
Forte, em Cabo Frio. Até o presente, a pesca
se desenvolve em moldes artesanais, empregando
artes de captura que perduram na região há
séculos. Os recursos mais capturados são o
camarão, a tainha, a carapeba, a saúba e o
carapicú. Há também especial interesse na
captura da perumbeba. As carapebas e perumbebas
são os peixes que atingem maior valor comercial.
As Portarias IBAMA nº 110 de 25/08/97 e 37
de 6/03/01 estabelecem regras para o exercício
da pesca na lagoa de Araruama.
A
maior investigação sobre a pesca na lagoa
de Araruama foi realizado pelo Instituto Acqua,
em 1996, no âmbito do Programa Prolágos. A
ONG Viva Lagoa tem dado continuidade a estes
estudos visando atualizar as informações.
Um achado importante desta ONG foi à localização
de uma armadilha de pesca construída com pedras,
feita provavelmente pelos índios.
As
colônias e associações de pescadores atuantes
na laguna concentram-se em Araruama, Iguaba
Grande, São Pedro da Aldeia, Baixo Grande
e Praia da Siqueira. As principais artes de
pesca são tarrafas, puçás, ganchos, rede de
arrasto de calão, tróia, cerco e rede de espera
(ou mijuada). Destes, o gancho, o cerco e
a mijuada mostram-se mais comuns.
As
embarcações em geral são canoas (a vela) e
barcos de madeira com motor em média de 10
a 8 HP. A embarcações, via de regra, tem mais
de 80 anos e foram construídas a partir de
um tronco. Hoje, além de não haver mais
madeira, pois foram–se as matas, praticamente
perdeu-se o conhecimento desta tecnologia.
O
quadro a seguir resume as características
das artes de pesca utilizadas na lagoa de
Araruama.
ARTES DE PESCA NA LAGOA DE ARARUAMA
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ESPÉCIES
CAPTURADAS
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ARTES
DE PESCA
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CARACTERÍSTICAS
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Tainhas, Carapeba, Saúba e Carapicu
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Gancho
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É
um cercado que apresenta currais nas
duas pontas, divididos por setores chamados
enganos, com uma rede
estendida horizontalmente nas bordas
chamada trimbobó, onde a tainha
fica presa após saltar até 1 metro de
altura tentando escapar. Esta arte de
pesca é construída na área 2, onde a
tainha é capturada quando está indo
para o mar desovar. A pesca ocorre de
abril a agosto e o produto mais valioso
é a ova da fêmea, que além de ser muito
saborosa, tem grande valor comercial.
O carapicu também é pescado com gancho,
porém sem o trimbobó, montado de novembro
a abril nas áreas 2 e 3.
|
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Cerco
|
Este tipo de pescaria é utilizado tanto para a tainha, quanto para a carapeba,
sendo feita com barcos e canoas. Os
pescadores lançam redes de malha 45
mm ao redor do cardume após terem-no
avistado, realizando um cerco Esta pesca
só pode ser realizada na área 3 da lagoa.
A saúba também é pescada desta maneira,
porém a malha das redes utilizadas é
de 35 mm, porque este peixe é um pouco
menor que os outros.
|
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Mijuada
|
Nesta pescaria o pescador deixa sua rede dentro da lagoa estendida verticalmente
e após algumas horas retorna para retirá-la
(tainha, carapeba, saúba, cocoroca e
outros). A malha de pesca desta rede
é 45 mm. O carapicú também é pescado
desta maneira, porém a malha utilizada
é de 25 mm, devido ao seu reduzido tamanho.
|
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Perumbeba
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Rede
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A malha da rede é de 90 mm. O método de captura é igual a mijuada, porém nas
pontas da rede prepara-se um curral.
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Camarão
|
Tróia, Ganchos e Marcas de Barragem (Estacadas ou Correnteza )
|
Espécie
de arrasto bem grande, com dois calões
nas pontas, onde os pescadores puxam
a rede durante 15 minutos e depois colocam-na
dentro da lagoa. Esta pesca é realizada
na área 2, com redes de malha
12mm. O camarão também é pescado
com gancho (parecido com o do carapicu),
somente na área 3. Na área 1 é utilizada
a pesca de correnteza para a captura
do camarão. Os pescadores fixam uma
rede de arrasto de funil em estacas
presas no fundo e o camarão que vem
com a correnteza é capturado pela rede.
|
Fonte:
ONG Viva Lagoa
As
artes de pesca empregadas adaptam-se às características
do ecossistema e da espécie dominante
em cada setor, possibilitando dividir a laguna em três unidades, descritas a seguir:
·
Canal
de Itajuru
Neste
setor predomina a pesca com uso de estacas,
onde madeiras são fixadas no fundo, principalmente
na zona preferencial de escoamento hídrico,
quando as marés vazantes lançam o camarão
pré-adulto de volta para o mar. Nestas estacas,
os pescadores chegam de canoas e giram as
redes para a captura do camarão.
·
da
Enseada Palmeiras ao Boqueirão
Neste
segundo setor, nos locais denominados "Triângulo
do Camarão" e enseada Palmeiras, predomina
a pesca com gancho, tróia e o arrasto de calão.
·
do
Boqueirão ao Final da Lagoa
Neste
trecho predomina a pesca com rede de espera
e gancho. A rede de espera é lançada sempre
à tarde, em pontos de passagem de algumas
espécies de peixes e recolhida ao amanhecer.
O gancho, no local, é empregado para capturar
principalmente tainhas. Neste local, não há
captura expressiva do camarão.
Segue um panorama da
pesca na lagoa de Araruama em 1996, com base
nos estudos do Programa Prólagos. A Praia
do Siqueira é o principal pólo aglutinador
de desembarque do camarão capturado na laguna.
Foi estimada uma captura semanal de 3.500
kg de camarão. Aproximadamente 400 pescadores
exerciam esforço de pesca em 100 embarcações
do tipo bote de fundo chato sem motor, movidos
através de uma vara de bambu.
Em São Pedro da Aldeia,
a localidade de Baixo Grande constitui um
dos principais pontos de desembarque de camarão
e peixes. A concentração de pescadores acontece
em dois locais: na Ponta do Ambrósio e na
Praia Linda. Na primeira há cerca de 100 pescadores
em 25 embarcações, enquanto na praia Linda,
a pesca é desenvolvida por 80 pescadores em
20 embarcações. A captura semanal de camarões
nesta localidade era da ordem de 88kg/dia
e de 230kg/dia de peixes, notadamente de tainha
e carapeba.
A principal comunidade
de pescadores da lagoa está localizada em
São Pedro d'Aldeia, agregando 380 embarcações
e cerca de 1.100 pescadores. Os pescadores
deste local vivem exclusivamente da lagoa,
sem realizar incursões ao mar. Em São Pedro
da Aldeia, as carapebas, tainhas, carapicus
e ubaranas adquirem importância equivalente
ao camarão. Foi estimada uma produção média
de 4.210 kg/mês de camarão e 5.600kg/mês de
peixes (computando-se, para o último, apenas
as capturas em rede de espera). A quarta área
de pesca localiza-se em Iguaba Grande. Nesta
concentram-se, em especial nas proximidades
da Patrulha Rodoviária, cerca de 20 embarcações
que atendem a aproximadamente 40 pescadores.
A pesca é focada na captura de peixes, sendo
a tainha, a carapeba e o parati as de maior
ocorrência. Nos períodos mais piscosos, de
março a junho, captura-se em torno de 300kg/dia
de peixe por embarcação. No município de Araruama
haviam cerca de 60 embarcações, que atendiam
a 120 pescadores. A pescaria é basicamente
de espécies capturadas em rede de emalhar,
das quais se destacam tainhas e perumbebas.
A captura média por embarcação foi estimada
em 200kg.
Coleta de Invertebrados em Manguezais
Em
pequena escala, observa-se a coleta de mariscos
e caranguejos nos mangues de Porto do Carro.
Extração de Sal
O sal marinho é o cloreto
de sódio (NaCl),
que constitui uma das substâncias mais importantes
para o homem. O sal é de uso antiquíssimo.
Eram as medidas de sal que se pagavam o trabalho
dos operários na Roma Antiga, donde a palavra
salário, usada ainda entre nós. O sal é um
importante insumo econômico. Já
foram contados 14 mil usos do sal, dentre
as quais a produção de cloro, soda cáustica,
barrilha, ácido clorídrico, vidro, alumínio,
plásticos, têxteis, borracha, hidrogênio e
celulose, além estar presente na composição
de 104 dos 150 produtos químicos mais importantes.
O
sal é classificado pela Associação
Brasileira de Norma Técnicas - ABNT
em Tipos I, II, III, Refinado, Extra Refinado
e Refinado Úmido, de acordo com os teores
de umidade, cálcio (Ca), Magnésio (Mg),
Sulfato (SO4),
Sulfato de Cálcio (CaSO4),
Sulfato de Magnésio (Mg
SO4), Cloreto de Magnésio
(Cl SO4)
e outras características.
Os principais usos do
sal são mostrados no quadro a seguir.
USOS DO SAL
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REFINADO
|
INDÚSTRIA
QUÍMICA
|
OUTROS
FINS
|
|
Consumo
Humano
|
Soda
Cáustica
|
Pecuária
|
|
Indústria
Alimentícia
|
Cloro
|
Frigoríficos
|
|
Indústria
Química e Farmacêutica
|
Barrilha
|
Charqueadas
|
|
Recuperação
de resinas
|
Celulose
e Papel
|
Salgas
|
|
Indústria
têxtil
|
Borracha
Sintética
|
Curtumes
|
| |
Ind.
Químicas diversas
|
Prospecção
do Petróleo
|
Fonte: Cisal
Os
índios foram os primeiros a utilizarem o sal
produzido pela lagoa de Araruama. A primeira
salina foi implantada somente em 1823. Para
se construir uma salina são necessárias três
condições básicas: proximidade contígua ao
mar, topografia adequada e condições climáticas
favoráveis. A região do entorno da lagoa de
Araruama é reconhecida como uma das áreas
mais propícias para a produção de sal no Brasil,
graças a suas características naturais: existência
de uma lagoa cujo teor de sal é maior que
o do mar; relevo plano, com sol praticamente
todo o ano e um baixo índice de pluviosidade.
As
salinas foram erguidas principalmente na orla
sul e leste da lagoa, nas restingas de Cabo
Frio, Massambaba e sobre os esporões das pontas
do Costa, dos Macacos, Massambaba, Acaíra
e Coroinhas. Na orla norte, elas de concentravam
na costa de São Pedro da Aldeia e no canal
de Itajuru.
O Processo de Extração
O
processo de extração do sal consiste em elevar
a densidade da água pela evaporação até obter
o ponto de precipitação (em torno de 340 ‰).
O sulfato de cálcio (gipsita ou gipso) é depositado
nos primeiros reservatórios e o líquido é
evaporado em sucessivos tanques até que os
sais de magnésio e potássio comecem a depositar.
O sal é recuperado, em seguida lavado com
salmoura e empilhado. Para obter gesso, de
larga aplicação na construção civil, faz-se
à calcinação da gipsita, que com isso perde
¾ de água. De cada tonelada de sal é possível
obter cerca de 76kg de gipsita.
As
salinas da lagoa de Araruama compõem-se de
uma série de tanques de terra, obtidos por
escavação ou endicamento, onde a água se concentra
lentamente pela evaporação natural até a precipitação
do cloreto de sódio.
A
impermeabilização dos tanques é assegurada
por uma fina camada de algas que se formam
naturalmente com o tempo. Os tanques podem
ser divididos em três tipos, segundo sua função:
de carga, evaporadores e cristalizadores.
Os primeiros servem como reservatórios de
alimentação ou depósitos de águas das salinas.
Nos tanques evaporadores a água evapora até
a concentração de 24° Bé, ponto diante do
qual o cloreto de sódio começa a cristalizar.
Nos tanques cristalizadores se dá a precipitação
do sal, permanecendo a salmoura até 30° Bé,
quando então as águas são devolvidas a lagoa
(águas-mãe).
A
água percorre sucessivamente cada um dos tipos
de tanque da salina, indo de um quadro ao
outro, concentrando-se assim cada vez mais.
Uma vez recolhido o sal, ele é posto ao tempo
por algumas semanas, em grandes montes ou
“médas”, para enxugar e em seguida ser armazenado.
Não
se fazendo sentir os efeitos da maré na lagoa,
os salineiros são obrigados a usar, para elevar
a água, bombas movidas por cataventos. A maioria
das salinas não é alimentada diretamente pela
lagoa, mas sim com águas de “valas de minação”,
escavadas paralelamente a orla. A safra de
sal vai outubro a março, podendo-se estender
até julho. A produção de sal por hectare oscilava
nos anos 70 e 80 entre 70 e 150 toneladas.
Uma Breve História
O
sal na lagoa de Araruama era conhecido das
tribos indígenas, que o colhiam de depósitos
naturais. Gabriel Soares de Souza, no livro
“Tratado Descritivo do Brasil em 1587” relatou:
“por essa baía {no caso a lagoa de
Araruama} entra a maré muito pela terra
adentro, que é muito baixa, onde de 20 de
janeiro até todo o fevereiro se coalha a água
muito depressa, e sem haver marinhas, tiram
os índios o sal coalhado e duro, muito alvo,
às mãos cheias, de baixo da água, chegando-lhe
sempre a maré, sem ficar nunca em seco”.
A
Carta Régia de 28 de fevereiro de 1690 proibiu
sua produção para proteger os interesses comerciais
do Reino de Portugal. Mais tarde, monopólios
concedidos a estrangeiros privilegiados impediam
o desenvolvimento da atividade. Somente em
1801 deu-se a liberação por parte da Coroa,
pouco antes da chegada de D. João VI ao Brasil,
que ocorreu em 1808. Por este motivo é que
só no começo do Império iniciou-se a produção
de sal no país. Em 1797, no entorno da lagoa
de Araruama, registros apontam a existência
de nove salinas. Contudo, pode-se considerar
que a primeira salina brasileira de caráter
industrial foi construída em 1823. Trata-se
da salinas Perynas, localizada no esporão arenoso na ponte dos Macacos,
cujo empreendedor foi Luís Lindenberg, oficial
do exército alemão que chegou no Brasil em
1822. Sobre o nome da salina paira um aspecto
pitoresco. Em 1915, Luis Lindenberg, filho
do pioneiro, escreveu no livro “A História
do Sal Fluminense na Lagoa de Araruama”,
que o nome original da salina era perine,
pois o oficial alemão não conseguia pronunciar
o português corretamente, e assim dizia “perine”
ao invés de “perene”, dada a permanente produção
de sal. As terras para implantação da salina
foram doadas a Lindenberg em 22 de maio de
1824 pelo imperador D. Pedro II, mas somente
em 1840 ele obteve o aforamento perpétuo.
Entrementes,
esta iniciativa não logrou grande êxito devido
à tecnologia empregada, de modo que a produção
começou a ganhar novos contornos somente a
partir de 1870, quando o engenheiro francês
Léger Palmer construiu uma salina com tecnologia
francesa em São Pedro da Aldeia, onde hoje
se localiza a salina Mossoró. Em 1885, o português
Luis João Gago construiu a salina “Acahira”,
pelos modelos das salinas portuguesas do Aveiro.
Segundo Alberto Lamego, a produção salineira
na lagoa decolou somente em 1895, com a supressão
da cabotagem estrangeira. EM 1907 contavam-se
50 salinas, numero que saltou para 61 em 1912
e 67 em 1920.
Até
fins do século XIX a lagoa de Araruama foi
o maior produtor de sal do país. Em 1920,
através do Decreto 15.549 de 31 de dezembro,
o Ministério da Guerra autorizou o aforamento
dos terrenos de Marinha no entorno da lagoa
de Araruama. A indústria do sal lagunar floresceu
após a I Guerra Mundial. Por volta de 1930,
contavam-se cerca de 2.100 ha de salinas,
pertencentes a 120 proprietários. No
livro “O Homem e a Restinga”, nas páginas
247 e 248, Alberto Lamego ilustra com fotos
o desembarque de sal no porto de Araruama,
o ensacamento em sacos de 60 quilos e o embarque
nos vagões da Estrada de Ferro Maricá.
Lamego cita que a produtividade das salinas
na época de safra entre outubro a março era
de 70 a 150 toneladas por hectare, conforme
a salinidade da lagoa.
Da
Primeira Guerra até os anos de 1970, a produção
de sal na borda da lagoa de Araruama oscilou
anualmente entre 70 mil a 470 mil toneladas,
consoante as condições climáticas. Além disso,
os produtores estavam sujeitos as quotas estabelecidas
pelo Instituto Nacional do Sal e posteriormente,
pela Comissão Executiva do Sal. As últimas
estatísticas confiáveis mostram que entre
1970 e 1979, a produção anual de sal refinado,
grosso e salmoura industrial variou entre
280 a 470 mil toneladas. Em 1973, o DNPM,
no documento Perfil Analítico do Sal registrava
107 salinas. Segundo dados da extinta Comissão
Executiva do Sal, entre 1946 e 1973, 11 salinas
foram desativadas e, entre 1974 e 1983, nada
menos que 44 tiveram o mesmo destino.
Da metade dos anos 80 para diante houve uma
queda vertiginosa, tachada pelo historiador
Beauclair como “o sal declina sobre o sol”.
A verdade é que, a exceção de poucas empresas
que investiram em tecnologia, a grande maioria
das salinas de Araruama sempre produziram
um sal de qualidade inferior, como comprovam
os estudos dos especialistas Mario Silva Pinto
(1929), Hildebrando de Góes (1934) e Alberto
Lamego (1943).
Através
dos tempos foram criados no Brasil vários
órgãos públicos com a finalidade de organizar
e ordenar a comercialização, preço e qualidade
do sal. O primeiro foi uma Repartição surgida
em 1641 e extinta em 1852. Em 1940, através
do Decreto-lei n° 2.300 de 10 de junho, Getúlio
Vargas criou o Instituto Nacional do Sal -
INS, com a incumbência de organizar os registros
das salinas e dos estabelecimentos da indústria
do sal e regular e estimular a sua produção
e distribuição. No governo de Juscelino Kubitschek,
o INS foi reorganizado, passando a denominar-se
Instituto Brasileiro do Sal - IBS, mediante
a Lei n°3.317 de 13 de maio de 1957.
Dez
anos depois, em 1967, o Decreto-lei n° 57 de 2 de agosto instituiu a
Política
Econômica do Sal, estabelecendo regras relativas
à produção, estocagem, comercialização e industrialização.
Este Decreto-lei extinguiu o IBS e
criou em seu lugar a Comissão Executiva do
Sal - CES, cujo regimento foi aprovado pelo
Decreto n° 62.067
de 1 de maio de 1968. Com sede na cidade do
Rio de Janeiro, a CES tinha Inspetorias Regionais
nos estados do Rio Grande do Norte, Rio de
Janeiro, Maranhão, Ceará e Sergipe. Todas
as salinas eram obrigadas a se registrar na
CES, apresentando para tanto, além de documentos,
plantas nas escalas de 1: 100 a 1:10.000 assinadas
por profissional habilitado do CREA.
Além delas, o registro era obrigatório para
os distribuidores, beneficiadores, cooperativas,
reembaladores, moageiros e refinarias.
A
Comissão perdurou até 1986, quando foi extinta
pelo Decreto n° 93.614 de 11 de dezembro, no Governo
de José Sarney. Ao
longo de sua existência, a CES baixou diversas
resoluções, entre as quais uma que previa
a construção do “canal das salinas”, na lagoa
de Araruama, obra que não foi executado. Uma
das mais importantes foi a Resolução 3/71,
que oficializou nacionalmente as normas da
Associação Brasileira de Norma Técnicas –
ABNT, que tratavam da classificação técnica
do sal e outros assuntos relacionados à qualidade
do produto. Em 1969, através da Resolução
n°1,
a CES firmou um convênio com o setor de Veterinária
da UFF para a montagem e funcionamento de
uma salina experimental em Iguaba, que existe
até hoje.
Situação Atual
Embora
fossem importantes fatores de arrecadação
nas economias municipais, as salineiras ocupam
um percentual de mão-de-obra pequeno em relação
à área ocupada, absorvendo uma parcela mínima
de população economicamente ativa. Muitas
pressionadas pelo setor imobiliário, as pequenas
e médias salinas transformam-se freqüentemente
em condomínios e loteamentos, a maioria não
atendendo as normas de proteção ambiental.
Além disso, é comum o loteamento de áreas
de salinas que antes faziam parte do espelho
d’água da lagoa de Araruama, configurando
uma apropriação irregular de área pública.
Até
pouco tempo, não havia um cadastro confiável
e atualizado das salinas em atividade. Porém,
em abril de 2001, uma pesquisa feita pelo
Sebrae - Baixada Litorânea constatou que o
setor salineiro era formado por 33 empresas,
sendo 15 em Araruama, 15 em Arraial do Cabo
e 3 em São Pedro da Aldeia. Cabo Frio, que no período áureo do
setor teve mais de 20 empresas, hoje não desenvolve
mais a atividade.
Com o projeto de revitalização das
salinas elaborado pelo Sebrae, estas empresas,
que hoje produzem 85.700 toneladas de sal
por ano e rendem perto de R$ 1,7 milhão,
poderiam ter sua produção ampliada para cerca
de 300 mil toneladas e gerar um faturamento
em torno de R$ 6,5 milhões.
Em junho de 2.001 foi reorganizada a Associação Fluminense
dos Salineiros - Aflusal, que até então estava
desativada. A meta da Aflusal é profissionalizar
a exploração com a finalidade de voltar a
produzir o sal em grande escala, começando
pela qualificação da mão-de-obra. A Aflusal
anunciou que pretendia iniciar um cadastramento
de todo o parque salineiro da Região, tendo
como um dos principais focos verificar a situação
das salinas desativadas. Aquelas consideradas
inviáveis para a atividade salineira poderão
ser adaptadas e aproveitadas em outras finalidades
geradoras de riqueza como, por exemplo, parque
turístico ou maricultura, especialmente a
produção do camarão, com o objetivo de impedir
que as salinas sejam transformadas em empreendimentos
imobiliários. De imediato, a Aflusal estuda
disponibilizar duas salinas para visitação
turística: uma em Praia Seca (Araruama) e
outra em Monte Alto (Arraial do Cabo).
Em Cabo Frio encontram-se as fábricas de refino da MOC Empreendimentos
Salineiros (ex-Comapanhia Salinas Perynas),
da Refinaria
Nacional de Sal e da Álcalis. As três
utilizam como insumo energético o gás natural
extraído da bacia de Campos, que lhes chega
através de tubulação da empresa CEG-RIO
(ex-RIOGÁS).
A
Refinaria Nacional de Sal produz o conhecido sal Cisne. Instalada
no esporão da ponta do Costa desde 1949, quatro
anos depois, em 1953, iniciou o refino numa
fábrica comprada na Alemanha, capaz de produzir
50 toneladas de sal por dia. Em 1968, adquiriu
a Salinas Viveiro, já que as instalações da
Ponta do Costa eram insuficientes para o crescimento.
Entre 1972 e 1978, construiu cerca de 90 mil
m3 de tanques em concreto para
o armazenamento de salmoura. Em 1974, iniciou
as operações do primeiro de quatro novos evaporadores
da Usina II, que possibilitou novo aumento
de produção. Em 1981, com o objetivo de suprir
suas necessidades crescentes de energia, fundou
a Agropecuária São Pedro do Una, em São Pedro
da Aldeia - RJ, para a produção de eucaliptos
para alimentar suas caldeiras. Seis anos depois,
em 1987, foi construída a Usina III, para
a fabricação do sal Clipper. A Refinaria contava
em 2001, com um quadro de 775 funcionários,
uma capacidade instalada de 34.080 toneladas/mês
e produtiva de 21.000 toneladas/mês.
A
MOC Empreendimentos Salineiros conta com uma
área de 400 ha e uma refinaria onde faz a
recristalização de sal exclusivamente produzido
na região. As marcas comercializadas são Moc,
Biosal e Lightsal. Atualmente dispõe
de 260 funcionários. As características da
produção de sal da CNA são apresentadas adiante.
Extração de Conchas
Além de ser hipersalina,
a lagoa de Araruama tem como característica
marcante os grandes depósitos de conchas calcárias
em seu leito. A extração de conchas na lagoa
era praticada desde o fim do século XIX, de
forma rudimentar, visando à produção de cal
e a alimentação de animais. É provável que
no período colonial, os sambaquis, outrora
abundantes na região, tenham sido os primeiros
depósitos de calcários aproveitados para fabricação
de cal.
As conchas eram retiradas
manualmente apenas nas áreas rasas. Os trabalhadores,
imersos até a cintura, enchiam os cestos de
palhas com auxílio da enxada ou pás, sacudiam-no
para retirar a areia e lançavam as conchas
nos barcos, que as levava até a margem e daí
eram transportados para as caieiras.
Nas margens da lagoa se encontravam várias
caieiras, constituídas por um forno primitivo,
no qual as conchas eram misturadas
com carvão vegetal e turfa, queimadas e trituradas,
visando a produção de cal, processo este que
resulta do desprendimento de gás carbônico.
Nos idos da década de 30 do século XX chegaram
os motores de sucção, ampliando a capacidade
de retirada de conchas.
Em
1929 foi patrocinado pela Companhia de Cimento
Perus, de São Paulo, o primeiro estudo técnico
visando um aproveitamento das conchas em escala
industrial para fabricação de cimento. Foi
avaliando um volume de 44,3 milhões de m³
de conchas, o equivalente a 37 milhões de
toneladas. Coordenado pelos engenheiros Donald
Derron e J. Woodges, o estudo contou com a
participação do Escritório Técnico Lincoln
Continentino, encarregado das sondagens. A
análise laboratorial das amostras coube ao
Laboratório de Produção Mineral do Ministério
da Agricultura e a empresa Serrana S.A.
Somente
a partir de 1959, com a entrada em operação
da Cia Nacional de Álcalis - CNA, a lavra
assumiu escala industrial. No inicio do ano
2000 a exploração de conchas da lagoa de Araruama
era realizada também pela Indústria Extrativa
Araruama e por três pequenas empresas, para
o qual trabalhavam vários barcos retirando
conchas. Além da CNA, cujo primeiro decreto
de lavra data de 1951, somente a Extrativa
Industrial de Araruama e as três pequenas
empresas mencionadas detinham autorização
para explorar conchas, expedida pelo Departamento
Nacional de Produção Mineral – DNPM.
Devido aos impactos
negativos da atividade, a FEEMA determinou
a paralisação definitiva da extração em 2003.
Do início do século XX até 2003, estima-se
que foram retiradas em torno de 12 a 14 milhões
de toneladas de conchas do fundo da lagoa.
A
Companhia Nacional de Álcalis
Durante
a Segunda Guerra Mundial, o colapso do fornecimento
de álcalis sódicos no mercado nacional, ameaçando
a paralisação de diversos setores da economia,
deixou patente a necessidade de dotar o país
de auto-suficiência na produção dessas matérias
primas. Em 26 de maio de 1942, o Presidente
Getúlio Vargas aprovou uma resolução do Conselho
Federal de Comércio Exterior, ordenando que
o Instituto Nacional do Sal iniciasse estudos
para o estabelecimento de uma indústria de
álcalis no Brasil. Para dar cabo a missão,
o INS organizou a Comissão Nacional da Soda
que empreendeu estudos entre julho de 1942
e junho de 1943. O estudo envolveu análises
técnicas e econômicas e viagens de inspeção
ao Ceará, Rio Grande do Norte, Alagoas, Sergipe
e Rio de Janeiro. Optou-se pela instalação
da fábrica em Cabo Frio (atual Arraial do
Cabo), por dispor das matérias-primas (calcário
de conchas e sal), água doce, água do mar
para fins de refrigeração, porto, terrenos
adequados para silvicultura (bacia do rio
Una) e ser servida de estradas de ferro e
de rodagem.
Em
20 de julho de 1943, o Decreto-lei n° 5.684
autorizou a criação da Companhia Nacional
de Álcalis e, em 29 de outubro do mesmo ano,
o Decreto Federal n° 1.690 declarou de utilidade
pública para fins de desapropriação, os terrenos
em Cabo Frio (atual Arraial do Cabo) para
implantação da empresa. Tendo decidido sobre
a localização da fábrica em Cabo Frio, a Comissão
da Soda e mais tarde a CNA, realizaram diversas
atividades como levantamento topográfico e
estudos de transporte, abastecimento de água,
lançamento de efluentes de esgoto, matérias-primas
(sal, cal, sulfato de amônia, combustível),
além de concluírem o projeto da fábrica e
da cidade industrial.
As dificuldades para
obter a tecnologia para implantar a fábrica,
aliado ao término da guerra com a conseqüente
normalização do comércio internacional, adiaram
o projeto por vários anos. Somente em
12 de dezembro de 1951, a Lei n° 1491 autorizou
a União a adquirir, integralizar e subscrever
as ações da Companhia Nacional de Álcalis.
Coube ao Tenente-Coronel Alfredo Martins a
tarefa de obtenção dos capitais europeus que
viabilizaram o empreendimento, ao qual se
somaram recursos do então Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico - BNDE, atual BNDES.
Depois de demoradas negociações, em 6 de março
de 1953 foram assinados os contratos do Governo
brasileiro com as firmas francesas Krebbs
& Cie e CIAVE, em cerimônia realizada
do Palácio Rio Negro, em Petrópolis. Somente
em 8 de abril de 1960, com a fábrica finalmente
implantada após 17 anos da iniciativa pioneira,
foi finalmente produzida a primeira barrilha
nacional.
A CNA ocupa uma vasta
área no município de Arraial do Cabo. A unidade
industrial de barrilha tem capacidade para
produzir até 220 mil toneladas por ano. Suas
instalações compreendem a fábrica propriamente
dita, cidade industrial, porto e canal com
eclusas para trânsito de barcaças entre a
lagoa e o porto. Dispõe ainda dos equipamentos
necessários para a lavra e transporte das
conchas como dragas, barcaças e embarcações
de apoio. Em 1995, o parque fabril foi ampliado
com instalação de uma refinaria de sal. Em
julho de 1992, a CNA foi privatizada, sendo
seu controle acionário adquirido pelo grupo
Fragoso Pires. Neste mesmo ano, a empresa
submeteu a FEEMA um Estudo de Impacto Ambiental
com a finalidade de obter o licenciamento
para a atividade de exploração de conchas.
A
Álcalis é atualmente a maior produtora de
sal do Brasil e a única produtora de barrilha
da América do Sul. Na linha de barrilha, desenvolve
2 tipos de produtos: densa e leve. O sal marinho
utilizado como matéria-prima na fabricação
da barrilha é produzido nas salinas da Álcalis
no Rio Grande do Norte e é transportado por
navios da Frota Oceânica e Amazônica, empresa
do mesmo grupo proprietário, para o Porto
do Forno em Arraial do Cabo. As salinas da
Álcalis são as maiores do país e estão localizadas
nos municípios de Macau e Mossoró, no Rio
Grande do Norte. Somam um total de 9 mil hectares
de área de evaporação e mais de 700 hectares
de cristalizadores, onde são produzidos até
2 milhões de toneladas de sal por ano. Este
total representa 40% da produção de sal marinho
do Brasil, conforme dados do DNPM. As marcas
comercializadas são Monarca, Marlin
para Churrasco, Marlin, Ema, Boiadeiro,
Luzente e Navio.
A
matéria prima para fabricação da barrilha
(Na2Co3)
é o carbonato de cálcio (CaCo3)
das conchas. Este é submetido a uma reação
com o cloreto de sódio (NaCl),
conhecido como sal marinho. A barrilha é um
insumo utilizado na fabricação de vidro, detergentes,
sabões, papel, celulose, fertilizantes, tecidos,
gases e couros, além do tratamento de água,
metalurgia e siderurgia (alumínio). Apresenta-se
sob a forma de pó ou granulado.
A
CNA detinha as concessões de lavra para exploração
de conchas na lagoa de Araruama, apresentadas
no quadro abaixo.
CONCESSÕES DA CNA
|
ÁREA
|
DECRETOS
DE CONCESSÃO
|
DATA
|
D.O.
DA UNIÃO
|
SUPERFÍCIE
(ha)
|
|
A
|
29.301
|
22/02/51
|
-
- -
|
9.972,50
|
|
B
|
74.392
|
12/08/74
|
13/08/74
|
1.848,50
|
|
C
|
75.931
|
03/07/75
|
04/07/75
|
1.759,54
|
|
D
|
75.396
|
03/07/75
|
04/07/75
|
3.763,05
|
Fonte:
CPRM (1984)
As
primeiras áreas exploradas pela CNA datam
de 1959. Em 1980, a CNA contratou a Companhia
de Pesquisas de Recursos Minerais - CPRM,
para dimensionar as reservas de calcário de
conchas em sua área de concessão. Realizada
entre janeiro de 1981 e novembro de 1984,
a pesquisa avaliou que, em 1984, as reservas
remanescentes de conchas seriam da ordem de
10,5 milhões de toneladas, considerando neste
cálculo as áreas rasas. O Plano de Lavra elaborado
pela CPRM dividiu a lagoa em 12 blocos de
exploração e estimou o esgotamento da jazida
para o ano de 2.011, após 27 anos de vida
útil. De acordo com a CNA, entre 1959 e dezembro
de 1991 foi lavrado um total de 7,2 milhões
de toneladas de conchas, com média mensal
de 30 mil toneladas. Deste modo, estima-se
que entre 1959 e 20001, cerca de 10,8 milhões
de toneladas de conchas foram extraídas de
ininterrupta do fundo da lagoa de Araruama.
A extração e beneficiamento
primário das conchas dos depósitos eram realizados
por dragas “alcatruzes”, que eram rebocadas
por barcos até os locais de lavra. As dragas
tinham 55 metros de comprimento e operavam
entre 2,0 a 7,0 metros de profundidade, sendo
esta limitação relacionada ao calado e ao
tamanho da lança da coroa. O método de lavra
consistia de uma série de caçambas interligadas,
formando um rosário ou coroa, que girava em
torno de uma lança retirando o material no
fundo, trazendo até a superfície, tal qual
uma pá-carregadeira. Por minuto, cada
caçamba retirava 3,8m3 de material.
O beneficiamento primário era feito nas próprias
dragas, através de duas peneiras que retiravam
70 % do material fino sem interesse e as conchas
grandes. Após passar pela segunda peneira,
o material aproveitável seguia por correia
transportadora até uma barcaça estacionada
ao lado da draga, que, após carregada, se
deslocava para o porto. O material sem interesse
era descartado no próprio local da exploração.
As
13 barcaças eram de aço com fundo chato, medindo
37 x 7m. No pátio do porto de desembarque,
as conchas eram lavadas com água salgada quente
sob uma peneira para a retirada de impurezas.
Em seguidas eram lavadas com água doce para
eliminação de cloretos. O material que sobrava
das lavagens, basicamente areia misturada
com argila e fragmentos de conchas, era estocado
em pátios e vendido ou cedido para Prefeituras
ou particulares para utilização em aterros
e outros usos na construção civil. As conchas
seguiam então para serem a fábrica. As duas
dragas de alcatruzes retiravam cerca de 1.000
toneladas de conchas por dia.
Em
março de 2.000, foi assinado um Termo de Ajustamento
de Conduta (TAC) com a FEEMA, no qual ONG’s
participaram do processo de negociação. O
TAC previa a realização de diversas atividades
pela CNA, do qual se destacam: (i)
A utilização progressiva de calcário de rocha
para fabricação de barrilha, encerrando a
extração de conchas em março de 2.002; (ii)
lavra de conchas somente com a utilização
exclusiva de dragas alcatruzes, sendo proibido
a draga de corte e sucção (iii) e aproveitamento
da draga de sucção para serviços de desobstrução
de esporões, engordamento de praias, retirada
de marnéis, dragagem de áreas assoreadas e
outras obras de melhoria ambiental.
Atualmente,
a draga de corte e sucção da CNA opera com
apoio do Consórcio na dragagem dos canais
da lagoa.
A
Extrativa Industrial Araruama e as Pequenas
Empresas e Garimpeiros
A
empresa Extrativa Industrial Araruama detinha
um “Grupamento Mineiro” de sete concessões
de lavra de conchas, totalizando 2.800 ha
na lagoa de Araruama. O Grupamento encontra-se
descrito no processo do Departamento Nacional
de Produção Mineral GM/DNPM 800/383/72, publicado
no Diário Oficial da União de 13/04/73, e
é composto pelas áreas apresentadas no quadro
abaixo.
CONCESSÕES DA EXTRATIVA INDUSTRIAL ARARUAMA
|
Número
do Processo no DNPM
Departamento
Nacional de Produção Mineral
|
Decretos
de Concessão
|
Data
|
| |
10.121
|
31.07.42
|
|
5239/39
|
10.122
|
31.07.42
|
| |
10.183
|
05.08.42
|
|
619/41
|
36.419
|
04.11.44
|
| |
36.420
|
04.11.44
|
|
1040/55
|
59.328
|
29.09.66
|
Fonte: Extrativa Industrial Araruama
A
empresa retirou desde 1942, até 2003, mensalmente,
cerca de 1.000 m³ de conchas o que totaliza
algo em torno de 600 mil toneladas. Em 1995
submeteu a FEEMA um Plano de Controle Ambiental
(PCA), obtendo a licença para operar. Diversas
pequenas empresas e garimpeiros autônomos
extraem conchas através de dragas de sucção.
Em 1991, a CNA celebrou contrato com 17 pequenas
empresas extrativas que existiam há mais de
trinta anos, possibilitando que estas continuassem
as suas atividades na sua área de concessão.
O equipamento utilizado por estes empresas
é mais eficiente em águas rasas, sendo que
era comum à presença de dragas de sucção próximas
às praias.
Em
1991 atuavam 23 barcaças, retirando cerca
de 300 toneladas/mês. O destino da produção
era a fabricação de ração balanceada para
utilização em granjas avícolas e o paisagismo.
No início de 2.000 haviam somente três pequenas
empresas, a Walo Mineração Ltda, a Moagem
Progresso e a Itã Comércio e Indústria de
Ostras, que operavam como apoio de barcos
de prestadores de serviço.
Em
outubro de 2.000, estas empresas e mais a
Extrativa Industrial Araruama, assinaram um
Termo de Ajustamento de Conduta com a FEEMA,
no qual ficaram estabelecidas as seguintes
condições:
·
Não realizar a extração de conchas
calcárias nas áreas rasas da lagoa de Araruama
e nas de profundidade superior a 07 (sete)
metros’, entendendo-se por áreas rasas aquelas
que tenham profundidade inferior a 02 (dois)
metros e que estejam a menos de 500 quinhentos
metros da orla.
·
Os blocos a serem dragados e
as posições das dragas deverão respeitar as
áreas de lavra concedidas constantes no processo;
·
As explorações deverão ser feitas
com as barcaças em andamento, e respeitada
a distância mínima de 500 metros entre si.
·
O horário de funcionamento deverá
ater-se impreterivelmente aos dias úteis,
das 5:00 às 15:00hs, entendendo-se por funcionamento,
da saída da embarcação até seu retorno ao
cais da empresa.
O
documento estabeleceu ainda que em outubro
de 2002 deveriam ser encerradas as atividades
de extração de concha. Contudo, graças a mandatos
judiciais, as empresas permaneceram lavrando
até 2003.
Esportes Náuticos
A
lagoa de Araruama é uma das melhores raias
do Estado para a prática de esportes náuticos.
Até alguns anos atrás, tendo sediado importantes
campeonatos nacionais.
A
constância dos ventos, o amplo espelho de
água, a total segurança e os cenários deslumbrantes
fazem da lagoa um espaço ideal a pratica de
windsurf e diversos outros esportes náuticos.
Uma
modalidade de esporte aquático recém introduzido
na lagoa é o kitesurf. Clique aqui para ver
algumas cenas do esporte na lagoa.
Recreação e Turismo
A
lagoa de Araruama encontra-se inserida na
Região dos Lagos, que é a maior área
de recreação e lazer da população do Estado,
superando outros pólos como as baías Ilha
Grande e Sepetiba e a região serrana.
O entorno da lagoa goza
de clima privilegiado para a recreação e o
turismo, com altas taxas de insolação e baixa
pluviosidade. Aliado a isso, as atrações naturais
motivam o lazer e a recreação e estimulam
o grande afluxo de veranistas. O desenvolvimento
econômico da região esta intimamente relacionado
à qualidade ambiental da lagoa de Araruama.
Mas, infelizmente, nem todos percebem isto.
No setor de recreação,
lazer e turismo, notam-se duas tendências:
o veraneio e o turismo propriamente dito.
O veraneio, também denominado “turismo de
segunda residência”, é polarizado pela Região
Metropolitana do Rio de Janeiro. Constitui
o principal fator de desenvolvimento do comércio
e da construção civil, sem contudo propiciar
o aparecimentos de serviços turísticos e de
mão-de-obra especializada. Hoje bairros inteiros
de segunda residência existem nas cidades
da bacia, sendo detectado um processo de fusão
das cidades ao longo da orla norte da lagoa,
no eixo a partir de Araruama, passando por
Iguabinha, Iguaba Grande, São Pedro e Cabo
Frio.
Dezenas
de loteamentos surgiram a partir de 1950,
quando a região começou a se firmar como pólo
de recreação e lazer. Mas foi a partir da
inauguração da Ponte Rio-Niterói, em 1974,
que eles se multiplicaram. Muitos desses loteamentos,
estabelecidos na beira da lagoa, acarretaram
o aterro de brejos, a eliminação de vegetação
fixadora de dunas, o lançamento de esgotos
in-natura e de resíduos sólidos nos corpos
d'água, dando origem assim a inúmeros problemas
ambientais que tendem a inviabilizar não só
a dinâmica desses ecossistemas como a própria
sobrevivência da atividade turística e de
veraneio. A poluição e assoreamento, a ocupação
irregular de margens de rios e lagoas, a urbanização
de áreas geotécnicas ou ecologicamente vulneráveis
são alguns dos desafios postos para as diferentes
agências governamentais.
Na
bacia, o processo de implantação do turismo
de segunda residência não foge ao padrão verificado
no país. A experiência tem mostrado que os
benefícios deste tipo de empreendimento, na
forma de geração de empregos e arrecadação
de IPTU não compensam os problemas que acarretam,
tal como a excessiva demanda sazonal de água,
energia elétrica e de tratamento de esgoto
no verão.
Alguns
municípios da bacia vêm perdendo seus atrativos.
Há lugares onde se verifica a desvalorização
imobiliária. Assim, estes investimentos não
trazem o retorno desejável ao desenvolvimento
regional, e jamais podem ser estimulados para
se constituir no único vetor de crescimento
econômico.
O turismo propriamente
dito na lagoa de Araruama, caracterizado por
uma permanência rápida e de desfruto intensivo
da região e de suas instalações, é ainda pouco
desenvolvido devido a falta de organização
e de investimentos em infra-estrutura de lazer,
hospedagem e mão-de-obra especializada. Na
lagoa de Araruama, há pouca exploração de
lazer e esportes náuticos e passeios com embarcações,
apesar do imenso potencial. Até recentemente,
eram promovidos festivais nacionais de regatas
na lagoa de Araruama.
Um
investimento anunciado é o da Ilhas Perynas
Resort, empreendimento turístico da MOC Empreendimentos
Salineiros S.A. e da AGM Empreendimento Turísticos
e Hoteleiros Ltda, empresa do grupo Andrade
Gutierrez. O Resort ocupará uma área total
de 94 ha (944.000 m²), situada no esporão
da ponta dos Macacos, no município de Cabo
Frio, próximo ao Boqueirão.
Consta
o empreendimento de marina dotada de canais
para acesso de embarcações, 1.322 unidades
habitacionais localizadas nas ilhas criadas
artificialmente e na área continental, um
apart-hotel com equipamentos coletivos, de
comércio, serviços, esporte e administração.
Da superfície total de 94ha, serão transformados
em espelho d’água cerca de 33 ha, destinados
aos canais e a marina. Os canais possibilitarão
a navegação de veleiros, catamarãs e embarcações
similares. A população total estimada é de
4.370 habitantes, incluindo os empregados.
Na área onde será implantado o empreendimento
encontram-se concentradores de sal que serão
desativados.
Em
1991 o empreendedor submeteu a FEEMA um Estudo
de Impacto Ambiental (EIA), obtendo a Licença
de Operação. Dentre as medidas recomendadas
no EIA, destacam-se: plano de monitoramento
dos processos de erosão e sedimentação; programa
de monitoramemto da qualidade da água da lagoa
de Araruama; programa permanente de gestão
ambiental; implantação de horto experimental
para paisagismo; projeto paisagístico com
espécies nativas; estudos de solos, flora
e avifauna; monitoramento da eficiência de
remoção da ETE; reserva de área para tratamento
terciário; elaboração do Manual de Operação
da ETE; implantação de sistemas de separação
de óleo e elaboração de normas operacionais
e coleta seletiva de lixo.
Uso Medicinal
Em
alguns pontos do leito da lagoa há uma lama
de valor medicinal, como demonstrou exame
realizado em 1961 na Fundação Oswaldo Cruz.
O laudo técnico recomendou a utilização da
lama em fungoterapia ou banho de lama para
auxiliar no tratamento de doenças de pele
e reumática. Até alguns anos atrás era comum
a presença de banhistas cobertos de lama nas
praias da lagoa.
Transcreve-se
o laudo a seguir: “O material é constituído
de massa pastosa, de coloração negra, cheiro
forte de gás sulfídrico e reação alcalina
ao tornassol. A microscopia mostra presença
de detritos orgânicos e bactérias constituídas
principalmente por germes de várias espécies.
Uma análise qualitativa revela abundância
de hidrogênio sulfuroso (H2S).
Não foi encontrada radioatividade. A lama
apresenta caracteres que permitem usá-la e
utilizá-la em fungoterapia ou banho de lama,
preconizado em doenças de peles e doenças
reumáticas. O banho de lama ou fungoterapia
possui efeitos terapêuticos interessantes:
mobiliza e elimina os depósitos de uratos
artríticos, aumenta o teor de ácido úrico
urinário, aclama as dores e provoca rubefação
local, efeito curativo no reumatismo infeccioso.
Nas doenças cutâneas consegue eliminar eczemas
e certas formas de alergia”. Sobre a fração
mineral da lama o laudo não se pronuncia.
Releva mencionar que a lama do Mar Morto,
um ecossistema também altamente salino, é
comercializada para tratamento de pele em
Israel.
Áreas Protegidas
As
áreas protegidas que abarcam parte da orla
da lagoa são as APA’s de Sapiatiba e de Massambaba,
a Reserva Ecológica de Massambaba
e o Campo Experimental da UFF.
Aeroporto
Municipal de Cabo Frio
Situado
próximo a praia do sudoeste, as margens da
enseada de Tucuns, o aeroporto de Cabo Frio
dista 6,5 km do centro desta cidade e 4 km
de Arraial do Cabo. Foi projetado para no
futuro atender demandas de vôos internacionais,
podendo alcançar Buenos Aires. A área do sítio
aeroportuário possibilitará futuramente a
operação de aeronaves F-100 e B737/300. No
primeiro momento, as aeronaves previstas são
o BEM-120, F-27 e F-50. Construído em 1998,
em área cedida pela Cia Nacional de Álcalis,
o aeroporto de Cabo Frio ocupa uma área total
de 300 ha, sendo que destas, 200 ha se mantém
como vegetação de restinga que será preservada.
O talude do aeroporto tem altura de 1,5 metros,
com aproximadamente 1.500 metros de comprimento
por 50 m de largura. O material arenoso (350.000
m³) para construção do talude (aterro hidráulico)
foi extraído do fundo da lagoa de Araruama,
criando um canal que possibilita o acesso
de embarcações ao aeroporto.
As
características principais do aeroporto são
as seguintes:
|
·
Área Patrimonial:
|
140,47
ha
|
|
·
Pista
de pouso:
|
1.700m
x 30 m
|
|
·
Pistas
de táxi:
|
1.370m
x 18m e 170m x 18m
|
|
·
Pátio
de aeronaves:
|
500m
x 93m
|
|
·
Terminal
de passageiros
|
5.000
m²
|
|
·
Áreas
Comerciais:
|
60.000
m²
|
A
Secretaria de Estado de Transportes – SECTRAN
elaborou em 1998 um Estudo de Impacto Ambiental
(EIA) do Aeroporto de Cabo Frio (Processo
E07/200104/98), obtendo a Licença de Operação
da FEEMA. Dentre as medidas recomendadas no
EIA, destacam-se (i) Instalação
do sistema separador de óleo; (ii) Implantação
do sistema de tratamento de esgoto; (iii)
Estabelecimento de parceria entre a Secretaria
de Estado de Transporte e a Prefeitura de
Cabo Frio no sentido de viabilizar o Plano
de Manejo do Setor B do Parque das Dunas,
a ser coordenado pela organização AMA Cabo
Frio; (iv) Implementação do Programa de Gestão
Ambiental, composto de diversas ações, dentre
as quais Programa de monitoramento da qualidade
da água da lagoa de Araruama; Programa de
monitoramento da circulação das águas e transporte
de sedimentos da margem da lagoa de Araruama;
Programa de Educação Ambiental; Programa de
Coleta Seletiva de Lixo; Programa de monitoramento
dos níveis de poluição sonora; Programa de
contingência para prevenção de acidentes com
combustíveis e Projeto de re-localização do
aterro sanitário municipal em consonância
com a Resolução CONAMA 04/95l.
Base Aeronaval de São Pedro da Aldeia
Em 1956, através do Decreto
39.411 de 15 de junho de 1956, o Governo Federal
desapropriou uma área de 1.051 ha em São Pedro
da Aldeia, para implantação do Centro de Instrução
e Adestramento Aeronaval do Ministério da
Marinha. Dois anos depois, em 1958, mediante
o Decreto Federal 43.923 de 23 de junho, desapropriou
uma área contígua, no mesmo município, com
cerca de 203,25 ha. A Base Aeronaval de São
Pedro esta subordinada ao Comando da Força
Aeronaval, também sediado em São Pedro da
Aldeia, junto com o Centro de Instrução e
Adestramento Aeronaval e o Depósito Naval
de São Pedro da Aldeia. Hoje com 1.700 ha,
a Base compreende um importante empreendimento
militar. Dispõe de um aeroporto com pista
de 1.700 metros de comprimento, que será ampliada
para 2.400m. O efetivo da Base é em torno
de 2 mil homens. Divide com Puerto Belgrano,
na Argentina, o título de maior base aeronaval
da América Latina.
A
Base abriga aeronaves (aviões e helicópteros)
da Força Aeronaval, quando não estão no porta-aviões
São Paulo. Em 1998, a Base recebeu 23 aviões
de interceptação e ataque A-4 Skyhawk, fabricados
pela empresa americana Lockheed. Os caças,
que alcançam a velocidade de 1.100 km por
hora, realizam treinamento no espaço de testes
aeronáuticos, que vai de Saquarema a Rio das
Ostras. Rebatizados de AF-1, os jatos custaram
US$ 83 milhões e foram adquiridos do Kuwait.
Com respeito aos helicópteros, estes realizam
exercícios operativos com os fuzileiros navais
ou embarcados nos navios da Esquadra e das
Forças Distritais. Também participam de comissões
hidrográficas em navios da Diretoria de Hidrografia
e Navegação, nas Operações Antárticas e, ainda,
em diversas missões de apoio, destacando-se
as de caráter humanitário, tais como as de
busca e salvamento e as de transporte em programas
sociais do governo federal. As aeronaves da
Base encontram-se organizadas em esquadrões,
do seguinte modo:
|
Esquadrão
|
Aeronave
|
|
1
Esquadrão de Aviões de Interceptação
e Ataque
|
Skyhawk
|
|
1
Esquadrão de Helicópteros de Ataque
|
Lynx
|
|
1
Esquadrão de Helicópteros Anti-Submarinos
|
Sea
King
|
|
1
Esquadrão de Helicópteros de Emprego
Geral
|
Esquilo
|
|
2
Esquadrões de Helicópteros de Emprego
Geral
|
Super
Puma
|
|
1
Esquadrão de Helicópteros de Instrução
|
AB-206
|
|