Regiões e Bacias Hidrográficas

 

Lagoas da Restinga de Massambaba

 

Na restinga de Massambaba, no entorno da lagoa de Araruama, encontram-se as lagoas de Jaconé Pequena, Vermelha, Pitanguinha, Pernambuca e Azul, além dos Brejos do Pau Fincado, Espinho, Grande e do Mosquito. A exceção das lagoas de Jaconé Pequena e Azul, todas elas aninham-se entre as duas faixas de areia que formam a restinga de Massambaba. Nenhuma lagoa conecta-se com o mar.

 

CARACTERÍSTICAS DAS LAGOAS E BREJOS DA RESTINGA DE MASSAMBABA

LAGOA

ANO

ÁREA

(km²)

 

PERÍ-METRO

(km)

 

COMPRI-MENTO

(km)

LARGURA MÁXIMA

(m)

TIPO DE ÁGUA

Jaconé Pequena

1956 (1)

0,59

3,33

1

800

doce ou ligeiramente salobra

Vermelha

1962 (1)

2,5

10,88

4,3

750

salgada

Pitanguinha

1956 (1)

0,55

3,5

1,5

750

salgada

Pernambuca

1956 (1)

1,89

12,34

5

550

salgada

Azul

1966 (2)

0,28

2,12

0,8

600

salgada

Fonte: Bidegain e Bizerril – Lagoa de Araruama. Projeto Planágua SEMADS/GTZ.2002

Notas

 

(1)

Dimensões calculadas a partir da carta Araruama do IBGE (escala 1:50.000) elaborada a partir de aerofotografias de 1956

(2)

Dimensões calculadas a partir da carta Cabo Frio do IBGE (escala 1:50.000) elaborada a partir de aerofotografias de 1966

 

 

Lagoas de Massambaba em 1929. Os quadriculados são as salinas. 

Fonte: Mapa da Lagoa de Araruama – Serviço Geológico e Mineralógico do Brasil.

 

Lagoa de Jaconé Pequena

 

A lagoa de Jaconé Pequena, inserida no município de Saquarema, encontra-se em avançado processo de tornar-se um brejo, devido às valas de drenagem que a une à lagoa de Araruama e ao rio do Congo. Em 1929, medições executadas pela Comissão de Saneamento da Baixada Fluminense indicaram que o nível da lagoa estava 0,75m acima do nível da lagoa de Araruama e 0,39m acima do nível da Vermelha, que lhe é vizinha. Situa-se dentre de propriedade particular e suas margens são rodeados por capim. Tem água doce. Fauna e flora desconhecida. A Lei Orgânica de Saquarema declarou a lagoa de Jaconé Pequena como “Área de Relevante Interesse Ecológico” (art 206, III), estabelecendo ainda que são de preservação permanente a vegetação nativa de sua faixa marginal (art 205, III).

 

Lagoa Vermelha

 

A lagoa Vermelha, situada nos municípios de Araruama e Saquarema, é a que tem as águas mais salgadas do Estado, em torno de 100‰. Trata-se da maior lagoa da restinga de Massambaba, com área aproximada de 2,5 km2. De acordo com estudos da UFF, a profundidade média da lagoa é de 1m, com volume de 3 milhões de m3. O tempo estimado para a lagoa renovar metade de seu volume é estimado em 194 dias. Seu nome deriva da coloração de tapetes de cianobactérias (algas cianofícias) que cobrem o fundo em camadas que chegam a atingir um metro de espessura, estando porem ausentes na parte central da lagoa. A lagoa recebe água do mar por infiltração e água do subsolo. Também recebe águas da chuva, que causam uma variação abrupta do nível da água, alterando a salinidade. Apesar desta característica, pequenos peixes e mariscos conseguem viver na lagoa. Fauna e flora desconhecida. Encontra-se duplamente segmentada por marnéis. Liga-se a lagoa de Araruama através de uma vala por dentro das salinas. Núcleos residenciais próximos às margens são observados apenas nos extremos oeste e leste. A margem sul está bem conservada. Seus usos são basicamente a valorização paisagística, a extração de sal, o banho e a manutenção da fauna e flora aquática.

 

A Lei Orgânica de Araruama declarou ser de preservação permanente o espelho d’água da lagoa Vermelha (art 180, I), enquanto a Lei Orgânica de Saquarema estabeleceu como de preservação permanente a vegetação nativa de faixa marginal da lagoa (art 205, III). 

 

 

Lagoa Pitanguinha

 

A lagoa Pitanguinha, localizada no município de Araruama, é cercada por salinas em mais de dois terços de seu perímetro, contendo marnéis em seu interior que a segmentam em vários pedaços. Foi bastante danificada pelas salinas. Fauna e flora totalmente desconhecida.  Encontra-se ameaçada pelo avanço da urbanização e pela atividade salineira. Seus usos são basicamente a valorização paisagística, extração de sal, o banho e a manutenção da fauna e flora aquática. A Lei Orgânica de Araruama declarou como de “preservação permanente” o espelho d’água da lagoa Pitanguinha (art 180, I), além de classificá-la como “Área de Relevante Interesse Ecológico” (Art. 180, § 1º, II)

 

Lagoa Pernambuca

 

A lagoa Pernambuca, também em Araruama, tem formato alongado, sendo constituída por uma séria de pequenos bolsões separados por pontas. No canto leste está um canal que a conecta com a lagoa de Araruama, com cerca de 300m, com saída na praia dos Nobres. A lagoa Pernambuca foi muito danificada pelas salinas que lhe ocupam a margem norte, cujos marnéis a secionam em três partes desiguais. O marnel mais a leste serve como ponte unindo a margem norte a uma salina abandonada em processo de loteamento, ao sul. Os outros dois marnéis mostram árvores na parte emersa. Além de salinas, a margem norte vem sendo ocupada por residências. Já a margem sul tem dunas e está mais bem preservada. Fauna e flora desconhecida. Altamente ameaçada pela urbanização e pelas salinas. Seus usos são basicamente a valorização paisagística, a extração de sal, o banho e a manutenção da fauna e flora aquática. A Lei Orgânica de Araruama declarou como de “preservação permanente” o espelho d’água da lagoa Pernambuca (art 180, I), além de classificá-la como “Área de Relevante Interesse Ecológico” (Art. 180, § 1º, II). Termo de Ajustamento de Conduta assinado em abril de 2002 entre o Ministério Público, a Secretaria estadual de Meio Ambiente e a Superintendência Estadual de Rios e Lagoas (Serla), estabelece que no máximo até abril de 2004 deverão estar concluídos os estudos e a delimitação da faixa marginal da lagoa Pernambuca.

 

Lagoa Azul

 

A Lagoa Azul esta situada em Arraial do Cabo, próxima ao canal da Cia Nacional de Álcalis, em área que tem sido mantida preservada pela empresa. Tem um formato arredondado e é muito rasa. Seu espelho de água diminui bastante no inverno. Encontra-se em bom estado, com margens preservadas contendo vegetação de restinga e sem nenhuma ocupação. Uma estrada de terra de uso restrito passa próximo a sua margem leste. Fauna e flora desconhecida. A Lei Orgânica de Arraial do Cabo declarou a faixa marginal de proteção da lagoa Azul como de preservação permanente (Art. 184, II).

 

Lagoa Salgada e Brejos do Pau Fincado, Espinho, Mosquito e Grande

 

A lagoa Salgada e os brejos do Pau Fincado e Espinho situam-se em Arraial do Cabo, no interior da Reserva Ecológica de Massambaba. Os brejos do Mosquito e Grande se localizam nas parte mais largas dos esporões das pontas dos Coroinhas e do Acaíra, respectivamente. Fauna e flora desconhecida. A Lei Orgânica de Arraial do Cabo declarou os Brejo do Espinho, Seco, Salgado e Jardim como “Áreas de Relevante Interesse Ecológico” (Art. 185, XV e XVI). Já seu artigo 186 estabeleceu:

“Art. 186- Ficam criados com base no artigo 225, d 1º, inciso III, da Constituição da República as seguintes unidades de conservação ambiental:

..............................................................

IV - Reserva Biológica da Lagoa Salgada;

V - Reserva Biológica do Brejo Jardim;

VI - Reserva Biológica do Brejo do Espinho

 


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