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Nos últimos anos, o termo
“recurso hídrico” tem se popularizado. Seu
significado é nada mais nada menos igual à “água”.
Como o objetivo era dar-lhe valor econômico e assim
taxar o seu uso através de lei, ela passou a ser
designada como recurso hídrico.
Para melhor compreender um
rio e assim utiliza-lo de maneira correta, não basta
conhecer apenas a quantidade de água (vazão), a
qualidade e o volume de sedimentos que transporta. Faz
necessário vê-lo como um ecossistema. Um rio sem matas
nas margens, por exemplo, é um ecossistema
desestabilizado, com águas turvas. A mata ribeirinha
faz parte do rio e é fundamental para a qualidade da água,
e isto não ganha o devido peso na lei estadual de
recursos hídricos.
Rios
são muito mais que vias que simplesmente transportam águas
e sedimentos. Eles
são atores importantes na construção da paisagem. Ao
longo de milhares de anos, eles esculpem vales,
escavando montanhas e criando planícies. Rios oferecem áreas para lazer, natação, canoagem,
pesca e são fontes de água para abastecimento humano,
indústrias, geração de energia, produção de
alimentos, combate a incêndios e dessedentação de
rebanhos e animais silvestre. Rios são habitats de
milhares de espécies de plantas e animais, possuindo
biodiversidade própria. Rios são na verdade
ecossistemas fluviais.
Estruturalmente, um
ecossistema fluvial é formado por componentes físicos
e bióticos. O mais importante componente físico é a
água, que nunca está em estado puro, mas contém uma
grande quantidade de substâncias dissolvidas e em
suspensão. Assim, o termo recursos hídrico é mais
aplicado para designar a massa de água de um
ecossistema fluvial. Inclui-se ainda como componentes físicos
a calha, que é formada pela barranca e pelo leito, e as
várzeas sazonalmente inundadas.
Como componentes bióticos
pode-se relacionar os microorganismos aquáticos (bactérias
e algas azuis); as algas; os fungos; os líquens; os
protozoários; as plantas (musgos, samambaias, salvínias,
aguapés e as árvores, palmeiras e arbustos das matas
riberinhas), e os animais invertebrados e vertebrados,
onde se destacam pitus, caranguejos, mariscos, peixes,
pererecas, cobras d’água, jacarés, aves e mamíferos
como capivaras, lontras e ariranhas, dentre outras.
O
estudo das bacias hidrográficas e dos ecossistemas aquáticos
que delas tomam parte compreende um vasto campo de
investigação. As chuvas, as águas superficiais e
subterrâneas, o relevo, os solos e as rochas são
assuntos de climatologistas, geógrafos, geomorfólogos,
geólogos, hidrólogos, químicos e de engenheiros
civis, sanitaristas, agrônomos e químicos. A fauna e a
flora aquática e as matas ribeirinhas são pesquisadas
por biólogos, engenheiros agrônomos e florestais. Então,
diversas ciências estão envolvidas, como a hidrologia,
a sedimentologia, a geologia, a geografia, a biologia, a
química e a física. Por fim, a limnologia, que é uma
ciência do ramo da ecologia, ocupa-se de integrar todos
os elementos para ter uma visão abrangente dos
ecossistemas aquáticos. |