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Qualidade da água
As
características físicas e químicas das águas
da Lagoa de Araruama variam no tempo e no
espaço, possibilitando, porém, reconhecer
os compartimentos ambientais apresentados
anteriormente. A alta salinidade é a marca
da lagoa.
Temperatura
Medições realizadas
pela UFF mostram que ao longo do ano a temperatura
das águas da lagoa de Araruama oscilam entre
20 a 32 °C. A temperatura média no verão é
da ordem de 26ºC.
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Salinidade
A salinidade constitui
uma medida de concentração de sais minerais
na água. A elevada salinidade das águas da
lagoa de Araruama é um fenômeno natural, registrado
por cronistas desde o século XVI, constituindo
sua característica mais marcante. Ela é causada
pelo pequeno aporte de água doce dos rios,
elevada evaporação e reduzida precipitação,
pequena troca com o oceano, lenta renovação
da água e um forte e permanente vento nordeste.
O canal de Itajuru,
única conexão com o mar aberto, atua como
fonte de água oceânica e de sal. Como a evaporação
é maior que as chuvas, a entrada da água salgada
na lagoa causa a hipersalinidade. A contínua
extração de sal pelas salinas não exerce qualquer
efeito. Análises dos teores de ferro em conchas
recentes e antigas de conchas de marisco (A.
brasiliana) parecem evidenciar que a lagoa
já foi menos salgada, pois as conchas antigas
tem maior concentração desde elemento. Sabe-se
que há uma relação inversa entre a salinidade
e o teor de ferro nas conchas. Do mesmo modo,
investigações científicas verificaram que
em média, as conchas vazias de marisco apresentam
tamanho maior que as conchas encontradas vivas,
sugerindo que as condições atuais são mais
desfavoráveis à biota, possivelmente em decorrência
de aumento na salinidade.
A
primeira medição de salinidade da lagoa de
Araruama foi empreendida pelo Dr. Roberto
Lutz em 1886, sendo o estudo apresentado em
1888 à “Escola Polytechnica”. Seguem-se as
medições realizadas por Serafim Santos em
fevereiro e abril de 1917 e por Alfredo de
Andrade em março de 1918.
VALORES HISTÓRICOS DE SALINIDADE DA LAGOA DE ARARUAMA EM 1886, 1917 E 1918
|
ESTUDO
DE ROBERTO LUTZ
(1886)
|
ESTUDO
DE SERAPHIM DOS SANTOS (1917 e 1918)
|
ESTUDO
DE ALFREDO ANDRADE
(1918)
|
|
DATA
E LOCAL
|
DENS.
°Bé
(*)
|
DATA
E LOCAL
|
DENS.
°Bé
(*)
|
DATA
E LOCAL
|
DENS.
°Bé
(*)
|
|
Março
de 1886
|
|
Fevereiro
de 1917
|
|
Março
de 1918
|
|
|
Enseada
Martha Figueira
|
4,6
|
Ponte
Feliciano Sodré
|
4,7
|
Oceano
ao largo de farol de Cabo Frio
|
3,56
|
|
Ancoradouro
do Canal
|
4,7
|
Ponta
Grossa (Praia da Baleia)
|
4,9
|
Barra
do Canal de Itajuru
|
3,60
|
|
Salinas
Perinas
|
6,0
|
Salina
Perinas
|
4,8
|
Canal
das Salinas Trapiche (Palmer)
|
3,80
|
|
Ponta
dos Cardeiros
|
6,3
|
Em
frente a Iguaba
|
4,7
|
Canal
do Ancoradouro
|
3,80
|
|
Enseada
de São Pedro da Aldeia
|
6,4
|
Abril
de 1918
|
|
Estaleiro
|
3,80
|
|
Entre
Iguaba Grande e Iguaba Pequena
|
6,3
|
Oceano
em frente a barra
|
3,5
|
Canal
da Estacada
|
3,90
|
|
Em
frente a Araruama
|
6,8
|
Salinas
Palmer
|
3,7
|
Enseada
Sorita
|
3,95
|
| |
|
Enseada
de Martha Figueira
|
4,6
|
Enseada
Martha Figueira
|
4,10
|
| |
|
Ancoradouro
do Canal
|
4,8
|
Enseada do Siqueira
(Praia)
|
4,40
|
| |
|
Salinas
Perinas
|
6,0
|
Ponta
do Costa
|
4,60
|
| |
|
Em
frente ao Canal de Mossoró
|
6,3
|
Saco
do Negro
|
4,60
|
| |
|
Enseada
de São Pedro da Aldeia
|
6,3
|
Porto
da Aldeia
|
4,80
|
| |
|
Entre
Iguaba Grande e Iguaba Pequena
|
6,3
|
Canal
Mossoró
|
5,70
|
| |
|
|
|
Perinas
(meio)
|
4,90
|
| |
|
|
|
Ilha
dos Pombos
|
4,85
|
| |
|
|
|
Saco
dos Paus Vermelhos
|
5,00
|
| |
|
|
|
Enseada
de São Pedro da Aldeia
|
5,35
|
| |
|
|
|
Enseada
de Iguaba Grande
|
5,30
|
| |
|
|
|
Enseada
de Iguaba Pequena
|
5,30
|
| |
|
|
|
Enseada
da Figueira
|
5,35
|
| |
|
|
|
Enseada
de Parati
|
5,10
|
| |
|
|
|
Enseada
de Araruama
|
5,00
|
Fonte: Mario S. Pinto
e Raymundo R.Filho – A indústria do Sal no
Estado do Rio, 1930; Silvio Fróes de Abreu
– Recursos Minerais do Brasil.
(*)
- Densidade expressa em Graus Baumé (Bé)
A Figura abaixo mostra
a salinidade da lagoa em 1918.

Fonte: Guerra – Dicionário
Geológico - Geomorfológico
Estima-se que a salinidade
média nos dias atuais seja da ordem de 52
‰, que corresponde a uma vez e meia a do oceano,
variando com a distância do canal de Itajuru.
No corpo principal da lagoa, após o Boqueirão,
a salinidade parece oscilar entre 50 ‰ e 77‰,
que é o recorde registrado. Da barra do canal
de Itajuru até o Boqueirão a salinidade pode
variar entre 35 ‰ e 66‰.
Dados da FEEMA, coletados
entre 1980 e 1985, mostram os seguintes valores
de salinidade:
·
Entrada do canal de Itajurú:
35,4 ‰
·
Extremidade interna do canal
de Itajuru: 46,87 ‰
·
Em frente à ponta da Costa (enseada
de Maracanã): 52,49 ‰
·
Centro da lagoa, em frente a
ponta da Massambaba: 69,74 ‰
·
Centro da lagoa, em frente a
ponta das Coroinhas: 70,86 ‰
A salinidade é diretamente
proporcional a quantidade de chuvas que caem
na bacia e na lagoa. Por
exemplo, medições de salinidade feitas pela
Cia Nacional de Álcalis registraram que entre
1986 e 1989 o teor de sal caiu de 70 para
54, em decorrência de períodos de maior precipitação,
que foram detectados na estação meteorológica
de Iguaba Grande. As variações na salinidade
seguem um padrão sazonal, em especial nas
porções mais interiores da lagoa. No trecho
entre a desembocadura do canal de Itajuru
e o Boqueirão, há maior influência dos ciclos
de maré sobre a salinidade da água.
A salinidade do canal
é variável de acordo com a maré e a precipitação.
A entrada de água marinha no canal durante
a maré alta provoca a queda da salinidade,
sendo atenuado conforme se caminha para a
enseada das Palmeiras. Na vazante o processo
se inverte. Estudos da UFF tem verificado
nos últimos anos uma tendência de diminuição
de salinidade, embora a uma taxa mínima e
com variações sazonais e multianuais decorrentes
do clima. Entre 1977 e 1990, a taxa média
de sal caiu 2,7%. A redução parece estar associada
ao início da operação da adutora de Juturnaíba,
que traz água doce da bacia do rio São João
para abastecer as casas. Depois de serem usadas,
parte da água é descartada e chega na lagoa.
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Transparência
A lagoa é marcada pela
grande transparência da água, com valores
médios de 2,9m de visibilidade. A tonalidade,
devido à diminuta quantidade de material em
suspensão e o tipo de fundo, varia de verde
a azul turquesa, tal como as águas costeiras
do nordeste brasileiro ou do Caribe.
Hoje, em alguns locais
a transparência esta comprometida pela excessiva
proliferação de microalgas, que tem conferido
uma coloração esverdeada as águas.
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Material Sólido em
Suspensão
Verificam-se
baixos valores de material sólido em suspensão,
inferiores a 10 mg/l. Menores teores são registrados
entre julho e outubro.
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Nutrientes
Os
principais nutrientes são o nitrogênio e o
fósforo. O nitrogênio é um elemento de importância
fundamental aos seres vivos, uma vez que compõem
a estrutura dos aminoácidos e proteínas de
todas as células. A presença excessiva de
nitrogênio inorgânico (representado pelos
nitratos, nitritos, amônia e seus sais derivados)
em águas, decorre, principalmente, da poluição
orgânica e da drenagem de solos adubados.
O valor ecológico do
fósforo provém do importante papel que ele
desempenha no metabolismo biológico e da pequena
quantidade disponível na hidrosfera. As rochas
de uma bacia hidrográfica em geral constituem
a fonte natural básica de fosfato para os
ecossistemas aquáticos, enquanto os esgotos
domésticos e os fertilizantes agrícolas são
as mais importantes fontes artificiais. No
meio aquático, juntamente com os compostos
de nitrogênio, os compostos de fósforo fazem
parte do grupo chamado de “nutrientes limitantes”,
cujas baixas concentrações limitam a fotossíntese.
Dentre as diversas medidas analíticas existentes
para mensurar o índice de fósforo, são utilizados
os seguintes: fósforo total, fósforo inorgânico
dissolvido total, fósforo orgânico dissolvido
total, fósforo particulado orgânico total,
fósforo solúvel e fosfato total. Muitas vezes
estas medidas podem ser discrepantes, pois
dependem de diversos fatores, como velocidade
das águas, regime de chuvas na região, entre
outros.
No
caso da lagoa de Araruama,
com respeito
ao Nitrogênio, observa-se um predomínio de
amônia sobre as demais formas nitrogenadas,
ocorrendo, entretanto, variações sazonais
de amônia, nitrato e nitrito. Estudo da UFF
realizado em 1993 não verificou liberação
de amônia nos locais mais profundas, onde
poderia se esperar o acúmulo e decomposição
de matéria orgânica com conseqüente liberação
de amônia. O mesmo estudo detectou
que as concentrações de Fósforo exibem
picos em meados de março, e maio e início
de julho e setembro. Ou
seja, a cada 2 ou 3 meses a concentração de
fósforo na coluna d'água atinge um máximo
e depois decresce até um quase esgotamento.
Há
um ciclo de crescimento de biomassa (algas)
aproveitando o máximo de fosfato até o mínimo,
ou seja, a morte das algas e sua rápida remineralização
libera fosfato para coluna d'água até um máximo
subsequente, reiniciando o ciclo. Para
todos os parâmetros analisados (salvo salinidade)
há uma tendência à variação sazonal, entre
meados de outono e final do inverno que, no
entanto é mascarada pelos eventos de curta
duração, feriados e alta temporada turística,
que têm elevada influência sobre a qualidade
da água.
Clique aqui para ver
artigo científico sobre o balanço do sal e
dos nutrientes na lagoa.
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Produção
Orgânica
A
produção orgânica da lagoa de Araruama, realizada
pelos seres vivos que vivem no fundo, oscila
entre 0,18 gramas de Carbono por m2
por dia na primavera a 0,41 no outono.
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Sugestões
para Leitura
O CILSJ recomenda aos
interessados em aprofundar-se no conhecimento
das águas da lagoa a leitura dos seguintes
documentos:
ANDRÉ,
D.L. et alii, Estudo Preliminar sobre as Condições
Hidroquímicas da Lagoa de Araruama, RJ. IPqM,
Publ. nº 139: 33 p., 1979.
BARROS, A.M.A. de A. Utilização da vanilina como indicador na contribuição de
material orgânico vegetal nos sedimentos da
Lagoa de Araruama - RJ. Niterói, Universidade
Federal Fluminense, Inst. de Química, Departamento
de Geoquímica 1982. (Tese de Mestrado)
BRAGA, C.Z.F. Utilização de dados de sensoriamento remoto
paro a avaliação e modelagem do padrão espectral
de cobertura do fundo e de parâmetros físicos,
químicos e biológicos da água da Lagoa de
Araruama, RJ., ao longo dos últimos dez anos.
Niterói,
Universidade Federal Fluminense, Inst. de
Química, Departamento de Geoquímica 1998.
(Tese
de Doutorado)
CAMPOS, R.C., QUEIROZ, M.I., LACERDA, R.E.D., OKUDA, T. Conteúdo de Fósforo
Total, Carbono e Nitrogênio na Forma Orgânica
nos Sedimentos da Lagoa de Araruama. IPqM,
Publ. nº 142: 17p., 1979.
KNOPPERS,
B. et alli. Benthic primary production, respiration
and nutrient release rates in the hypersaline
corbonate-rich lagoon at Araruama. Rev. Bras.
Oceonogr. 44 (2): 155 –165, 1996.
SOUZA, M. F. L .de. Distribuição espacial sazonal e fontes fluviais de nutrientes
Lagoa de Araruama-RJ. Niterói, Universidade
Federal Fluminense, Inst. de Química, Departamento
de Geoquímica 1993. 166
p (Tese de Mestrado)
SOUZA, W.F.L. Dinâmica de nutrientes na Lagoa de Araruama.
Niterói,
Universidade Federal Fluminense, Inst. de
Química, Departamento de Geoquímica, 1999.
154 p. (Tese de Mestrado)
SOUZA, W.F.L., VIANA, E.F.C. e KNOPPERS, B. Teor de fósforo
nos sedimentos calcáreos da Lagoa de Araruama,
RJ. In: V Seminário de Iniciação Científica,
UFF, Niterói, 1995
VASCONCELOS,
C.O. Geoquímica de Carbonatos em Lagoas Hipersalinas.
Niterói, UFF. (Tese de Mestrado), 1985
VIANA, E. F.L; SOUZA, W.F.L. de e KNOPPERS, B. O impacto
dos efluentes domésticos sobre a fertilidade
da Lagoa de Araruama, RJ. In: V Seminário
de Iniciação Científica, UFF, Niterói, 1995
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