Regiões e Bacias Hidrográficas

 

O ecossistema da lagoa de Araruama é constituído por um corpo principal, que é a lagoa propriamente dita, e pelo canal de Itajurú, que a liga ao oceano. A margem norte da lagoa é de natureza rochosa (rochas pré-cambrianas e alguns depósitos do Grupo Barreiras) e de sedimentos aluviais, enquanto as margens e sul e leste são predominantemente arenosas. A restinga de Cabo Frio estende-se por 8 km, entre a Pontal em Arraial do Cabo até o canal de Itajurú, e possui 6 km de largura, fechando a lagoa pelo setor leste. Um estirão de 32 km da restinga de Massambaba fecha a lagoa pelo setor sul.

Clique nos itens abaixo para conhecer detalhes da morfologia da lagoa.

Corpo Principal Pontas, Penínsulas e Esporões
Canal de Itajuru Falésias
Orla Praias
Compartimentos Ambientais Ilhas e Coroas
Enseadas Obras Hidráulicas
Estreitos e Canais Fundo

O Corpo Principal

O corpo principal da lagoa é formado por segmentos justapostos em forma aproximada de elipse, chamados de enseadas, que são separados por pontas, penínsulas ou esporões de areia. A orla norte apresenta muitas reentrâncias e saliências de variados tamanhos, enquanto na orla sul há uma sucessão de largas enseadas de contornos suaves separadas por esporões arenosos encurvados para oeste. Alguns pescadores chamam as enseadas de “largo” e a orla norte de “costa de terra firme”. 

A lagoa tem por limite leste a entrada do canal de Itajuru, situada defronte à ilha do Anjo, após a enseada das Palmeiras, e por limite oeste à costa da enseada de Ponte dos Leites. Sua superfície é de 220 km². O perímetro da lagoa de Araruama perfaz aproximadamente 160 km (medição das cartas do IBGE na escala 1.50.000 feita pelo CILSJ em computador,). Apresenta um comprimento máximo leste-oeste de 37 km. Da ilha dos Anjos até a boca do canal de Itajurú são mais 2,7 km em linha reta. A largura máxima da lagoa é de 13 km, entre a praia de São Pedro da Aldeia e a localidade de Monte Alto, na restinga de Massambaba. 

De oeste para leste, a primeira enseada chama-se Ponte dos Leites, recebendo a parte sul o nome de enseada da Praia Seca. Muito rasa, apresenta profundidades máximas em torno de 1,5 m, tendo por limites as pontas do Anzol e das Cabras. Entre estas pontas há um vão pequeno (estreito do Anzol) com menos de 1 km, bastante assoreado, o que dificulta a passagem de embarcações. Em frente à foz do rio das Moças está um banco emerso de areia formado pelo acúmulo de sedimentos lançados por este rio na lagoa.

A próxima enseada é a do Convento, limitada pelas pontas do Antunes e das Coroinhas. Nela destaca-se um grande aterro, construído pela Flumitur na década de 70 para ser uma marina pública, projeto que não se concretizou. Neste local a Prefeitura de Araruama esta ergueu o Complexo Educacional e Esportivo Darci Ribeiro.  

Na parte norte segue-se às enseadas de Parati, Iguabinha, Iguaba e de São Pedro da Aldeia e, na parte sul, as de Tiririca (Ingá ou Açaí), Rebolo (Acaíra ou Coroinhas), Figueira (Gaivotas ou do Atalho) e Tucuns (Massambaba ou Martins).

Na enseada da Figueira, próximo ao Fundinho, está um marnel com cerca de 1 km, construído dentro da lagoa. Isto ocorre também na enseada de Tucuns, onde oito marnéis interligados perfazem pouco mais de 13 km, separando a parte sul. Nesta enseada estão as maiores profundidades da lagoa, com uma fossa que atinge 19 metros ou mais. Entre as enseadas de Tucuns e Maracanã está um estreito conhecido como Boqueirão, que é um notável afunilamento da lagoa. Trata-se de uma passagem com menos de 400 metros de largura e com a ilha das Pombas no meio, situada entre as pontas da Areia e dos Macacos, estando o primeiro acidente geográfico situado na península de São Pedro da Aldeia, enquanto o outro está localizado na restinga de Cabo Frio. Nesta ponta está o Morro dos Macacos, elevação isolada no meio de uma planície de areia ocupada em toda parte pelas salinas da empresa Perynas.

A enseada Maracanã tem uma parcela considerável de sua superfície esquadrinhada por grandes marnéis. A leste da praia de Mossoró, em São Pedro da Aldeia, um conjunto de 6 marnéis de salinas abandonadas atinge cerca de 5,6 km de comprimento. Ao sul, o saco de Perynas praticamente foi isolado por cerca de 10 marnéis que, unidos, tem aproximadamente 7,3 km. Neste local há também uma pista de pouso aterrando parte do espelho de água. Os marnéis inutilizam um espaço precioso da lagoa para pesca e lazer.

A ligação entre as enseadas Maracanã e das Palmeiras se dá através de duas passagens. O primeiro, natural, começa no Baixo Grande, junto à ponte da RJ-140, estendendo-se até a ponta do Ambrósio (estreito do Baixo Grande). Muito assoreada no seu trecho inicial, são visíveis os bancos de areia que impedem a navegação e dificultam a passagem dos cardumes. Sua largura foi reduzida por uma salina, hoje desativada, por um marnel retangular com cerca de 900 m de comprimento e pelo aterro da estrada RJ-140 que leva a ponte Vitorino Carriço. A ponte propriamente dita é pequena.  O aterro estrangulou o fluxo de água entre as enseadas das Palmeiras e Maracanã e vice-versa, que flui somente pelos pequenos vãos da ponte e pelo canal Palmer. A situação é agravada pela presença da adutora da Prolágos na embocadura do canal, com suas dezenas de pilares que favorecem o assoreamento. A segunda passagem é artificial, sendo constituída pelo canal Palmer.

A enseada das Palmeiras, a última da lagoa, é pequena e no passado perdeu uma área considerável pelo aterro de salinas. A parte norte é chamada de saco da Sarita e a sul de saco de Marta Figueira. Muito rasa, sua periferia norte é quase que totalmente circundada por salinas desativadas construídas às custas de aterro. Na extremidade leste da enseada tem início o canal de Itajuru, cuja boca esta entre a ilha do Anjo e uma salina abandonada na orla continental de Cabo Frio. Ao sul deste encontra-se o segundo segmento do canal Palmer, que une a enseada das Palmeiras ao canal de Itajuru.

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O Canal de Itajuru

A lagoa se comunica com o mar em sua extremidade leste, através do estreito e raso canal do Itajurú, cuja embocadura encontra-se voltado para o sul, entre pontões rochosos situados em Cabo Frio (Clique aqui para ver detalhes do Canal). (APARECE A FIGURA DA PÁGINA 39 DO LIVRO). O canal tem cerca de 5,5 km de comprimento e perímetro total de 14 km. A largura ao longo de seu trajeto varia entre 100 e 300 metros e as profundidades, medidas em 1985, oscilavam entre 0,5 e 2 metros, aumentando conforme se aproxima da boca da barra, onde atingia 5 metros. O canal recebe diversos lançamentos de esgotos provenientes da área urbana de Cabo Frio.    

O canal de Itajuru inicia-se na extremidade da ilha do Anjo, logo após a enseada das Palmeiras. O trecho inicial, entre a mencionada ilha e a margem norte, é bastante estreito. Defronte a ilha está o mangue do Porto do Carro, o maior da lagoa. Depois da ilha o canal alarga-se um pouco, faz uma curva suave e margeia a ilha da Draga, que é na verdade um aterro em forma de “L”, com a ponta menor ligada a margem norte do canal. Entre a ilha e a margem norte formou-se um baixio semi-isolado, com fundo de lama repleto de lixo. Pequenas plantas de mangue têm iniciado a ocupação da área.

Após passar a ilha da Draga o canal segue sinuoso, descrevendo uma curva de 90 graus, sendo atravessado neste trecho pela ponte Feliciano Sodré.

(POR FOTO DA PONTE)

Passando a curva, o canal toma rumo nordeste, faz novamente uma curva suave de 90 graus e assume direção norte-sul até a desembocadura. Nas proximidades da barra o canal se alarga e é dividido ao meio pela ilha do Japonês. A boca do canal é estreita, com cerca de 80 metros, estável, dividida ao meio por uma ilhota e em uma posição pouco sujeita ao ataque frontal das ondas, o que dificulta a entrada de sedimentos empurrados pelas correntes e ondas marinhas. A boca é guarnecida à oeste por uma pequena formação rochosa situada no final da praia do Forte, onde está o Forte de São Mateus e a leste por outra elevação rochosa, chamada de morro do Arpoador com a ponta da Lajinha. Nas imediações da barra encontram-se três sítios arqueológicos: as ruínas da feitoria-fortaleza francesa chamada de Casa de Pedra (1556-1575), o sítio de uma feitoria-fortaleza inglesa (1615) e o fortim luso-castelhano Santo Inácio (1615-c. 1620), depois transformado no atual forte São Mateus.   Na margem norte do canal esta o Parque Municipal da Boca da Barra, com 38 ha. 

Foto aérea mostrando a boca do canal de Itajurú

Estudo de Guilherme Lessa, da UFRJ, atesta que o canal de Itajuru era originalmente constituído por uma sucessão de pequenas lagunas O canal vem sofrendo alterações desde os princípios do século XVII. Por esta época, navios portugueses e franceses com até 150 toneladas fundeavam nas águas defronte a ilha do Japonês, cuja profundidade mínima, na baixamar, era provavelmente de 4 metros. Em 1862, medições feitas no mesmo local indicaram uma profundidade de 0,9m. Suspeita-se que a causa deste assoreamento tenha sido a obstrução da boca da barra feita em 1615 a mando de Portugal, para dificultar a entrada de navios franceses que vinham se abastecer de pau-brasil. A obstrução diminuiu metade da barra da Gamboa e assim permaneceu por 250 anos até ser reconstituída por volta de 1880 pelo Barão de Tefé. Durante este tempo, a diminuição do volume de água marinha que entrava pela barra durante na preamar reduziu o fluxo, acarretando o assoreamento.  Por volta de 1934, estudos da Comissão de Saneamento da Baixada Fluminense – CSBF, encontraram profundidades de até 2,7 metros na região do antigo porto. 

Posteriormente, sucessivos aterros foram realizados para implantação de salinas, loteamentos, condomínios e clube náuticos, reduzindo a superfície do canal em 50 %, como se pode constatar no exame do mapa de Lessa. Em 1985, sondagens feitas em frente à Ilha do Japonês detectaram uma profundidade de apenas 0,3m. Referida ilha é resultado do processo de assoreamento, sendo à parte emersa e visível de um delta recente em ampliação.

 

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Orla

Seis municípios detêm o domínio sobre a orla, conforme mostra o quadro a seguir. Observa-se que Arraial do Cabo é o município com maior comprimento de orla, enquanto Saquarema é o menor. 

EXTENSÃO DAS ORLAS MUNICIPAIS

MUNICÍPIO

VALOR ABSOLUTO (km)

VALOR RELATIVO (%)

Saquarema

3,20

2

Araruama

38,60

24

Iguaba Grande

7,50

4,5

São Pedro da Aldeia

39,40

25

Cabo Frio

23,00

14,5

Arraial do Cabo

48,30

30

Total

160 ,00

100

Fonte: Bidegain e Bizerril – Livro Lagoa de Araruama - Projeto Planágua SEMADS / GTZ, 2002

As margens da lagoa de Araruama são predominantemente planas. Pequenas colinas isoladas junto à orla norte podem ser vistas em algumas pontas. Somente na península de São Pedro da Aldeia elas aparecem de forma mais contínua.

Em geral, observam-se os seguintes tipos de orla na lagoa: praias e dunas; rochas; barrancos minúsculos de terra; reentrâncias de terra com faixas minúsculas de areia; pedras em taludes de aterros; diques de tanques de salina; costa de concreto e mangues e banhados salgados. As praias são estreitas e formadas por areias com pouco silte e quase ausência de argilas, de cor branca e cinza claro, misturadas com conchas inteiras e trituradas. Na orla norte, as praias têm maior teor de barro (argila e silte). Em alguns trechos desta orla, atrás das praias, aparecem áreas planas em cujo solo mistura-se uma proporção maior de terra, seguida de areia e conchas. Na orla sul, nas restingas, os campos são sempre arenosos.

Dunas aparecem somente na margem sul, principalmente no início da praia de Monte Alto e na praia do Rebolo. Costas rochosas naturais surgem apenas na parte continental, quase sempre nas pontas e tem pequena expressão. A orla norte tem trechos que são formados por minúsculos barrancos de terra com menos de vinte centímetros. Nos locais que sofrem erosão, a orla é formada por pequenas reentrâncias separadas por pontas de terra, com minúsculas faixas de areia ao fundo. Nos aterros, a orla é formada por blocos de pedras amontoados, formando os taludes. Onde há salinas, as orlas são constituídas pelos diques dos tanques, sendo estes formados por uma mistura de argila com areia e pedras. A costa de concreto ocorre em geral onde há cais ou obras de defesa costeira de condomínios e de clubes náuticos.   

Os manguezais remanescentes encontram-se no Porto do Carro, em Cabo Frio, e próximo à foz do rio das Moças, em Araruama. Notam-se ainda algumas aglomerações representadas por poucas árvores atrás da ilha da Draga, na foz do canal Excelsior, na orla norte nas proximidades da ilha do Japonês, na praia da Barreiro e na ponta de Massambaba. Em alguns pontos, como na enseada atrás da ilha da Draga e na desembocadura do canal Excelsior, os mangues estão iniciando sua expansão por sobre a lama.

A vegetação nativa predominante na orla, a retaguarda das praias, é formada por campos de ervas (Paspalum sp e Salicoria sp) tolerantes a salinidade. Nas dunas surge uma vegetação arbustiva de restinga, cujas pontas dos galhos por vezes encostam na água. Na orla norte, em poucos locais preservados, surge nos morros à vegetação denominada de savana estépica, cujo local mais preservado é a área da UFF em Iguaba Grande.

Fora as que são exclusivas de mangues, constata-se que sobraram poucas árvores nativas junto à orla. As mais comuns são a guaxima ou algodoeiro-da-praia (Hibiscus pernambucencis) e a aroeira (Schinus terebintifolius). Pode-se observar raros ingás-mirins (Inga sp.) e quixabas (Bumelia sp), como por exemplo na praia do Barbudo e figueiras (Ficus sp), plantadas na praia de Araruama e encontradas em algumas praias da península de São Pedro. As árvores que predominam na orla são todas estrangeiras, destacando-se as casuarinas australianas (Casuarina sp) seguida pelas amendoeiras (Terminalia catappa) e coqueiros da Ásia, o que descaracteriza a paisagem e afugenta a fauna.

A orla da lagoa de Araruama encontra-se cartografada em mapas excelentes, que servem para conhecer detalhes de sua mofologia, atestar a ocupação, comparar distintos anos e planejar o uso e a proteção.

São eles:

·           Plantas na escala de 1:2.000 do Projeto Integrado de Abastecimento de Água da Região dos Lagos, publicadas em 1973 pela extinta SANERJ, cobrindo cerca de 50 % da orla da lagoa;

·           Plantas na escala de 1: 2000, editadas em 1984 pela SERLA, cobrindo toda a orla da lagoa;

·           Plantas na escala de 1: 2.000 com a indicação dos Terrenos de Marinha, elaboradas pela Secretaria do Patrimônio da União - SPU em 1999, a partir de fotografias aéreas de 1996.

·           Mapa na escala 1:5.000 elaborado pela UERJ em 1998, mostrando a orla de Iguaba Grande;

·           Plantas da escala 1:5.000 elaboradas pela AGROFOTO com base em fotografias aéreas da década de 80, mostrando a orla do Município de Arraial do Cabo;

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Compartimentos Ambientais

Na década de 80, estudos realizados por técnicos do Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias – INPH e do Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira - IEAPM, combinando características hidrológicas, de qualidade da água, dos sedimentos e, principalmente, de salinidade, revelaram que a lagoa de Araruama era formada por três compartimentos ambientais. 

São eles:

·          Área 1- Compreende o canal de Itajurú e a enseada das Palmeiras, desde a sua embocadura até o Baixo Grande, onde passa a adutora de Juturnaíba e a Ponte da RJ-140. As características físico-químicas são muito parecidas com a do mar;

·          Área 2 - Compreende a região entre o Baixo Grande e o Boqueirão, que corresponde à enseada Maracanã;

·          Área 3- Compreende a maior porção da lagoa. Estende-se desde o Boqueirão até a enseada de Ponte dos Leites;

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Enseadas

A lagoa de Araruama é formada por 12 enseadas. A maior delas chama-se Tucuns e a menor Palmeiras.  

ENSEADAS DA LAGOA DE ARARUAMA

ENSEADA

LOCALIZAÇÃO

CARACTERÍSTICAS

Ponte dos Leites

Araruama e Saquarema

Parte sul chama-se enseada de Praia Seca. É limitada pelas pontas do Anzol e das Cabras

Convento

Araruama

Limitada pelas pontas do Antunes e das Coroinhas

Parati

Araruama

 

Iguabinha

Araruama

 

Iguaba

Iguaba Grande

 

São Pedro da Aldeia

São Pedro da Aldeia

 

Tiririca (Ingá ou Açaí)

Araruama

 

Rebolo (Acaíra ou Coroinhas),

Arraial do Cabo

 

Figueira (Gaivotas ou do Atalho)

Arraial do Cabo

 

Tucuns (Massambaba ou Martins)

Arraial do Cabo

Maior enseada da lagoa

Maracanã

Cabo Frio e São Pedro da Aldeia

A parte sul é chamada de saco de Perynas

Palmeiras

Cabo Frio

A parte norte é chamada de saco da Sarita e a sul de saco de Marta Figueira

Fonte: CILSJ - 2003

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Estreitos e Canais

Estreitos são passagens apertadas que conectam enseadas. Os mais conhecidos são descritos abaixo.   

ESTREITOS DA LAGOA DE ARARUAMA

ESTREITO

LOCALIZAÇÃO

Anzol

Une as enseadas de Ponte dos Leites a do Convento.

Boqueirão

Une as enseadas de Tucuns e Macaranã

Baixo Grande

Une as enseadas do Maracanã e das Palmeiras, estendendo-se do baixo Grande à ponta do Ambrósio  

Canal Palmer I

Une as enseadas do Maracanã e Palmeiras 

Estacada

Une a enseada das Palmeiras ao Canal de Itajuru

Canal Palmer II

Une a enseada das Palmeiras ao Canal de Itajuru

Fonte: CILSJ - 2003

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Pontas, Penínsulas e Esporões

Na margem norte há diversas pontas de natureza em geral rochosa, sendo que algumas terminam em curtas projeções emersas de areia. De leste para oeste contabilizam-se as pontas do Capim, Mathias, Anzol (Outeiro ou Hospício), Pontinha (ou ponta do Frei João), da Peça, do Cemitério, do Antunes, das Bananeiras, das Andorinhas, do Bico Preto, da Farinha, da Madeira, d’Água, do Cândido, da Peça, Grossa, dos Cardeiros (ou Faustina), da Areia, do Maracanã e do Ambrósio. A mais notável é a península de São Pedro da Aldeia, que avança 6,5 km no interior da lagoa e separa as enseadas de São Pedro e Maracanã, apresentando largura máxima de 800m. Encontra-se urbanizada em sua maior parte. Destaque também para as penínsulas do Areal-Hospício, com 2,5 km de comprimento e a da Pontinha, que se prolonga por 1,5 km para dentro da lagoa. Ambas partem do continente com uma base alargada e também são urbanizadas.

A orla sul mostra uma das caraterísticas mais marcantes da lagoa de Araruama, que é a presença de esporões arenosos, também chamados de pontais ou ”spits”, que se projetam para dentro d’água a partir das restingas de Massambaba e Cabo Frio. Os pescadores chamam de “cordão” ou “coroa” as partes submersas dos esporões e os bancos de areia rasos.

A ação combinada dos ventos e correntes circulares faz com que os esporões se desenvolvam de forma semelhante, encurvando-se para oeste. Todos tendem a alcançar uma ponta da margem oposta e a alongar-se obliquamente à restinga. Na restinga de Massambaba, o primeiro esporão é rombudo, tomado de salinas e em parte urbanizado (localidade de Praia Seca), apresentando as pontas das Marrecas, das Cabras e do Ingá. O quadro abaixo resume as feições dos demais esporões.

ESPORÕES

ESPORÃO

RESTINGA DE ONDE PARTE

COMPRIMENTO

(KM)

LARGURA MÁXIMA

(KM)

OCUPAÇÃO

da Ponta das Coroinhas

Massambaba

3,5

1

Urbanizado na base e com salinas na extremidade

da Ponta das Acaíras

Massambaba

5

4

Urbanizado na parte leste próximo a base e com salinas na extremidade leste

da Ponta da Massambaba

Massambaba

6,5

3

Ocupado integralmente por salinas

da Ponta dos Macacos

Cabo Frio

2,5

1

Ocupado integralmente por salinas da Cia Perynas. Morro dos Macacos na extremidade

da Ponta do Costa

Cabo Frio

1,5

0,65

Ocupado integralmente por salinas da Refinaria Nacional do Sal

da Ponte da RJ 106

Cabo Frio

1,25

0,5

Ocupado por salina desativada

Fonte: Bidegain e Bizerril – Livro Lagoa de Araruama - Projeto Planágua SEMADS / GTZ, 2002

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Falésias

As falésias podem ser encontradas nas proximidades da foz do rio das Moças e nas pontas do Antunes, Bananeiras, Andorinhas, Bico Preto, d’ Água e na costa entre as pontas da Farinha e do Cândido.  

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Praias

A lagoa possui cerca de 54 praias, relacionadas abaixo por município. 

PRAIAS DA LAGOA DE ARARUAMA

MUNICÍPIO

NÚMERO DE PRAIAS

RELAÇÃO DAS PRAIAS

Saquarema

1

Praia do Barreiro ou da Farofa

Araruama

20

Praias do Areal (ou Enjeitado), do Hospício, de Araruama, da Pontinha, do Clube Náutico, dos Amores (ou Cigarra), do Coqueiral, do Barbudo (ou Ouvidor), do Gavião (ou Novo Horizonte ou Giz), do Condomínio, das Bananeiras, do Lake View (ou Geisópolis), das Espumas, de Iguabinha (ou Peró), do Tomé, Seca, do Ingá, das Virtudes, dos Nobres e da Tiririca (ou do Pneu) (*)

Iguaba Grande

5

Praias das Andorinhas, de Iguaba, do Sol, do Ubá e das Carapebas (*)

São Pedro da Aldeia

19

Praias das Carapebas (*), Linda, do Balneário, da Tereza, de São Pedro, da Pitória, do Arrastão (ou Miranda), do Sol, do Sudoeste, Linda, da Ponta dos Cardeiros, da Baleia, da Ponta da Areia, do Nordeste, Brava, dos Pescadores, de Mossoró, Maracanã e Linda (do Baixo Grande)

Cabo Frio

7

Praias do Sudoeste (*), do Siqueira, dos Coqueiros, do Portinho, do São Bento, da Ilha do Japonês e da Barra.

Arraial do Cabo

5

Praias da Tiririca (ou Pneu) (*), do Rebolo, de Figueira, de Monte Alto e do Sudoeste (*)

Nota: (*) - Praia que abrange mais de um município.

Fonte: Bidegain e Bizerril – Livro Lagoa de Araruama - Projeto Planágua SEMADS / GTZ, 2002

As praias em melhor estado natural são a do Rebolo, em Arraial do Cabo, seguida da Praia Linda, situada na extremidade da península de São Pedro da Aldeia, dentro de propriedade particular. As mais compridas são a do Sudoeste, que se estende da ponta dos Macacos às proximidades do Aeroporto de Cabo Frio, a do Rebolo e a de Monte Alto. Há três praias com o nome de Linda e duas chamadas de Sudoeste. 

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Ilhas e Coroas

Na lagoa de Araruama estão cerca de 10 ilhas naturais e artificiais, todas de tamanho reduzido, conforme mostra o quadro a seguir.

ILHAS DA LAGOA DE ARARUAMA

ILHA

LOCALIZAÇÃO

CARACTERÍSTICA

Santa Rita

Defronte a praia de Iguaba

De pedra, tem um oratório dedicado a Santa Rita de Cássia instalado em 1917, além de um atracadouro

Cândido Marques ou Caboclo Pulão

Em frente à praia Linda, em São Pedro da Aldeia

Plana e rochosa

Chico Marques

Entre as praias Linda e do Balneário

Plana, unida a Ponta d’ Água por um istmo de areia

do Bajuru

Em frente à praia do Balneário

Plana

das Pombas

Próximo ao Boqueirão, na enseada Maracanã

Pequena elevação rochosa

Palmer

Enseada das Palmeiras

Pequena elevação rochosa

da Salina Conceição

Entre as enseadas Maracanã e das Palmeiras 

Ilha artificial, parcialmente ocupada por residências ao longo do canal Palmer. O restante é salina abandonada

Do Anjo ou da Estacada

Na entrada do canal de Itajuru

Ilha artificial, ocupada por um condomínio fechado e unida a margem sul do canal por uma ponte.

Da Draga

No canal de Itajuru

Unida a margem norte do canal. Ocupada por residências, restaurante, mercado de peixes, estabelecimentos de apoio a pesca e atracadouros.

Do Japonês

No canal de Itajuru

Sedimentar, plana e com uma praia.

Fonte: Bidegain e Bizerril – Livro Lagoa de Araruama - Projeto Planágua SEMADS / GTZ, 2002

Há também uma pequena ilha, situada nas proximidades da salina Libanesa, em Araruama, cujo nome não foi obtido. Luiz Palmier em artigo escrito em 1948 citou nomes diferentes para as ilhas da lagoa, a saber: Andorinhas, Ferreiros, Macacos, Pombos, José Leal e Ilhota.

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Obras Hidráulicas

As principais obras hidráulicas são os canais Palmer, do Mossoró e da Cia Nacional de Álcalis; quatro pontes e diversas valas de salinas. O canal Palmer foi aberto no início do século XX pelo engenheiro francês e salineiro Lerger Palmer para facilitar o escoamento da produção de sal. É constituído por dois segmentos. O primeiro, com 500 m, une as enseada Maracanã e das Palmeiras, enquanto o segundo, com 700 m, conecta esta enseada com o canal de Itajuru. Entre 1915 e 1917, o Governo do Estado do Rio de Janeiro realizou obras de dragagem e melhoria do canal, incluindo a construção de cais, colocação de cortinas de concreto e molhes de pedra nas extremidades. Após as obras o canal passou a ter a profundidade de um metro nas águas mínimas.

O canal de Mossoró, também construído pelos salineiros, tem 4 km de comprimento e liga as enseadas de São Pedro da Aldeia e Maracanã. Tem largura média de 10m e profundidade em torno de 0,30m. É alimentado pelas águas da lagoa e por cerca de 32 l/s de esgotos, lançados por valões e manilhas na cidade de São Pedro da Aldeia.

O canal da Cia Nacional de Álcalis era utilizado pelas barcaças para o transporte das conchas entre a lagoa e o porto de desembarque, situado próximo à fábrica de barrilha. Com 5,5 km, inicia-se na enseada de Tucuns e possui, na localidade de Camboinhas, uma eclusa constituída de duas comportas e uma ponte elevadiça. Nas proximidades do canal encontram-se um escritório da CNA encarregado da operação da eclusa e um pátio com sucata. Diversas valas conectam as salinas com a lagoa de Araruama e esta com as lagoas de Jaconé Pequena, Vermelha, Pitanguinha e Pernambuca, com a função de prover água para abastecimento dos tanques de evaporação.  Há também várias valas de salinas escavadas paralelamente a orla.

Na lagoa de Araruama encontram-se quatro pontes. Três delas atravessam o canal de Itajuru. A mais antiga é chamada de Feliciano Sodré. Situa-se em Cabo Frio e faz a ligação do Centro com o bairro da Gamboa e o Mercado de Peixe Municipal. Projetada pelo engenheiro dinamarquês Ostenfeld e construída em concreto armado, a ponte têm 109 m de comprimento, vão livre central de 67 metros e face externa de 92m. A altura do arco mede 12 m no nível médio da maré. Inaugurada em 15 de julho de 1922 após 7 meses de construção pela empresa Christian & Nielsen, foi considerada à época a maior ponte em vão livre do Brasil.  

A segunda ponte, que faz parte da RJ-140, é chamada de Vitorino Carriço. Une São Pedro de Aldeia a Cabo Frio. A travessia, de sul para norte, é feita por um aterro que avança sobre o espelho d’água seguido por uma pequena ponte de concreto. Ainda na RJ 140, pouco depois, tem-se a ponte sobre o canal Palmer. Por fim, a última ponte liga o Condomínio da Ilha dos Anjos a margem sul do canal de Itajuru, em Cabo Frio.

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Fundo

O fundo da lagoa de Araruama tem a sua forma moldada ao longo dos anos pelas interações entre as ondas, correntes e oscilações de seu nível médio do mar, além de sofrer a influência das diferentes fontes de sedimento que nela aportam e das retiradas de sedimentos do fundo através de dragagens. 

Cinco entidades mapearam o fundo da lagoa e do canal de Itajuru, produzindo os chamados “mapas batimétricos”:

1960

Folhas Topográficas Araruama e Cabo Frio, na escala 1:50.000, mostram pela primeira vez as curvas batimétricas da lagoa.  

1977

A Diretoria de Hidrografia e Navegação – DHN, do Comando da Marinha faz o levantamento batimétrico da lagoa (Carta B – 1.500 – 1 e 2 /77 Lagoa de Araruama. Escala. 1.20.000 e Folha de Bordo FB 1500 – 2/77, 1978)

1984

A Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais – CPRM, contratada pela Cia Nacional de Álcalis - CNA, produz diversos mapas batimétricos nas escalas de 1:50.000 e 1:5.000, inseridos no relatório Projeto Lagoa de Araruama / Relatório Final de Pesquisa de Conchas Calcáreas

1985

A extinta PORTOBRÁS edita três 3 Plantas de Sondagem Batimétricas (Planta 01 – Da Foz do Canal de Itajuru até a Moringa; Planta 02 – Da Moringa até o Canal Palmer; Planta 03- Do Canal Palmer ao Início da Lagoa, levantadas pela Cia Brasileira de Dragagem)

1989

Mauro Argento e Mônica Coimbra, pesquisadores da UFRJ, mapeiam o fundo da lagoa utilizando pela primeira vez imagem de satélite.

2001

O CREA/RJ lança a Carta Náutica da Lagoa de Araruama na Escala 1:50.000.

Fonte:

A profundidade média da lagoa é da ordem de 2 a 3 metros, mas apresenta locais onde atinge até 19 metros, como na enseada de Tucuns ou Massambaba. Estes poços profundos eram chamados de “Leão de Dentro” e “Leão de Fora”, segundo o engenheiro Euvaldo Nina, em relatório de 1923 da Inspetoria Federal de Portos e Costas.

Infelizmente, apesar do farto material para comparar a profundidade da lagoa em diversos anos, nenhum estudo realizou tal tarefa, o que possibilitaria inferir a taxa de assoreamento. Um simples confronto da enseada de Ponta dos Leites nos mapas do IBGE (1960) com os do CREA (2001) permite concluir que houve uma perda mínima de 1 metro de profundidade. Em 1960 os locais com profundidades maiores que 2m dominavam o centro da enseada. Hoje a profundidade máxima é de 1,2m.

A morfologia geral do fundo apresenta bacias, platôs e áreas onduladas, todos cortados por vales pronunciados. O fundo inclina-se de modo suave para uma depressão existente ao longo do eixo maior da lagoa. As áreas submersas próximas à margem norte mostram uma superfície ondulada com morros baixos e bancos arenosos juntos à orla. Na parte sul predomina um relevo de bacias e platôs, sendo raras as ondulações. O mais importante acidente do relevo sub-aquático é a depressão que se desenvolve como um canal, atravessando a lagoa desde a enseada de Parati até próximo a Camboinhas, cuja profundidade máxima é de 8 metros, podendo alcançar até 17 metros. Trata-se provavelmente de um antigo rio que correu ali quando não existia ainda a lagoa de Araruama, entre 120 a 20 mil anos atrás, e o nível do mar estava bem mais baixo que o atual.

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