Regiões e Bacias Hidrográficas

 

Cadeia Alimentar e Produtividade Biológica

 

Os componentes de todas as cadeias alimentares de uma forma geral podem ser enquadrados dentro das seguintes categorias:

 

·          Produtores - são todos os seres que fabricam o seu próprio alimento, através da fotossíntese, sendo neste caso as plantas e as algas.

·          Animais - os animais obtém sua energia e alimentos comendo plantas ou outros animais, pois não realizam fotossíntese, sendo, portanto incapazes de fabricarem seu próprio alimento.

·          Decompositores - Esta categoria não pertence nem a fauna e nem a flora, alimentando-se no entanto dos restos destes, e sendo composta por fungos e bactérias. Apesar da sua importância, os decompositores nem sempre são muito fáceis de serem observados em um ecossistema, pois sendo a maioria formada por seres microscópicos, a constatação da sua presença não é uma tarefa tão fácil.

 

A lagoa de Araruama apresenta uma cadeia alimentar peculiar que a distingue de todas as outras. A base se sua cadeia, ou seja, os produtores, não é formada pelas microalgas do plâncton, mas sim as pequenos plantas e animais que vivem no fundo, como se verá adiante. 

 

A maioria das espécies da cadeia é de consumidores primários, divididos em três grupos: o maior alimenta-se da microflora do fundo, outro consome bactérias e o menor alimenta-se de plâncton e material em suspensão. Os consumidores secundários são em quase totalidade peixes, que se alimentam de microcrustáceos, vermes poliquetos e nematódeos, moluscos e, às vezes, certas algas.

As aves podem ser consideradas os consumidores terciários.

 

Os níveis da cadeia alimentar de Araruama são menores que em outros sistemas costeiros. Por isso os impactos ambientais são imediatos sobre quase todos os organismos, mas o retorno às condições naturais é rápido, pois a maioria das espécies é do tipo oportunista, de ciclo de vida curto e alta capacidade de recolonizar o ambiente.

 

A produção biológica da lagoa, ou seja, o volume de matéria orgânica produzida por área constitui um processo também muito peculiar devido aos efeitos da salinidade. Dentre os nutrientes essenciais para a produção, o fósforo atua como fator limitante, enquanto nas lagunas pouco salinas da costa fluminense, o nitrogênio desempenha este papel. A baixa presença de fósforo decorre de diversos mecanismos de remoção típicos de ecossistemas hipersalinos, como a formação de apatita (um tipo de fosfato de cálcio), a precipitação de outros fosfatos de cálcio e a aderência química aos grânulos de carbonato nos sedimentos de fundo.

 

Além deste processo, observa-se retenção de parte dos fosfatos na foz dos rios, devido à forte diferença de salinidade entre as águas fluviais e lagunares, condição que favorece a adsorção do nutriente à matéria em suspensão e sua posterior deposição no fundo. A concentração de fósforo é controlada ainda pelos organismos que vivem no fundo, que o metabolizam ou reciclam, deixando pouco para ser degradado. Com isso, o fósforo dissolvido e a amônia liberada são insignificantes para manter a produção primária do fitoplâncton na coluna d'água.

 

Assim, ao contrário do que ocorre na maioria das lagoas, onde a maior produção é realizada na coluna de água pelo plâncton, na lagoa de Araruama a zona de maior produção é o fundo, reforçando a import6ancia dos Refúgios Biológicos. 

 

A produção realizada pelas algas no fundo da lagoa atinge taxas diárias de 0,2 a 0,5g de carbono por metro quadrado superando em até quatro vezes a produção de fitoplâncton. Na região mais profunda, onde a luz penetra menos, a decomposição da matéria orgânica predomina sobre a produção. 

 


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