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Ano
passado faleceu um dos maiores botânicos do Brasil,
o professor Luis Emygdio de Mello Filho, que trabalhava
no Museu Nacional. Um de seus últimos e mais profícuos
trabalhos foi feito para AGM em Cabo Frio, no âmbito
do Projeto Ilhas Perynas Resort.
Em 1992 ele e sua equipe iniciaram o estudo da flora
de restinga da área do empreendimento e região, tendo
cadastrado 611 espécies. Implantou em seqüência um
Horto para propagação de plantas nativas de restinga,
selecionadas para paisagismo, dominando a tecnologia
de produção de mudas de mais de 200 espécies. Infelizmente,
todo esse valioso conhecimento tecnológico não foi
publicado pela AGM.
Quando andamos pela orla da lagoa de Araruama e pelas
ruas dos municípios que a margeiam, constatamos o
quanto este conhecimento faz falta. Apesar de sermos
o país campeão em termos de biodiversidade, abundam
nas ruas de Araruama, São Pedro da Aldeia, Iguaba,
Cabo Frio e Arraial do Cabo, árvores e arbustos cuja
pátria são paises asiáticos e africanos, como os
flamboyants,
casuarinas, amendoeiras e coqueiros. A ignorância
sobre o uso de plantas nativas é quase total.
Faço aqui um apelo a AGM. Publique um livro sobre
propagação de plantas ornamentais de restinga em homenagem
póstuma a Luis Emygdio de Mello Filho. Ele será muito
útil para que no futuro deixemos uma herança muito
melhor do que aquela que recebemos, ou seja, uma paisagem
autêntica da Região dos
Lagos, sem a falsificação das casuarinas. A biodiversidade
agradecerá. E as crianças também. E as Prefeituras
poderão aprender a valorizar as riquezas que tem em
seu solo.
Paulo Bidegain
Biólogo
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